Ministro da Indústria Alimentar defende venda de alimentos em dólares: “Traz benefícios à população”

A proliferação dessas lojas exclusivas em divisas, que já ultrapassam 85 em todo o país, gerou insatisfações na população.

Alberto López Díaz, ministro da Indústria Alimentar de Cuba, durante uma visita a Mayabeque.Foto © Captura de Vídeo/Youtube/Telecentro Provincial Telemayabeque

O ministro da Indústria Alimentar de Cuba, Alberto López Díaz, defendeu a venda de produtos em dólares como uma forma de sustentar a produção de alimentos, ao afirmar que “traz benefícios à população”.

Durante uma visita a empresas de Mayabeque, transmitida pelo Telecentro Provincial Telemayabeque, o funcionário admitiu que a utilização da indústria está “acima de sua capacidade instalada” devido à falta de matérias-primas, mas afirmou que as divisas captadas em mercados online e lojas em moeda forte permitem comprar insumos e manter a produção ativa.

“As empresas precisam defender as receitas em divisas. Não é o que nós queremos, mas está comprovado que com essas receitas se compra matéria-prima e se produzem alimentos para a população”, declarou López Díaz.

As palavras do ministro contrastam com as denúncias de cidadãos que, nas redes sociais, expõem a impossibilidade de acessar produtos básicos em um país onde o salário médio mal chega a 20 dólares no mercado informal.

Há poucas semanas, uma cubana em Guantánamo mostrou no TikTok que um pedaço de carne de boi poderia custar mais de 70 dólares, um preço “inacessível” para a maioria das famílias.

“Isto não pode ser pago pelo cubano”, disse indignada, enquanto gravava prateleiras vazias e itens de primeira necessidade a preços internacionais.

Em março, o governo apresentou como “boas notícias” a reabertura da loja 5ta e 96 em Havana, também em dólares, e em agosto lançou um supermercado nos andares inferiores do Focsa, gerido pela GAESA, onde os pagamentos são aceitos apenas em notas verdes.

Em todos os casos, o acesso é restrito àqueles que recebem remessas ou lidam com divisas estrangeiras, enquanto os mercados em pesos cubanos continuam desabastecidos.

Economistas como Pedro Monreal têm alertado que este modelo não resolve a crise de produção nem garante estabilidade e, em contrapartida, aprofundam a desigualdade social entre aqueles que têm acesso a dólares e os que dependem exclusivamente do devaluado peso cubano.

A proliferação dessas lojas exclusivas em divisas, que já superam as 85 em todo o país, foi apresentada pelas autoridades como um mecanismo para financiar a indústria. No entanto, para milhões de cubanos, representa uma condenação diária com salários que não são suficientes, alimentos fora de seu alcance e um modelo econômico que normaliza a exclusão.

Enquanto o ministro afirma que vender em dólares “traz benefícios para a população”, cada vez mais famílias enfrentam o dilema de sobreviver em um país onde comprar um quilo de frango ou um litro de óleo pode custar o equivalente a meses inteiros de trabalho.

Perguntas frequentes sobre a venda de alimentos em dólares em Cuba

Por que o governo cubano defende a venda de alimentos em dólares?

O governo cubano defende a venda de alimentos em dólares como uma forma de sustentar a produção de alimentos, argumentando que as divisas captadas permitem a compra de insumos e mantêm a produção ativa. No entanto, essa medida tem sido criticada por aprofundar a desigualdade social, já que apenas aqueles que têm acesso a divisas podem comprar nessas lojas, deixando grande parte da população sem acesso a produtos básicos.

Qual é o impacto da dolarização do comércio na população cubana?

A dolarização do comércio acentuou a desigualdade social em Cuba. A maioria dos cubanos não tem acesso a dólares, o que os impede de comprar alimentos e produtos básicos a preços internacionais em lojas dolarizadas. Enquanto isso, os mercados em pesos cubanos enfrentam uma severa falta de abastecimento, afetando a qualidade de vida da população e gerando mal-estar social.

Como a venda em dólares afeta o acesso a produtos básicos em Cuba?

O acesso a produtos básicos em Cuba está cada vez mais condicionado pela capacidade de obter dólares. Isso significa que aqueles que não têm acesso a essa moeda veem restringido seu acesso a alimentos e artigos essenciais, uma vez que as lojas em pesos cubanos não estão suficientemente abastecidas, o que aumenta a desigualdade econômica e social no país.

Que críticas foram feitas ao modelo de lojas em dólares em Cuba?

Economistas e cidadãos criticaram que o modelo de lojas em dólares não resolve a crise de produção nem garante estabilidade econômica. Em contrapartida, foi apontado que esse modelo aprofunda a desigualdade social, uma vez que apenas aqueles com acesso a dólares podem adquirir produtos essenciais, enquanto a maioria da população, que depende do desvalorizado peso cubano, fica excluída.

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