A Federação Estudantil Universitária (FEU) da Universidade Central "Marta Abreu" de Las Villas (UCLV) emitiu um comunicado no qual afirma que sua prioridade é “manter a tranquilidade” dentro do campus universitário, em meio ao crescente descontentamento manifestado por um grupo de estudantes diante do aumento das tarifas imposto pela empresa estatal de telecomunicações, ETECSA.
A declaração da organização estudantil ocorre após dias de tensões geradas pelos recentes anúncios da ETECSA, cujas medidas despertaram um forte descontentamento entre os jovens universitários.
A situação ganhou maior visibilidade pública depois que a professora Alina Bárbara López compartilhou nas redes sociais uma declaração pública assinada por estudantes da UCLV, denunciando o que consideram uma série de arbitrariedades institucionais.
Em seu comunicado, divulgado através do Facebook, o Conselho da FEU da UCLV destacou que, diante do atual “complexo contexto” nacional, foram desenvolvidos espaços de intercâmbio com representantes da ETECSA para colher “as inquietações, sugestões e opiniões” do corpo estudantil.
Segundo explicam, nesses encontros participaram líderes juvenis e estudantes de diversas áreas.

“Nossa Direção da FEU tem liderado em todos os espaços, coletou as inconformidades e as propostas dos estudantes”, asseguraram. Disseram também que as autoridades competentes já estão avaliando os pedidos recebidos.
A organização rejeitou o que qualificou como um “bombardeio midiático” nas redes sociais contra a institucionalidade universitária e denunciou “manipulações da realidade” dirigidas —na sua opinião— a desacreditar a posição da FEU. “A preservação da tranquilidade sempre constituirá um dever inquebrantável”, sentenciaram.
Este comunicado parece responder à declaração publicada pela professora López, que, assinada por um grupo de estudantes, apresenta um panorama diferente.
O texto, datado de 10 de junho e intitulado “Declaração Pública de uma parte da Comunidade Estudantil da UCLV”, denuncia “graves contradições entre os princípios proclamados e as ações exercidas pelas autoridades”.
Entre as acusações destacadas estão a censura institucional em meios universitários como a Radio UCLV e o Criollito; a cumplicidade da representação estudantil, acusando o presidente da FEU de não consultar os estudantes antes de apoiar o aumento tarifário; falta de transparência nos diálogos com a ETECSA; criminalização da protesto pacífico, com a presença de agentes de segurança no campus; e clientelismo institucional, acusando autoridades de premiar estudantes que delatam atividades dissidentes.
Os estudantes exigem a suspensão imediata das novas tarifas, a eliminação da censura, a retirada das forças repressivas do campus e a formação de uma comissão independente para investigar os supostos abusos.
A situação gerou reações polarizadas nas redes sociais. Usuários como o escritor Víctor M. Dueñas foram duros com a FEU: “Há décadas que a FEU deixou de representar o estudantado e se tornou um braço de controle do castrismo”, escreveu.
Outros questionam a validade do “projeto de nação” promovido pelas instituições, diante do que consideram uma contradição com a realidade universitária.
O que começou como uma reclamação contra decisões de uma empresa estatal se transformou em um debate nacional sobre representação, direitos civis e liberdade de expressão nos espaços universitários.
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