Cuba encerra junho com mais um dia de apagões extremos: o déficit elétrico ultrapassa 1.800 MW neste domingo

Embora a UNE tenha suavizado a previsão para hoje, segunda-feira, a esperança de uma melhoria no verão se reduziu a um slogan vazio, enquanto cresce a desconfiança nos dados oficiais e a indignação cidadã pela ineptidão do governo de Miguel Díaz-Canel em solucionar a crise energética.

Mulher cubana cozinha com lenha durante um apagão em MatanzasFoto © Periódico Girón / Raúl Navarro

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A crise energética que afeta Cuba não deu tréguas nem mesmo no último domingo de junho e penúltimo dia do mês.

En sua nota informativa desta segunda-feira, a União Elétrica (UNE) comunicou que na véspera o déficit de geração elétrica atingiu 1.829 megawatts (MW) às 21h, coincidindo com o horário de maior demanda nacional e superando as previsões da empresa estatal.

Captura de tela Facebook / UNE

Este novo pico de afetacão —embora ligeiramente inferior ao recorde histórico de 1.936 MW registrado no sábado— confirma a tendência de colapso sustentado do Sistema Elétrico Nacional (SEN), que continua mergulhado em interrupções contínuas durante as 24 horas do dia, estendendo-se de forma crônica até a madrugada seguinte.

Segundo o relatório oficial da UNE, a disponibilidade do SEN às sete da manhã desta segunda-feira foi de apenas 1.800 MW, enquanto a demanda alcançou 3.100 MW, provocando um déficit matutino de 1.378 MW.

Para o horário da média, estimou-se uma afetação de 1.450 MW, cifras que refletem a magnitude da incapacidade operacional do sistema.

Apesar da incorporação de 18 novos parques solares fotovoltaicos, seu impacto continua sendo limitado. No domingo, geraram 1.720 megawatts-hora, com uma potência máxima de 378 MW ao meio-dia, um número insuficiente para aliviar as enormes lacunas na geração térmica e distribuída.

Enquanto isso, as principais usinas do país continuam fora de operação devido a avarias ou manutenções prolongadas. As unidades 5 de Mariel e de Nuevitas, juntamente com a unidade 2 de Felton, não estão gerando por quebras, enquanto outras três unidades —a 2 de Santa Cruz, a 4 de Cienfuegos e a 5 de Renté— estão paradas para trabalhos de manutenção.

A essas incidências somam-se limitações térmicas que mantêm fora de serviço 351 MW adicionais, agravando o panorama técnico.

A geração distribuída também continua muito afetada pela escassez de combustível e lubrificantes. Atualmente, 98 centrais estão fora de serviço devido à falta de combustível, o que representa uma perda de 796 MW, aos quais se somam outros 31 MW afetados pela falta de óleo em motores. No total, 827 MW permanecem inativos por essa razão.

No horário de pico noturno, prevê-se a entrada parcial de algumas unidades térmicas —entre elas a unidade 5 do Mariel, a 5 de Nuevitas e a unidade 6 de Boca de Jaruco— assim como a recuperação de cerca de 80 MW em geração distribuída.

Em caso de se cumprir a previsão, a disponibilidade alcançaria 2,055 MW. No entanto, com uma demanda esperada de 3,580 MW, o déficit se manterá em 1,525 MW, com uma afetação previsível de 1,595 MW, ligeiramente inferior à dos dias anteriores.

Junho termina assim como um dos meses mais críticos do ano para o sistema elétrico cubano. Durante várias jornadas consecutivas, os déficits superaram 1.800 MW, consolidando uma crise sem precedentes.

As famílias cubanas enfrentam apagões de até 24 horas contínuas, sem refrigeração de alimentos, sem possibilidade de cozinhar, descansar ou trabalhar, e sem uma resposta clara do regime, que continua a emitir relatórios técnicos repetitivos enquanto o país se afunda na escuridão.

A esperança de uma melhoria no verão foi reduzida a um slogan vazio, e o povo continua a pagar as consequências de um sistema colapsado, cada vez mais descrente dos comunicados da empresa estatal e indignado com a ineptidão do governo de Miguel Díaz-Canel para solucionar a crise energética.

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