Faculdade de Mídias Audiovisuais reitera descontentamento com o aumento das tarifas e pede, ao Presidente da FEU, que preste contas

“Não é compreensível como a empresa, que agora se declara em necessidade de divisas, não tenha tomado medidas paliativas anteriormente e, de uma só vez, imponha tarifas tão altas em nível nacional”, questionaram.

FAMCA Faculdade de Arte dos Meios de Comunicação AudiovisuaisFoto © Facebook/Gustavo Arcos

Estudantes da Faculdade de Meios Audiovisuais (FAMCA) do Instituto Superior de Arte (ISA) reiteraram seu repúdio às novas tarifas da empresa estatal de comunicações ETECSA e exigiram explicações públicas ao presidente nacional da Federação Estudantil Universitária (FEU), Ricardo Rodríguez.

Em uma carta aberta, os estudantes informaram sobre uma reunião realizada no último dia 4 de junho com diretores da ETECSA, do Ministério da Educação Superior (MES), e representantes do ISA e da FEU, onde foram discutidos os reclamos originados pelo repentino aumento nos preços dos pacotes de dados móveis, conhecido como "o tarifazo".

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Apesar das explicações técnicas oferecidas pelos funcionários da ETECSA —que reconheceram erros de comunicação, a atual crise financeira da empresa e as possíveis soluções em desenvolvimento— os estudantes manifestaram múltiplas inconformidades.

“Os preços dos novos pacotes restringem severamente nossas possibilidades como criadores e nos colocam em desvantagem em relação ao resto do mundo no âmbito profissional”, expressaram em seu pronunciamento.

Os estudantes da FAMCA apontam que sua atividade acadêmica e profissional depende do manuseio intensivo de grandes volumes de arquivos: baixar, subir e trocar materiais audiovisuais. O aumento dos custos dos serviços digitais, afirmam, limitou de maneira drástica sua vida cotidiana e profissional.

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“Não é compreensível como a empresa, que agora se declara necessitando de divisas, não tenha tomado medidas paliativas anteriormente e, de repente, imponha tarifas tão altas em escala nacional”, questionaram.

Denunciam uma gestão pouco transparente e uma violação dos direitos cidadãos pela ausência de consulta popular sobre o ajuste de tarifas, cuja magnitude —afirmam— deveria ter sido avisada previamente.

Em seu pronunciamento, insistem que a solução não deve ser exclusiva para os estudantes, mas extensiva a toda a população: “Os problemas da ETECSA não podem ser um problema de exclusão social”.

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No intercâmbio mantido com o presidente nacional da FEU, Ricardo Rodríguez, os estudantes expressaram seu descontentamento com a maneira como a organização tem gerido as demandas da comunidade universitária, não apenas no ISA, mas em todo o país. Nesse contexto, solicitaram sua renúncia:

“Reiteramos nosso repúdio às medidas adotadas e consideramos que as soluções oferecidas até o momento são insuficientes”, declararam.

Avisam que a problemática da ETECSA se ramificou por toda a sociedade, violando o direito à livre expressão e aumentando o descontentamento dos cidadãos em relação à gestão da empresa estatal.

Perguntas Frequentes sobre o Aumento de Tarifas da ETECSA e a Protesta Estudantil em Cuba

Por que os estudantes da FAMCA rejeitam o aumento de tarifas da ETECSA?

Os estudantes da Faculdade de Mídias Audiovisuais (FAMCA) rejeitam o aumento das tarifas da ETECSA porque consideram que as novas tarifas restringem severamente suas possibilidades como criadores audiovisuais. Alegam que o encarecimento dos serviços digitais limita sua atividade acadêmica e profissional, já que dependem do manejo intensivo de grandes volumes de arquivos para baixar, subir e trocar materiais audiovisuais.

Qual é a posição da Federação Estudantil Universitária (FEU) diante do aumento das tarifas da ETECSA?

A Federação Estudantil Universitária (FEU) demonstrou uma postura crítica em relação ao aumento das tarifas da ETECSA, exigindo a revisão das tarifas e denunciando a falta de transparência nas decisões. No entanto, após reuniões com autoridades, a FEU publicou um comunicado no qual, apesar da crítica inicial, elogiou os "espaços de intercâmbio" com a ETECSA, gerando críticas e desconfiança entre os estudantes que consideram que a organização não representa adequadamente seus interesses.

Qual é o impacto das novas tarifas da ETECSA na comunidade universitária cubana?

As novas tarifas da ETECSA impactam negativamente na capacidade dos estudantes de acessar plataformas educacionais, materiais de estudo e ferramentas de pesquisa. Além disso, limitam o acesso à internet, uma ferramenta essencial para o estudo e a superação pessoal, afetando o desempenho acadêmico e aprofundando a desigualdade, especialmente para aqueles estudantes que não recebem remessas ou rendas em divisas.

Que demandas os estudantes fizeram em resposta ao aumento de tarifas da ETECSA?

Os estudantes exigiram a revogação total das medidas da ETECSA ou, pelo menos, a eliminação do limite de 360 CUP para recargas mensais. Também solicitaram um intercâmbio horizontal e transparente com as máximas autoridades do país para buscar soluções reais que não apenas beneficiem os estudantes, mas toda a população cubana, garantindo um acesso justo e equitativo à internet.

Qual tem sido a reação do governo cubano diante das protestas estudantis contra o aumento das tarifas da ETECSA?

O governo cubano justificou as medidas como uma necessidade econômica, mas enfrentou críticas por sua falta de transparência e consulta prévia. Em resposta aos protestos, foram realizadas reuniões entre a ETECSA, o governo e organizações estudantis, mas as soluções oferecidas foram consideradas insuficientes pelos estudantes, que continuam exigindo mudanças estruturais nas políticas de telecomunicações do país.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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