Juiz não se apresenta à audiência em Eswatini por caso de cubano e outros migrantes deportados pelos EUA.

Ativistas acusam o sistema judiciário de atrasar os casos dos imigrantes deportados pelos EUA para evitar questionamentos.

Protestos em Eswatini contra deportações de Trump para esse paísFoto © Captura de vídeo / AP

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Um juiz em Eswatini não compareceu nesta quinta-feira a uma audiência judicial programada para revisar a detenção prolongada de quatro migrantes —incluindo um cidadão cubano— deportados pelos Estados Unidos para o pequeno país do sul da África.

O caso, impulsionado por várias organizações sem fins lucrativos, questiona a legalidade da detenção sem acusações dos homens originários de Cuba, Laos, Vietnã e Iémen, que foram enviados a Eswatini em julho como parte do programa de deportação para terceiros países implementado pela administração de Donald Trump, informou AP.

Os advogados americanos dos detidos denunciam que seus clientes estão há mais de dois meses na prisão sem acesso a representação legal, encarcerados na prisão de máxima segurança mais rigorosa do país africano.

O juiz Titus Mlangeni, encarregado do caso, não compareceu à audiência, e as autoridades não ofereceram explicação alguma por sua ausência.

Activistas que protestam em frente à embaixada dos Estados Unidos nesse país acusaram o sistema judicial de Eswatini de usar táticas dilatórias para evitar o escrutínio internacional.

“Isso faz parte de um padrão de evasão institucional para impedir a revisão legal do caso”, denunciou Zakhithi Sibandze, coordenador nacional da organização Swaziland Rural Women’s Assembly.

No total, cinco homens foram deportados inicialmente para Eswatini. Um deles, de nacionalidade jamaicana, foi repatriado para seu país de origem no último fim de semana.

Desde julho, os Estados Unidos deportaram mais de 30 pessoas para diferentes países africanos sob este novo programa. As autoridades americanas descreveram os deportados como “criminosos perigosos” que já cumpriram pena por delitos graves, incluindo homicídios.

No entanto, organizações internacionais de direitos humanos têm questionado severamente esta política por transferir migrantes para países com regimes autoritários, onde podem ser privados de seus direitos básicos, como o acesso a advogados ou um julgamento justo.

Eswatini —anteriormente conhecida como Suazilândia— é uma das últimas monarquias absolutas do mundo, onde o rei governa por decreto. O país tem sido apontado por violações dos direitos humanos e falta de garantias judiciais.

Entre os migrantes que os Estados Unidos pretende deportar para Eswatini está também o cubano Kilmar Abrego García, segundo fontes oficiais.

Consultada sobre o processo judicial, a porta-voz do governo de Eswatini, Thabile Mdluli, recusou-se a comentar, alegando que se trata de um caso em andamento.

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