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Carlie não pensou que seu último ano na Universidade da Flórida Central terminaria entre medos, isolamento e aulas online.
A jovem, originária do Haiti, esperava se formar em relações públicas e trabalhar com organizações que ajudam estudantes como ela.
Segundo informou Univisión, após perder o acesso à matrícula estadual, hoje estuda de seu apartamento, sem sair nem para fazer compras, com medo de ser detida por agentes de imigração.
Como ela, milhares de estudantes indocumentados na Flórida viram sua educação universitária vacilar.
Tudo começou quando os legisladores estaduais revogaram a lei de 2014 que permitia que residentes sem status legal pagassem a matrícula como se fossem residentes.
A nova norma, assinada pelo governador Ron DeSantis e apoiada pela administração do presidente Donald Trump, entrou em vigor no dia 1º de julho.
Mais de 6.500 estudantes no estado qualificaram-se para a isenção de matrícula durante o ciclo 2023-2024.
Sem ela, o custo anual para um estudante não residente pode ultrapassar 30.900 dólares, em comparação aos 6.380 dólares que paga um residente do estado, sem contar moradia, transporte e outros gastos.
Paradoxalmente, a lei agora revogada havia sido defendida pela então legisladora estadual republicana Jeanette Nuñez, hoje vice-governadora.
Sua mudança de postura ilustra como a política migratória da Flórida se voltou para as prioridades do governo federal atual.
O impacto é devastador. Diego Dulanto Falcon, que se formou em Psicologia graças à isenção e agora está fazendo um mestrado em Saúde Pública, resume assim: “Os estudantes completamente indocumentados não têm absolutamente nenhuma opção. Ou trabalham de maneira informal ou simplesmente não trabalham de jeito nenhum.”
David, um jovem hondurenho, se preparou no ensino médio para ir à universidade, mas agora trabalha em um restaurante de fast food porque não consegue pagar a matrícula.
“Eu fiz exatamente o que me disseram para fazer: estudar. Mas não foi suficiente”, disse, também à Univisión.
Essa mudança não é exclusiva da Flórida. O Departamento de Justiça processou estados como Texas, Kentucky, Minnesota e Oklahoma para eliminar benefícios educacionais para imigrantes indocumentados.
No Texas, uma lei semelhante foi bloqueada por um juiz federal em junho.
Enquanto isso, o Departamento de Educação investiga universidades que concedem bolsas a estudantes sem status migratório.
"A ideia de que tudo isso possa ser arrancado deles de uma forma tão cruel desanima os educadores", observou Rosie Curts, professora de matemática em Dallas.
Carlie, por sua vez, se matriculou online na Universidade Global de Purdue. Alguns créditos não foram reconhecidos e ela precisou trocar de especialização.
Não retornou ao campus porque, segundo ele, mais de uma dezena de universidades na Flórida — incluindo a UCF — têm acordos com o ICE que permitem operações de controle migratório.
“Escolhi a escola online porque simplesmente não me sinto segura”, disse.
Vive enclausurada, recebendo alimentos em seu apartamento, a horas de distância da família em Miami. teme ser detida sem que ninguém saiba.
“Estou tentando voltar a encaminhar minha vida”, conclui. “Mas não posso ficar em casa para sempre.”
Um drama semelhante acontece nas escolas da Flórida, onde a eliminação da política que protegia esses centros de operações migratórias transformou as instituições em espaços de medo para milhares de estudantes em todo os Estados Unidos.
Os dois principais sindicatos de professores nos Estados Unidos apresentaram uma ação judicial contra a administração do presidente Donald Trump por permitir prisões de imigrantes em escolas e igrejas, o que tem provocado medo, evasão escolar e ansiedade entre estudantes, educadores e famílias.
Perguntas frequentes sobre a revogação da matrícula estatal para estudantes indocumentados na Flórida
Por que os estudantes indocumentados na Flórida estão perdendo o acesso à matrícula estadual?
A revogação da lei de 2014 que permitia a estudantes indocumentados pagar matrícula estatal como residentes é a principal razão. Esta medida foi assinada pelo governador Ron DeSantis e respaldada pela administração de Donald Trump, aumentando drasticamente os custos para esses estudantes.
Quais são as consequências econômicas da nova lei para os estudantes indocumentados?
Os estudantes indocumentados agora enfrentam um custo de matrícula anual de mais de 30.900 dólares em comparação com os 6.380 dólares pagos pelos residentes do estado. Isso exclui despesas adicionais como moradia e transporte, tornando a educação universitária praticamente inacessível para muitos.
Que alternativas têm os estudantes indocumentados na Flórida após a revogação da matrícula estatal?
Alguns estudantes, como Carlie, optaram por matricular-se em universidades online, embora isso possa implicar na perda de créditos e mudanças de especialização. Outros tentam trabalhar de maneira informal ou procuram opções de bolsas de estudo privadas, embora estas últimas também estejam sob escrutínio.
Como as comunidades e as instituições educacionais reagiram a essa medida?
Protestos e manifestações surgiram em universidades como a FIU devido a acordos com o ICE que permitem a implementação de leis migratórias nos campi. Além disso, a comunidade educacional expressa preocupação pelo impacto psicológico e acadêmico nos estudantes.
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