Fracassa a colheita de batata na Ilha da Juventude: quando o experimento custa a comida do povo

O desastre da colheita de pimenta na Ilha da Juventude deixou muitas famílias sem suprimentos e produtores frustrados. Tudo por uma decisão técnica que apostou em uma nova semente sem considerar sua adaptação ao solo. Não houve explicações, apenas péssimos rendimentos.

Semente imposta, colheita perdida e um povo sem batatasFoto © Victoria/Yoandris Delgado

La última cosecha de papa en Isla de la Juventud no solo fue un revés productivo, sino ante todo una consecuencia directa de la improvisación, pues se apostó por una variedad nueva, sin comprobar su adaptación a las condiciones locales, y se descartó sin razón una semilla que ya había demostrado rendimientos estables y exitosos.

Osmar Enrique Garcés González, um agricultor experiente do território, viveu isso na pele. Em sua propriedade La Reina, ao norte de La Fe, passou de obter 24,5 toneladas por hectare com a variedade Naima na colheita anterior para apenas sete toneladas este ano com a nova semente. O número, longe de ser um caso isolado, se repetiu entre outros produtores, informou o jornal oficial Victoria.

“O que aconteceu foi algo que ninguém imaginava. Os resultados ficaram muito longe do esperado e isso afetou grandemente o abastecimento da população, um fornecimento que não pôde ser completado. A muitos núcleos não conseguimos chegar nem mesmo com uma primeira remessa de batatas”, reconheceu Garcés.

No entanto, nem Garcés nem o resto dos produtores receberam uma explicação oficial. “Explicações… nenhuma”, resumiu. O único claro é que a mudança de semente foi uma decisão vertical, imposta de fora, sem diálogo com aqueles que estão na terra.

Os resultados estão à vista: a variedade falhou e o povo pagou as consequências. Nesse sentido, Garcés recomendou que, ao selecionar uma semente, sejam levados em conta os rendimentos anteriores de uma variedade que se adaptou bem.

“No hacemos nada con estar cambiando de semilla, debemos mantenernos con una variedad y que sea la que predomine. Lo otro puede quedar como experimento, no estoy en contra, pero en áreas limitadas, no a nivel de toda la Isla”, puntualizó.

A lição que se extrai desse panorama é clara: a produção agrícola não pode ser planejada a partir de um escritório, nem depender do capricho de introduzir novas variedades sem validação prévia. Colocar "todos os ovos em uma única cesta", e ainda mais se esta for desconhecida, não é inovação, é irresponsabilidade quando o experimento custa a alimentação do povo.

A batata, considerada tradicionalmente "a rainha" entre as raízes e tubérculos na ilha, perdeu sua coroa em meio a um sistema agrícola desorganizado, com responsabilidades diluídas, ineficiência crônica e um sistema de distribuição e controle ineficaz. A diferença entre o preço oficial de 11 pesos por libra e os 150 ou 200 pesos (ou mais) que se vende no mercado informal comprova isso.

O mais recente intento de cultivar batata em Guantánamo terminou em uma colheita prejudicada, com rendimentos mínimos e parte do alimento perdido, enquanto a semeadura em Ciego de Ávila começou com um panorama semelhante ao de campanhas anteriores, marcado por atrasos, falta de recursos e condições climáticas adversas.

Em Sancti Spíritus, a chamada “papa de balanço nacional”, destinada a garantir uma distribuição equitativa, foi vítima de problemas produtivos, desorganização institucional e decisões políticas sem respaldo técnico, o que gerou uma nova onda de incerteza e descontentamento entre a população.

A venda em Santiago de Cuba gerou tensões ao se limitar a três libras por pessoa, evidência da profunda crise alimentar, onde produtos básicos como este chegam à população de forma racionada e em quantidades mínimas, incapazes de satisfazer a demanda.

Perguntas frequentes sobre a crise da produção de batata em Cuba

Por que falhou a última colheita de batata na Ilha da Juventude?

A colheita de batata na Ilha da Juventude fracassou devido à imposição de uma nova variedade de semente não adaptada às condições locais. Esta decisão, tomada sem consulta aos produtores, resultou em uma drástica diminuição dos rendimentos, afetando o suprimento à população. Este é mais um exemplo de como a improvisação e as decisões políticas sem respaldo técnico afetam a produção agrícola em Cuba.

Como a má gestão agrícola impactou a escassez de batata em Cuba?

A má gestão agrícola em Cuba levou a uma escassez crítica de batata, aumentando seu preço no mercado informal de 150 a 200 pesos por libra. Esta situação é o resultado de uma série de decisões erradas, como a introdução de sementes não testadas, a falta de controle na distribuição e a crônica ineficiência do sistema agrícola. Tudo isso transformou a batata, um alimento essencial, em um símbolo da pobreza e do abandono institucional no país.

Quais são as consequências da crise da batata para a população cubana?

A crise da batata em Cuba levou a uma distribuição racionada e limitada, com quantidades insuficientes para satisfazer a demanda. Isso resulta em descontentamento entre a população, que enfrenta a escassez de produtos básicos e preços exorbitantes no mercado informal. A situação evidencia a incapacidade do sistema em garantir a segurança alimentar da população, tornando a batata um reflexo do fracasso estrutural do sistema agrícola cubano.

Quais lições deveriam ser aprendidas com os recentes fracassos na produção de batata em Cuba?

A principal lição é que o planejamento agrícola não deve ser feito de um escritório sem considerar as condições locais ou a experiência dos produtores. A introdução de sementes não validadas, a falta de diálogo com os agricultores e a gestão centralizada demonstraram ser ineficazes. É essencial implementar um planejamento baseado na adaptação ao ambiente e no uso eficiente dos recursos para evitar repetir os fracassos do passado.

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