Bruno Rodríguez nega desaparecimentos e torturas em Cuba, enquanto opositores são presos e silenciados

Bruno Rodríguez defende que em Cuba não há desaparecimentos nem torturas, mas ativistas denunciam detenções arbitrárias e violência policial, evidenciando uma lacuna entre o discurso oficial e a realidade.

A repressão policial e as detenções arbitrárias são práticas habituais contra opositores em CubaFoto © ACN e Facebook/Jorge Fernández Era

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O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou nas redes sociais que a revolução cubana acabou com as desaparecimentos e torturas na ilha, uma afirmação questionada pelas práticas que o próprio regime ainda mantém contra ativistas opositores.

Em não poucas ocasiões, as autoridades policiais e de Segurança do Estado prendem cidadãos violando as próprias leis de procedimento penal e os mantêm em paradeiro desconhecido para familiares e amigos durante horas.

O Chanceler publicou em sua conta de X que o “direito à vida” é o centro do sistema político cubano e que o país mantém um compromisso contra as desapariciones forçadas, tratando-se de uma grave violação dos direitos humanos.

No entanto, tal declaração contrasta com as denúncias sobre a detenção arbitrária em 26 de agosto, em Havana, da ativista Yamilka Laffita, conhecida nas redes sociais como Lara Crofs.

A ativista foi interceptada por agentes da Polícia Nacional Revolucionária enquanto viajava em um veículo, após sair da casa do escritor e humorista Jorge Fernández Era, no bairro Antonio Guiteras.

Testemunhas denunciaram nas redes sociais que, após a prisão, seu paradeiro era desconhecido, o que gerou manifestações públicas exigindo sua liberação.

Horas depois, a própria Laffita confirmou em seu perfil no Facebook que havia sido liberada, mas denunciou que a prisão foi violenta e resultou em uma lesão no pé direito.

Fernández classificou como “fascistas” os oficiais da Segurança do Estado que o agrediram no dia 18 de julho, na Unidade de Zanja, em Centro Havana, para onde foi levado pouco depois de sair de sua casa para realizar sua habitual manifestação pacífica no Parque Central.

Al respecto, relatou o episódio de agressão física e ameaças de morte de que foi vítima. Além disso, informou que a denúncia que tentou registrar contra seus agressores na unidade da polícia do município de Dez de Outubro não foi adiante, pois lhe disseram que se tratava de danos menores, apesar de ter “certificado de lesões em mãos, emitido no hospital Miguel Enríquez”.

“Nada, que os hematomas no rosto, as costelas e as costas são apenas contusões colaterais: que alguém diga ao tenente-coronel Yoán que da próxima vez ele se esmere e me arranque um olho”, ironizou.

A mediados de agosto, o Centro de Denúncias da Fundação para a Democracia Panamericana (FDP) alertou sobre o desaparecimento forçado do preso político cubano Mario Alberto Hernández Leyva, após mais de 48 horas sem que se soubesse seu paradeiro.

Hernández Leyva faz parte do Movimento Opositores por uma Nova República (MONR), uma organização contra o sistema político cubano.

Assim, em janeiro de 2023, o opositor e médico cubano Oscar Elías Biscet foi detido ao sair de sua residência, localizada no município de Diez de Octubre, na capital cubana, ao completar 10 anos da criação do Projeto Emilia, do qual é líder fundador.

Sua esposa, Elsa Morejón, explicou então que várias horas depois de sua detenção por dois carros de patrulha e policiais à paisana, ela não sabia onde estava e que, inclusive, cortaram seu acesso à internet para evitar que disseminasse a notícia da prisão de Biscet.

Uma denúncia semelhante ocorreu em abril de 2022, quando o opositor cubano Carlos Ernesto Díaz González, identificado nas redes sociais como Ktivo Disidente, se encontrava em paradeiro desconhecido após sair para protestar sozinho pelo Boulevard de San Rafael, em Centro Habana, e ser preso.

O contraste entre a retórica oficial e os fatos recentes evidencia a distância entre os discursos internacionais do regime e a realidade vivida pelos opositores dentro de Cuba.

Perguntas frequentes sobre as denúncias de repressão e desaparecimentos em Cuba

O que Bruno Rodríguez disse sobre os desaparecimentos e torturas em Cuba?

Bruno Rodríguez afirmou que a revolução cubana acabou com as desaparecimentos e torturas, garantindo que o direito à vida é o centro do sistema político cubano. No entanto, essa declaração contrasta com as denúncias recentes de detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados de opositores ao regime.

Que incidentes recentes contrastam com as declarações do governo cubano sobre direitos humanos?

Apesar das afirmações do governo cubano, foram relatadas detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados de ativistas, como o caso de Yamilka Laffita e Mario Alberto Hernández Leyva. Essas denúncias evidenciam a repressão e o assédio que os opositores enfrentam em Cuba.

Como tem reagido a comunidade internacional diante das denúncias de repressão em Cuba?

A comunidade internacional manifestou preocupação com as violações dos direitos humanos em Cuba, especialmente após os protestos de 11 de julho de 2021. Apesar disso, o regime manteve sua postura de negação diante das acusações, enquanto a repressão contra ativistas e opositores continua.

Quais são as consequências enfrentadas pelos ativistas que criticam o regime cubano?

Os ativistas em Cuba enfrentam ameaças, assédio e detenções arbitrárias. Casos como o de Yamilka Laffita mostram o risco constante de repressão, incluindo vigilância e agressões físicas por parte das forças de segurança do Estado.

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