Díaz-Canel diz "Sim, é possível" enquanto Cuba afunda na pior crise econômica em décadas

Díaz-Canel reconhece a crise econômica em Cuba e defende a dolarização parcial como solução, admitindo que agrava a desigualdade.

Díaz-Canel durante seu discurso na AssembleiaFoto © X / Presidência Cuba

Em meio à profunda crise que o povo cubano enfrenta, o governante Miguel Díaz-Canel recorreu novamente à propaganda vazia do regime para afirmar que “sim, é possível”

“El 26 de julho em Ciego de Ávila celebraremos a certeza de que sim é possível. A história diz isso e o presente o confirma”, disse na sexta-feira durante sua intervenção na clausura do período de sessões da Assembleia Nacional.

O governante agradeceu "em nome do Partido e do governo a todo o povo de Cuba por sua resistência a tantas dificuldades, sua criatividade inagotável, por nunca se render quando falta tudo, às vezes até a comunicação imprescindível."

Díaz-Canel se referiu às celebrações do próximo mês pelo centenário do falecido ditador Fidel Castro, para o qual disse que “a melhor homenagem (…) é a obra do povo cubano”.

Admite a crise e defende a dolarização

Durante seu discurso na Assembleia Nacional, Díaz-Canel defendeu a dolarização da economia como uma solução para a profunda crise econômica que a ilha enfrenta.

“Para sortear esta situação [de crise] fomos obrigados a aceitar a dolarização parcial da economia”, disse eufemisticamente na sexta-feira durante sua intervenção no encerramento do período de sessões da Assembleia Nacional.

Além disso, admitiu que esta circunstância aprofunda ainda mais as desigualdades sociais no país.

“O que indubitavelmente, de alguma forma, favorece aqueles que possuem determinados recursos de capital ou recebem remessas, o que se traduz em um indesejado alargamento das lacunas que marcam a desigualdade social”, disse o governante, acrescentou.

O líder do regime admitiu o sombrio panorama em que os cubanos vivem, que se tornou ainda pior durante sua gestão, sem assumir qualquer responsabilidade a esse respeito.

“A alta dependência das importações e os efeitos transversais ocasionados pela instabilidade do sistema eletroenergético nacional provocam uma significativa paralisação ou desaceleração da atividade econômica, o que não impõe um déficit na oferta de bens e serviços à população e uma contração das exportações”, descreveu.

“Consequentemente, limita-se a importação de alimentos para a cesta básica e dos combustíveis necessários para a geração de eletricidade e o funcionamento da economia”, continuou.

Finalmente, se referiu à “escassa disponibilidade de medicamentos e à diminuição dos serviços de transporte, coleta de resíduos sólidos e abastecimento de água, entre outros, que configuram o duro panorama ao qual nosso povo se enfrenta diariamente”.

Para mitigar a desigualdade, Díaz-Canel afirmou que “temos que elevar a eficácia da função social redistributiva do estado”, sem esclarecer como conseguirá implementar algo em que até agora sua administração tem naufragado.

“Não será a última vez que a revolução enfrentará seu momento mais difícil.”

Também disse que "não é a primeira vez, nem será a última, que a revolução cubana enfrenta seu momento mais difícil", em um discurso em que justificou a complexa situação atual do país apelando a um contexto histórico de "resistência".

Díaz-Canel contextualizou as atuais adversidades econômicas e sociais da ilha, assegurando que a situação se "compara" a outros momentos críticos da história cubana, como o "pacto de Sanjón", a queda de líderes independentistas ou a intervenção americana.

Por isso, segundo ele afirmou, o povo cubano estaria preparado para a crise atual e para futuras crises.

"Não é a primeira vez, nem será a última, que a revolução cubana enfrenta seu momento mais difícil, entre aspas", disse.

O governante defendeu a "autenticidade" do regime cubano e criticou aqueles que comparam os tempos atuais com a fase anterior à chegada de Fidel Castro ao poder, apontando que "escondem a miséria" que existia naquela época.

Díaz-Canel, como em tantos outros momentos de seu mandato, atribuiu a maior parte dos problemas a fatores externos, mencionando o "bloqueio econômico asfixiante" imposto pelos Estados Unidos e a inclusão de Cuba na lista de patrocinadores do terrorismo. Afirmou que essas medidas "reforçam a política de bloqueio a níveis inéditos" e têm um "impacto multiplicado" na economia e no nível de vida da população.

Perguntas frequentes sobre a crise econômica em Cuba e as declarações de Díaz-Canel

Por que Díaz-Canel defende a dolarização da economia cubana?

Díaz-Canel defende a dolarização parcial da economia como uma medida necessária para superar a crise econômica da ilha. Ele argumenta que, embora essa decisão aprofunde as desigualdades sociais, é um passo obrigatório para melhorar a disponibilidade de divisas e controlar sua circulação ilegal. No entanto, críticos sustentam que essa política responde mais a uma estratégia de controle político do que a uma necessidade econômica real.

Como a dolarização afeta a desigualdade social em Cuba?

A dolarização parcial da economia cubana favorece aqueles que possuem recursos de capital ou recebem remessas, o que resulta em um alargamento das lacunas que marcam a desigualdade social. Isso significa que uma minoria com acesso a dólares se beneficia, enquanto a maioria dos cubanos, sem acesso a divisas, enfrenta uma maior vulnerabilidade econômica.

O que Díaz-Canel reconhece sobre a crise econômica em Cuba?

Díaz-Canel admite que Cuba enfrenta uma severa crise econômica que se agravou durante sua gestão. Reconhece problemas como a alta dependência das importações, a instabilidade do sistema eletroenergético, a escassez de medicamentos e a diminuição dos serviços básicos. No entanto, costuma atribuir a maior parte da crise ao embargo americano, evitando assumir plena responsabilidade pelos erros de gestão interna.

Quais são as críticas ao discurso de Díaz-Canel sobre a crise em Cuba?

As críticas se concentram na falta de propostas concretas e eficazes por parte de Díaz-Canel para resolver a crise. Seu discurso está repleto de retórica revolucionária e justificativas históricas, mas carece de soluções reais e urgentes. Muitos cubanos percebem suas declarações como desconectadas da realidade diária de carências e desconforto social que enfrentam na ilha.

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