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O humorista cubano Ulises Toirac respondeu aos ataques de Roberto Herrera, uma ciberclara defensora do regime com perfil restrito no Facebook, que questionou seu acesso à atenção médica em Cuba.
Herrera o acusou de "desacreditar o sistema" e depois confiar nele quando precisava.
"Ulises dedicou anos a criticar o sistema cubano. Chamou-o de ineficiente, colapsado, sem futuro. Mas quando seu olho direito começou a falhar, não procurou clínicas privadas em Miami nem seguros em Nova Iorque. Veio para Cuba", disse o sujeito.
Toirac, acostumado à censura e à marginalização profissional por suas críticas ao Governo, qualificou o ataque como uma tentativa grosseira de cercear sua opinião e defendeu sua trajetória com contundência.
O primeiro que ele esclareceu é que ele não "veio" para cuidar da saúde em Cuba, porque ele mora em Cuba.
E precisou que no hospital Ramón Pando Ferrer "A Cegueira", onde se trata uma grave doença ocular, não lhe "devolveram" a saúde. "Fizeram um esforço para deter o processo de uma doença", ressaltou.
O ator lembrou que, ao longo de sua carreira, foi protagonista, diretor e roteirista de três programas de televisão de alta audiência por quase 20 anos, além de ter dirigido mais de 14 espetáculos teatrais com recordes de bilheteira e ter percorrido o país em turnês durante quatro décadas.
"Com o que eu trabalhei, poderia ter comprado o hospital. Assim de simples", destacou em .
Toirac também elogiou os trabalhadores do setor médico em Cuba por seu conhecimento, habilidade e sacrifício, mas destacou que isso não deve silenciar suas críticas aos equívocos do sistema.
"Que me tratem em um hospital (no qual além disso atendem o resto da população, porque eu não vou a nenhuma clínica superprivada disponível apenas para a elite do poder) não pode sequestrar minha opinião nem diminuir os desatinos que se cometem neste país", afirmou, aludindo à forma como o regime usa a atenção médica como ferramenta de controle e chantagem.
Por último, denunciou o nível de manipulação midiática oficial e qualificou o texto de Herrera como "uma mostra de quão fracos são para debater e da fragilidade de seus argumentos".
"Deveria ter vergonha, senhor(a)," concluiu.
O post gerou um forte apoio nas redes sociais de colegas e amigos.
Luis Alberto García qualificou o atacante de "fascista de extrema esquerda" e criticou a intolerância, o extremismo e a falta de debate em Cuba.
"Todo aquele que não seguir o discurso rígido e único é rotulado de traidor, zanjonero, quintacolumnista ou contrarrevolucionário. Temos uma nação doente", escreveu.
O humorista Jorge Díaz Valera apontou que aqueles que estão verdadeiramente cegos são as ciberclarias. "Quando não há recursos para combater a verdade, eles recorrem ao chantagem".
Outros profissionais da arte também se uniram à defesa de Toirac.
Luis Lacosta, diretor de arte do ICAIC, escreveu: "Excelentes suas palavras, aos imaturos devemos responder com tudo", enquanto o músico Dagoberto Pedraja o qualificou como um ato de dignidade frente ao "relincho de um guarapito ferrado".
As mensagens de Toirac mostram que os ataques do Governo e de seus defensores fazem parte de uma campanha de descredibilidade sistemática, destinada a silenciar aqueles que os criticaram abertamente.
Em outro carregado de ironia e humor, destacou que as contas oficiais se referem a ele como "escória mercenária" e "escória vendida" que durante anos "deslizou como uma serpente contra o avanço invencível do nosso Socialismo".
Ulises Toirac concluiu sua resposta reafirmando sua posição crítica e defendendo seu direito de desaprovar, ao mesmo tempo em que denuncia a arbitrariedade de um sistema que utiliza a censura e a intimidação como ferramentas de controle sobre artistas e cidadãos.
Seus mensagens, que receberam centenas de comentários de apoio, são um símbolo de resistência contra a manipulação política em Cuba.
Perguntas Frequentes sobre Ulises Toirac e sua Crítica ao Regime Cubano
Por que Ulises Toirac critica o sistema de saúde cubano?
Ulises Toirac critica o sistema de saúde cubano porque, embora valorize o esforço e a habilidade dos trabalhadores da saúde, denuncia os erros do sistema e a manipulação política do regime que utiliza a atenção médica como uma ferramenta de controle. Toirac, que reside em Cuba, apontou que o hospital onde trata sua doença ocular não conseguiu devolver sua saúde, mas apenas impedir a progressão de seu sofrimento.
Como Ulises Toirac responde às acusações das ciberclarias do Governo cubano?
Ulises Toirac respondeu às acusações das ciberclarias, que o atacaram por criticar o sistema cubano e, em seguida, procurá-lo para tratar da sua saúde, destacando que ele vive em Cuba e não "veio" ao país para se tratar. Defendeu seu direito de criticar o regime, argumentando que sua trajetória profissional lhe permite fazê-lo e que os ataques são tentativas de silenciar sua voz crítica. Também ressaltou que não recorre a clínicas exclusivas do poder, mas sim aos mesmos hospitais que a população.
Qual é a opinião de Ulises Toirac sobre a situação econômica em Cuba?
Ulises Toirac expressou uma crítica severa sobre a situação econômica em Cuba, descrevendo-a como um colapso irreversível devido à aplicação de políticas antieconômicas. Ele acredita que a economia cubana padece de uma "malformação congênita" e que o país apostou em captar divisas sem gerar produção real, o que levou a uma crise energética e de serviços básicos. Toirac defende mudanças estruturais drásticas para evitar um maior deterioro.
Como Ulises Toirac tem enfrentado as pressões do governo cubano?
Ulises Toirac enfrentou as pressões do governo cubano com resiliência e humor. Apesar de ter sido convocado pela Segurança do Estado e enfrentar censura e marginalização profissional, Toirac manteve sua postura crítica e seu direito de dissensão. Ele utiliza as redes sociais para expressar suas opiniões e denunciar as políticas do regime, recebendo um forte apoio de seguidores e colegas que valorizam sua coragem e integridade.
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