O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira da Casa Branca que as forças militares americanas realizaram um ataque letal no Caribe contra um barco carregado de drogas que havia partido da Venezuela.
“Acabamos de disparar contra um barco que transportava uma grande quantidade de drogas. Vocês verão e lerão. Saiu da Venezuela e vinha com muita força”, declarou Trump em uma conferência de imprensa, na qual assegurou que Washington enfrenta um fluxo constante de narcóticos daquele país sul-americano.
A confirmação chegou minutos depois por parte do secretário de Estado, Marco Rubio, que, de sua conta pessoal, escreveu no X que a operação foi realizada no sul do Caribe e que a embarcação era operada por uma organização “narco-terrorista” designada pelos EUA.
Maduro denuncia “a maior ameaça em cem anos”
O ataque imediatamente acirrou a retórica de confrontação. Um dia antes, Nicolás Maduro havia se apresentado à imprensa para alertar que a Venezuela enfrenta “a maior ameaça que já encarou em cem anos”, em referência ao desdobramento de navios, submarinos e fuzileiros navais estadounidenses frente às suas costas.
“São oito navios militares com 1.200 mísseis e um submarino nuclear apontando para a Venezuela. É uma ameaça extravagante, imoral, criminosa e sangrenta”, disse, visivelmente indignado.
O mandatário acusou Washington de empurrar a situação para um ponto sem retorno e garantiu que seu país está em “máxima preparação para a defesa”.
Enquanto a líder da oposição María Corina Machado qualificou o momento como decisivo e afirmou que a maioria das Forças Armadas e dos corpos de segurança está com a oposição.
“Os altos comandos terão que escolher entre afundar com Maduro ou se salvar acompanhando o processo de transição. A liberdade está próxima”, afirmou em declarações recentes.
Machado também insistiu que a saída de Maduro teria um efeito dominó na região, em particular sobre Cuba. “A estrutura política e de inteligência que une Caracas a Havana desmoronará com a queda de Maduro. Será o começo do fim da ditadura cubana”, destacou.
Uma crise que transcende fronteiras
A tensão acionou alarmes na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), que convocou uma reunião extraordinária de chanceleres para analisar a situação. Vários governos expressaram sua preocupação com uma eventual operação militar direta contra Caracas.
En paralelo, o regime de Miguel Díaz-Canel uniu forças com seu aliado venezuelano e prometeu “apoio incondicional” diante do que descreveu como “ameaças imperialistas” dos Estados Unidos, reforçando a histórica aliança entre Havana e Caracas.
O certo é que, com mísseis apontando para Caracas, advertências cruzadas e navios de guerra posicionados no Caribe, a região vive um de seus momentos mais tensos nas últimas décadas, com Cuba observando atentamente o destino de seu principal aliado.
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