Confirmam o feminicídio número 16 em Cuba até agora neste ano

Plataformas feministas independentes lamentaram o feminicídio de Gretel Matos, de 33 anos, que foi esfaqueada por sua ex-parceira na via pública, no município de Niquero, na província de Granma, no dia 13 de junho.

O feminicídio de Gretel Matos por seu ex-parceiro, Didier Almagro, em Niquero, é o décimo sexto no país em 2025Foto © Facebook/Didier Almagro

Vídeos relacionados:

Plataformas independentes cubanas confirmaram nesta segunda-feira o feminicídio número 16 em Cuba, até agora em 2025.

O Observatório de Gênero da revista Alas Tensas (OGAT) e Yo Sí Te Creo en Cuba (YSTCC) lamentaram o feminicídio de Gretel Matos, de 33 anos, que foi esfaqueada pelo ex-parceiro na via pública, no município de Niquero, província de Granma, no dia 13 de junho passado.

A vítima tinha duas filhas menores de idade; a menina mais nova era fruto da relação com seu agressor.

Um relatório publicado pelo meio de comunicação independente La Hora de Cuba identificou o feminicida como Didier Almagro, que fugiu após cometer o crime, perto da praça da cidade.

Almagro foi encontrado no dia seguinte, no município de Bartolomé Masó, enforcado em uma árvore.

Fontes próximas à vítima confirmaram à La Hora de Cuba que o homem havia declarado em várias ocasiões sua intenção de tirar a vida de Gretel, após ela se recusar a retomar o relacionamento.

Desde o início do ano até este 16 de junho, os observatórios de Alas Tensas e YSTCC verificaram 16 feminicídios e um assassinato de um homem por motivos de gênero. As organizações estão investigando quatro alertas de possíveis crimes dessa natureza em Artemisa, Matanzas, Santiago de Cuba e Havana.

Em Cuba, o feminicídio não está tipificado como crime no Código Penal. Plataformas como Yo Sí Te Creo em Cuba e Alas Tensas mantêm um subregistro da violência de gênero, ao mesmo tempo que defendem uma legislação adequada e a criação de políticas públicas que protejam as mulheres e previnam a violência.

Ambas organizações documentaram 56 feminicídios em Cuba durante 2024, segundo um avanço do relatório anual que será publicado em breve pelo OGAT. Entre 2019 e o ano passado, 267 mulheres, meninas e meninos foram assassinados no país por razões de gênero.

“Por trás de cada caso há uma vida interrompida, uma família afetada e uma sociedade marcada pela impunidade”, alertou o OGAT em suas redes sociais. “Verificar e tornar visíveis os feminicídios não apenas honra a memória daqueles que já não estão. Também é uma ferramenta vital para exigir justiça, políticas públicas efetivas e proteção real para as mulheres e meninas em Cuba.”

Perguntas frequentes sobre os feminicídios em Cuba

Quantos feminicídios foram registrados em Cuba em 2025?

Até 16 de junho de 2025, foram registrados 16 feminicídios em Cuba, de acordo com as plataformas independentes Alas Tensas e Yo Sí Te Creo em Cuba. Essas organizações também estão investigando quatro alertas de possíveis crimes dessa natureza em diferentes províncias.

Está tipificado o feminicídio como crime em Cuba?

O feminicídio não está tipificado como delito no Código Penal de Cuba. Isso significa que não existe uma categoria legal específica para abordar esses crimes, o que dificulta a coleta de estatísticas precisas e a implementação de políticas públicas efetivas para prevenir a violência de gênero.

Quais organizações estão documentando os feminicídios em Cuba?

As plataformas independentes Alas Tensas e Yo Sí Te Creo em Cuba são responsáveis por documentar os feminicídios na ilha. Essas organizações realizam um subregistro da violência de gênero e defendem a criação de uma legislação adequada e políticas públicas que protejam as mulheres.

Quais ações estão sendo tomadas para combater a violência de gênero em Cuba?

Embora o Conselho de Ministros de Cuba tenha aprovado em 2024 um sistema nacional para o registro, atendimento, acompanhamento e monitoramento da violência contra a mulher, a ausência de uma tipificação específica do feminicídio no Código Penal limita a efetividade dessas medidas. As organizações feministas continuam exigindo uma lei integral contra a violência de gênero.

Quais desafios as organizações feministas enfrentam em Cuba para tornar visíveis os feminicídios?

As organizações feministas em Cuba enfrentam desafios significativos devido à falta de transparência estatal e à desconexão tecnológica. A ausência de dados oficiais e a negativa do governo em reconhecer a gravidade do problema dificultam a verificação e documentação dos casos de feminicídio na ilha.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.