Anamely Ramos exige uma ligação de Maykel Osorbo para acreditar que ele depôs a greve de fome

O preso político cubano completaria hoje oito dias em greve de fome diante da ameaça de ser transferido de Pinar del Río para uma prisão no Oriente cubano. Ele ainda tem 5 dos 9 anos que foram impostos a ele em maio de 2022 por "afetar a honra e a dignidade das autoridades do país" e da Segurança do Estado

A ativista Anamely RamosFoto © CiberCuba

A intelectual e ativista cubana Anamely Ramos exigiu nesta quarta-feira uma ligação telefônica do preso político Maykel "Osorbo" Castillo Pérez para demonstrar que, como afirmaram as autoridades penitenciárias à família do rapper de "Patria e Vida", ele já abandonou a greve de fome com a qual protestou contra sua transferência para uma prisão do interior do país.

Esta confirmação difere da informação que a Polícia Política deu aos familiares de Osorbo, negando que ele estivesse detido na prisão de 5 e meio, em Pinar del Río, a mais de 150 quilômetros de Havana, sua província natal.

Este é o motivo pelo qual Anamely Ramos, que junto a Osorbo participou da greve de San Isidro, reivindica o direito de falar com o preso político condenado em maio de 2022 a nove anos de prisão, dos quais cumpriu apenas quatro. Ele foi encarcerado por "afetar a honra e a dignidade das máximas autoridades do país" ao manipular digitalmente imagens que divulgou nas redes sociais e por realizar transmissões ao vivo a partir de seu perfil no Facebook "para desonrar a função que desempenham os agentes da ordem na sociedade".

"Michael está em greve de fome até que se confirme o contrário. E quando digo que se confirme o contrário, estou me referindo a que ele me ligue ou que ligue para sua família em Cuba ou que consigamos uma notícia que venha de uma fonte confiável de que, na verdade, ele deixou a greve", ressaltou Anamely Ramos em uma entrevista concedida à CiberCuba.

Segundo explicou, nesta terça-feira, o pai de Michael e um amigo muito próximo do preso político foram à prisão de 5 e meio para saber sobre ele, pois a última informação que haviam recebido, na sexta-feira, 20 de junho, era que, de fato, ele estava em greve de fome porque não queria ser transferido para uma província oriental, que é a ameaça à qual estava sendo submetido.

"Quando eles chegaram lá na prisão, passaram muitas horas esperando. Chegaram muito cedo. É muito longe, mais de 150 quilômetros entre Havana e Pinar del Río. Quando chegaram, ficaram muitas horas lá esperando para serem atendidos, e isso não aconteceu até que eu fiz o post que todos viram com as fotos deles na entrada da prisão, dizendo que precisavam ver as máximas autoridades para saber, para ter uma resposta concreta sobre a situação de saúde de Maykel. Finalmente, eles foram atendidos e a narrativa das autoridades da prisão é que ele já havia encerrado a greve de fome. O incrível é que reconhecem que Maykel estava em greve, o que é uma versão diferente da que a Segurança do Estado havia dado ao pai de Maykel. Até aquele momento, diziam-lhe que não, que ele nunca havia estado em greve", ressalta Anamely Ramos.

A polícia política do regime cubano reconhecia que Maykel Osorbo estava sim sob pena, mas não em greve de fome, e afirmava que, quando saísse dessa pena, lhe permitiriam telefonar e que tudo seguiria normalmente, que seria devolvido à sua companhia, à sua galera de sempre, que não seria transferido. "Essa versão contradiz a versão da prisão, que afirma que ele esteve em greve de fome, mas que já a abandonou", acrescenta a ativista.

"Realmente não podemos acreditar, pelo menos eu, não consigo crer que nem a Segurança do Estado nem as autoridades da prisão dizem algo, e por isso o que estou dizendo é que Maykel precisa ligar, sabemos que quando ele está de castigo não o permitem ligar, mas em outros momentos já fizeram isso e podem fazer, e a justificativa para não fazer não pode ser nenhuma indisciplina", insistiu.

No momento em que esta informação é redigida, Maykel Osorbo não contactou Anamely Ramos e ela presume que, se não conseguir seu objetivo de não ser transferido para uma prisão oriental, hoje completaria seu oitavo dia de greve de fome, o que colocaria sua vida em risco, uma vez que o estado de inanição se soma a uma saúde que se tem debilitado na prisão.

"Não se pode dizer que ele cometeu uma indisciplina; nem se pode apelar ao regulamento, nem nada disso, porque a realidade é que Maykel está preso de maneira injusta, por capricho, e depois disso, bem, tudo o que ocorrer dentro da prisão é responsabilidade deles e a vida de Maykel é responsabilidade deles."

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Tania Costa

(Havana, 1973) vive na Espanha. Ela dirigiu o jornal espanhol El Faro de Melilla e FaroTV Melilla. Foi chefe da edição de Murcia do 20 minutos e assessora de Comunicação da Vice-Presidência do Governo de Múrcia (Espanha).