Polêmica no X entre Bruno Rodríguez e o chanceler polonês sobre liberdade e democracia em Cuba

A mensagem do chanceler polonês ressoou com força pelo simbolismo de um país que sofreu décadas de ditadura comunista antes de conquistar sua transição democrática.

Radosław Sikorski e Bruno Rodríguez, no centro de uma polêmica após o Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa.Foto © Collage/X/ Radosław Sikorski e Bruno Rodríguez P

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O chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla e seu homólogo polonês, Radosław Sikorski, protagonizaram uma troca de mensagens na rede social X, após a opositora Berta Soler, líder das Damas de Branco, receber em Miami o Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa 2025.

Rodríguez criticou com veemência a entrega do prêmio, ao afirmar que premiar aqueles que, segundo ele, “subvertem a ordem constitucional de Cuba” faz parte da “agenda corrupta e anticubana do secretário de Estado dos Estados Unidos”.

Em sua mensagem, qualificou os opositores de “lacaios” que se enriquecem com o dinheiro do contribuinte norte-americano.

A resposta de Sikorski não tardou a chegar. O ministro das Relações Exteriores da Polônia esclareceu que o prêmio “é financiado pela Polônia, não pelos Estados Unidos”, e que honra aqueles que lutam pacificamente pela liberdade e pela democracia. “O povo de Cuba também merece”, enfatizou em uma mensagem que ressoou com força pelo simbolismo de um país que sofreu décadas de ditadura comunista (1945-1989) antes de conquistar sua transição democrática.

Bruno Rodríguez replicou insistindo na narrativa oficial do regime, onde enfatizou que, de acordo com sua concepção, “os cubanos vivemos em liberdade e democracia desde 1º de janeiro de 1959, embora o governo dos Estados Unidos esteja há 66 anos tentando nos submeter”.

O intercâmbio ocorreu um dia após a cerimônia no Hotel Biltmore de Coral Gables, Miami, onde Berta Soler foi reconhecida com um dos prêmios internacionais mais relevantes para defensores de direitos humanos.

Paradigmaticamente ao que defende o chanceler da ilha, Soler não pôde viajar para Miami devido às restrições do regime e denunciou estar incomunicada na manhã da cerimônia. À distância, agradeceu pelo prêmio e reiterou que não aceitará uma “saída sem retorno” de Cuba.

Além das explicações diplomáticas, a polêmica expõe mais uma vez o choque entre a visão oficial de Havana, que insiste em se definir como uma democracia desde 1959, e a comunidade internacional, que destaca a repressão sistemática contra opositores e a falta de liberdades na ilha.

Perguntas frequentes sobre a polêmica entre Cuba e Polônia pelo Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa 2025

Por que o Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa 2025 gerou controvérsia em Cuba?

O Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa 2025 gerou controvérsia em Cuba porque foi concedido a Berta Soler, líder das Damas de Branco, um grupo opositor ao regime cubano. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, criticou o prêmio, classificando-o como parte de uma agenda anticubana e corrupta, enquanto o chanceler polonês, Radosław Sikorski, defendeu o prêmio como um reconhecimento àqueles que lutam pela liberdade e pela democracia.

O que representa o Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa?

O Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa honra aqueles que promovem a democracia e os direitos civis no mundo. Foi criado em 2014 por iniciativa do chanceler polonês Radosław Sikorski. Inclui uma estatueta e uma dotação econômica de 275.000 dólares, e tem sido concedido a figuras proeminentes na defesa dos direitos humanos, como o líder tártaro da Crimeia Mustafa Dzhemilev e a ativista russa Zhanna Nemtsova.

Por que Berta Soler não pôde assistir à cerimônia de entrega do prêmio?

Berta Soler não pôde assistir à cerimônia de entrega do prêmio devido às restrições impostas pelo regime cubano, que a impediram de sair do país. Durante a cerimônia, Soler denunciou que estava incomunicada e rejeitou as condições impostas pelas autoridades cubanas para permitir sua saída, que incluíam aceitar uma "saída sem retorno".

Qual foi a reação do governo cubano diante da entrega do prêmio a Berta Soler?

O governo cubano reagiu de forma crítica à entrega do prêmio a Berta Soler. O chanceler Bruno Rodríguez desqualificou o galardão ao considerá-lo parte de uma agenda anticubana e acusou os opositores de enriquecerem com dinheiro de contribuintes norte-americanos. Essa postura reflete a tensão entre a narrativa oficial do regime e a percepção internacional da falta de liberdades em Cuba.

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