
Vídeos relacionados:
O Departamento de Transporte (DOT) dos Estados Unidos endurecerá os requisitos para que os não cidadãos obtenham licenças de condução comerciais (CDL), após três acidentes mortais que ocorreram este ano e que, segundo a autoridade, foram causados por caminhoneiros imigrantes que "não deveriam ter recebido permissões".
Segundo o comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira, os estados deverão suspender a emissão de CDL para não cidadãos até que provem que cumprem as novas regras, que restringem a elegibilidade a três tipos de vistos (H-2A, H-2B e E-2), exigem a verificação do status migratório em uma base de dados federal e estabelecem uma validade máxima de um ano (ou menos, se o visto expirar antes).
O secretário de Transporte, Sean Duffy, precisou que limitará drasticamente quem pode optar a permissões de aprendizado comercial (CLP) e permissões de condução comerciais (CDL) para pessoas não domiciliadas.
A norma, que entra em vigor imediatamente, é uma resposta a uma auditoria nacional em andamento realizada pela Administração Federal de Segurança de Transportes Rodoviários (FMCSA).
A auditoria nacional de licenças para não cidadãos começou após um acidente fatal na Flórida que resultou em três mortes, atribuído a um motorista que —de acordo com as autoridades— estava ilegalmente no país.
"O que nossa equipe descobriu deveria inquietar e enfurecer todos os americanos", afirmou Duffy.
"Estão sendo emitidos permissões para conduzir caminhões enormes de 80.000 libras a motoristas estrangeiros perigosos, muitas vezes de forma ilegal. Isso representa uma ameaça direta à segurança de todas as famílias que circulam pelas estradas, e eu não vou tolerar", sentenciou.
O DOT ameaçou retirar 160 milhões de dólares em fundos federais da Califórnia depois que investigadores detectaram que uma em cada quatro das 145 CDL para não cidadãos revisadas não deveria ter sido emitida de acordo com as normas vigentes.
A revisão citou quatro casos em que o estado manteve permissões vigentes anos após o vencimento da autorização de trabalho do motorista. A Califórnia tem 30 dias para auditar seu programa e apresentar um plano de conformidade ou perderá o financiamento.
Según Duffy, a auditoria encontrou licenças mal emitidas na Califórnia, Colorado, Pensilvânia, Dakota do Sul, Texas e Washington. “O sistema foi comprometido”, disse, ao afirmar que as regras atuais não são rigorosas o suficiente e que vários estados não as cumprem.
O DOT lembrou, além disso, que já havia alertado a Califórnia, Washington e Novo México sobre a obrigação de fazer cumprir os requisitos de domínio do inglês para caminhoneiros adotados neste verão; as respostas desses estados ainda estão sob revisão.
Até novo aviso, todos os estados devem interromper a emissão de CDLs para não cidadãos até estarem em condições de cumprir as regras.
Com os novos critérios, somente 10.000 dos 200.000 não cidadãos que hoje possuem CDLs atenderiam aos requisitos; as normas não serão retroativas, portanto, 190.000 poderão conservar sua licença até a renovação.
Duffy afirmou que, apesar dos relatos sobre escassez de motoristas, não prevê problemas operacionais porque os permissões de não cidadãos representam menos de 5% do total.
Os caminhoneiros imigrantes no centro da polêmica
Em agosto, surgiu um dos casos polêmicos que reacendeu a discussão sobre a concessão de licenças a não cidadãos.
Em Florida, Harjinger Singh, um caminhoneiro de 28 anos, foi acusado de provocar um acidente mortal na rodovia Turnpike, em Fort Pierce, que resultou na morte de três pessoas.
Singh enfrenta três acusações de homicídio veicular e três de homicídio involuntário, depois que, segundo a investigação, tentou realizar uma conversão em U ilegal no dia 12 de agosto em uma área marcada para "uso oficial somente".
O caso gerou controvérsia nacional porque Singh, que vive nos Estados Unidos de forma irregular desde 2018, obteve na Califórnia uma licença comercial de condução, apesar de não cumprir com os requisitos de idioma e residência legal.
Segundo documentos oficiais, reprovou o exame de inglês e não apresentou comprovante de residência, mas mesmo assim recebeu a permissão através do sistema federal SAVE.
Perguntas frequentes sobre as novas normas do Departamento de Transporte dos EUA para motoristas de caminhão sem cidadania
Quais mudanças o Departamento de Transporte dos EUA introduziu na obtenção de licenças para caminhoneiros não cidadãos?
O Departamento de Transporte dos EUA endureceu os requisitos para que não cidadãos obtenham licenças de condução comerciais (CDL). Agora, somente poderão obtê-las aqueles que possuírem certos vistos (H-2A, H-2B e E-2), e será obrigatório verificar o status migratório em uma base de dados federal. Além disso, as licenças terão validade máxima de um ano ou até o vencimento do visto.
Por que os requisitos para as licenças de caminhoneiros imigrantes se tornaram mais rigorosos?
Os requisitos foram endurecidos como resposta a vários acidentes mortais atribuídos a caminhoneiros imigrantes que não deveriam ter recebido licenças de condução. O objetivo é melhorar a segurança viária e garantir que apenas motoristas legalmente qualificados obtenham essas licenças.
Qual será o impacto da nova normativa sobre os caminhoneiros não cidadãos nos EUA?
Estima-se que apenas 10.000 dos 200.000 não cidadãos que atualmente possuem CDLs atenderão aos novos requisitos. No entanto, as normas não serão retroativas, o que permitirá que os 190.000 restantes mantenham suas licenças até a renovação. Essa medida pode afetar a disponibilidade de motoristas em um setor que já enfrenta escassez de mão de obra qualificada.
Como a nova normativa afeta os estados que não cumprem com as regras de licenciamento para imigrantes?
O DOT ameaçou retirar fundos federais de estados como a Califórnia se não cumprirem as novas regras. A Califórnia tem 30 dias para auditar seu programa e apresentar um plano de conformidade ou arriscar-se a perder 160 milhões de dólares em financiamento. A auditoria também encontrou licenças mal emitidas em estados como Colorado, Pensilvânia, Dakota do Sul, Texas e Washington.
Arquivado em: