O corpo estudantil da Faculdade de Arte dos Meios de Comunicação Audiovisual (FAMCA) da Universidade das Artes (ISA) decidiu não participar do “grupo multidisciplinar” que a FEU nacional e a ETECSA estão tentando organizar para canalizar a protesto contra o aumento de tarifas.
Em uma carta pública divulgada na página do Instagram da Faculdade gerida pelos estudantes, apresentaram várias razões para a renúncia.

Entre elas, que o grupo se reunirá nas instalações da ETECSA e sob seus próprios termos.
“Foi omitida a participação de professores e profissionais externos à empresa, e impôs-se uma rota, não de avaliação de responsabilidades, mas de fortalecimento empresarial e negociação de privilégios que excluem amplos setores da população”, argumentam os estudantes.
Os estudantes da FAMCA consideram "inaceitável a articulação de um espaço como este, enquanto não forem revogadas (pelo menos de forma temporária) as medidas impostas unilateralmente ao nosso povo em 30 de maio de 2025".
“Sólo reconheceremos uma comissão organizada por estudantes, professores e especialistas da sociedade civil, que avalie a escala de responsabilidade das diferentes autoridades envolvidas na elevação de tarifas de 30 de maio de 2025”, afirmam nesta contundente declaração.
A declaração denuncia ainda a pressão exercida sobre vários estudantes da faculdade por agentes da Segurança do Estado, o que “somente reafirma a atitude vertical e agressiva das autoridades diante de um movimento estudantil horizontal e pacífico que, mesmo vendo suas demandas ignoradas repetidamente, não abandonou (e não abandona) o caminho do diálogo.”
Por tal razão, decidiram que “estudantes sinalizados pela Segurança do Estado se retirarão imediatamente do ativismo como medida de proteção à sua integridade física”.
Os estudantes reiteram que a declaração “é fruto de uma deliberação coletiva” e que não impulsionarão “ações independentes como faculdade, até que não se tenha consolidado um consenso entre as universidades.”
"Reiteramos nosso repúdio à atitude agressiva e indolente que foram adotadas pela Empresa de Telecomunicações de Cuba S.A e pelos Órgãos de Segurança do Estado diante do dissenso dialético e respeitoso, e fazemos um apelo à integração universitária e civil nessas demandas que dizem respeito a todo o povo de Cuba", concluem.
Grupo multidisciplinar
A declaração de FAMCA surge após uma nova tentativa de aparentar diálogo entre os estudantes universitários e os funcionários da Empresa de Telecomunicações de Cuba (ETECSA), a Universidade Tecnológica de Havana “José Antonio Echeverría” (CUJAE) foi sede da criação de um “Grupo Multidisciplinar” composto por 30 estudantes de diferentes universidades do país.
A medida busca projetar a imagem de que se ouvem as preocupações dos jovens após a ampla rejeição ao recente aumento de tarifas aplicado pela ETECSA.
Segundo as informações divulgadas pela imprensa oficial, o grupo ficará responsável por interagir com diretores da empresa estatal, analisar as novas medidas comerciais impostas, apresentar propostas e buscar "colaborações futuras" que beneficiem a comunidade universitária.
Declaração anterior da FAMCA
Na semana passada, os estudantes da FAMCA reiteraram seu rejeição às novas tarifas da empresa estatal e exigiram explicações públicas ao presidente nacional da Federação Estudantil Universitária (FEU), Ricardo Rodríguez.
Em uma carta aberta, os estudantes relataram sobre uma reunião realizada no dia 4 de junho com diretores da ETECSA, do Ministério da Educação Superior (MES) e representantes do ISA e da FEU, onde foram discutidas as reclamações originadas pelo aumento repentino dos preços nos pacotes de dados móveis, conhecido como "o tarifazo".
Apesar das explicações técnicas oferecidas pelos funcionários da ETECSA —que reconheceram erros de comunicação, a atual crise financeira da empresa e as possíveis soluções em desenvolvimento— os estudantes expressaram múltiplas insatisfações.
“Os preços dos novos pacotes restringem severamente nossas possibilidades como criadores e nos colocam em desvantagem em relação ao resto do mundo no âmbito profissional”, expressaram em seu pronunciamento.
Os estudantes da FAMCA apontam que sua atividade acadêmica e profissional depende do manejo intensivo de grandes volumes de arquivos: baixar, subir e trocar materiais audiovisuais. O aumento dos custos dos serviços digitais, afirmam, tem limitado de maneira drástica sua vida cotidiana e profissional.
Perguntas frequentes sobre a protesto estudantil e as medidas da ETECSA em Cuba
Por que os estudantes da FAMCA renunciaram a participar do grupo multidisciplinar com a ETECSA?
Os estudantes da FAMCA renunciaram porque consideram inaceitável a falta de participação de professores e especialistas externos no grupo multidisciplinar e denunciam que o enfoque do grupo é fortalecer a ETECSA em vez de avaliar responsabilidades pelo aumento das tarifas. Além disso, apontam a pressão exercida pela Segurança do Estado sobre alguns estudantes como um fator que reforça sua decisão.
Quais são as principais exigências dos estudantes cubanos contra o tarifazo da ETECSA?
Os estudantes exigem a revogação das medidas tarifárias impostas pela ETECSA e solicitam a criação de um espaço de diálogo autêntico que inclua estudantes, professores e especialistas da sociedade civil. Também pedem que se avalie a escala de responsabilidade das autoridades envolvidas na implementação do aumento tarifário.
Como as outras universidades de Cuba têm reagido ao aumento das tarifas da ETECSA?
Outras universidades, como a Faculdade de Matemática e Computação da Universidade de Havana, convocaram greves acadêmicas e emitiram comunicados rejeitando as medidas da ETECSA. Essas faculdades denunciam a falta de transparência e o impacto negativo das tarifas no acesso à educação e à comunicação, e exigem uma reavaliação das políticas tarifárias em favor de soluções coletivas e justas.
Qual tem sido a resposta da ETECSA às protestas e críticas dos estudantes?
ETECSA manteve sua postura de não reverter as tarifas impostas, justificando os aumentos pelos custos de operação e a necessidade de sustentabilidade. Embora tenha permitido algumas concessões, como pacotes adicionais para estudantes, a empresa não demonstrou disposição para realizar mudanças significativas em sua política tarifária.
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