Díaz-Canel insiste em "trabalhar duro" para superar a crise econômica em Cuba

A crise econômica continua agravada pela inflação, escassez e falhas energéticas.


O governante cubano, Miguel Díaz-Canel, insistiu na sexta-feira sobre a necessidade de "trabalhar duro" e fortalecer a relação com o povo como receita para enfrentar a crise econômica e social que asfixia a ilha. No entanto, suas palavras, proferidas durante o encerramento de um percurso pelos municípios de Jobabo e Colômbia, em Las Tunas, novamente evitaram a adoção de reformas estruturais profundas que setores amplos da cidadania demandam.

Em um país sobrecarregado pela inflação, pela escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, e por um crescente descontentamento social, Díaz-Canel apostou novamente em soluções administrativas e apelos à disciplina, enquanto reiterou a aposta do governo na bancarização forçada das operações econômicas.

Captura do Facebook/Periódico Las Tunas Cuba

"Todos os serviços estatais e todos os serviços privados precisam ser bancarizados e devem oferecer opções que possam ser pagas com cartão magnético", afirmou de acordo com um relatório do telecentro oficialista Tunas Visión, em referência a uma medida que gerou amplas críticas em um contexto de falhas constantes nos serviços bancários, pouca disponibilidade de dinheiro em espécie e desconfiança generalizada nas instituições estatais.

O mandatário reconheceu que o setor produtivo rural, vital para a economia, deve ser um dos principais a se adaptar a esse sistema, exigindo que entidades como Gelma e outros fornecedores de serviços agrícolas ofereçam opções de pagamento eletrônico. No entanto, ignorou as limitações reais enfrentadas pelos produtores, desde a falta de infraestrutura até o desabastecimento de insumos básicos.

Assim, o designado por Raúl Castro para liderar o país sublinhou a importância de manter uma relação direta com o povo. "Não é a mesma coisa quando o povo está alheio ao que está acontecendo do que quando temos a possibilidade de explicar isso a eles ali mesmo", disse, aludindo à estratégia de conquistar apoio popular por meio da comunicação direta.

Em sua intervenção, Díaz-Canel também alertou sobre os perigos do consumo de drogas, afirmando que "a droga destrói famílias, destrói uma sociedade" e pediu que não se hesitasse diante das denúncias da população.

Enquanto a população clama por medidas urgentes que impulsionem a produção, facilitem os investimentos e liberem as forças econômicas, o governo parece apostar em mais controle, mais restrições e mais propaganda, em uma estratégia que até agora não conseguiu reverter a profunda crise nacional.

O chamado a "trabalhar duro" contrasta com a falta de soluções concretas para problemas estruturais como a crise energética. Apenas em março, Díaz-Canel negou a responsabilidade de seu governo nos apagões, culpando a falta de recursos financeiros e assegurando que "não há dinheiro" para resolvê-los.

Enquanto isso, o Ministério de Energia e Minas reconheceu que a produção nacional de petróleo cobre apenas um terço da demanda, e que mais da metade do combustível disponível é destinada a manter operante um Sistema Eletroenergético Nacional em ruínas.

A falta de investimentos estratégicos, priorizando em vez disso a construção de hotéis e infraestrutura turística, aprofundou a crise elétrica, paralisando a produção, afetando serviços básicos e alimentando protestos populares.

Economistas como Pedro Monreal têm alertado que o colapso energético não é apenas consequência do embargo estadunidense, mas sim de decisões políticas internas que têm adiado por anos a modernização do setor elétrico.

Perguntas Frequentes sobre a Crise Econômica em Cuba sob o Governo de Díaz-Canel

Quais soluções Díaz-Canel propõe para a crise econômica em Cuba?

Díaz-Canel defende "trabalhar arduamente" e fortalecer a relação com o povo como soluções para a crise econômica e social em Cuba. No entanto, ele evita reformas estruturais profundas e aposta na bancarização forçada, o que gerou críticas devido aos problemas com os serviços bancários na ilha.

Como a crise energética afeta a população cubana?

A crise energética tem provocado apagões prolongados que complicam a vida diária dos cubanos. A produção de petróleo cobre apenas um terço da demanda, o que agrava o problema. Apesar das promessas de melhorias, a situação permanece crítica, afetando serviços básicos e gerando mal-estar social.

Qual é o papel da dolarização parcial na economia cubana?

A dolarização parcial é vista por Díaz-Canel como um incentivo para a entrada de divisas, embora tenha gerado um mercado negro e uma economia paralela que minam a credibilidade do sistema financeiro estatal. A população enfrenta dificuldades para acessar divisas oficialmente, o que complica ainda mais a situação econômica.

Qual é a resposta do governo cubano às críticas sobre sua gestão da crise?

O governo cubano tende a culpabilizar fatores externos, como o embargo dos Estados Unidos e evita reconhecer a responsabilidade interna na crise. Usa retóricas de resistência criativa e unidade, mas não oferece soluções concretas nem estabelece prazos para superar a situação, o que gera frustração e ceticismo entre a população.

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