Wells Fargo congela conta bancária de cliente de origem cubana no sul da Flórida

Seu caso se tornou mais um exemplo do processo de verificação que o Wells Fargo realiza há mais de um ano.


Aconteceu novamente. Um residente do sul da Flórida de origem cubana está em busca de respostas depois que Wells Fargo bloqueou sua conta bancária sem aviso prévio.

O afetado, identificado como José Antonio Orta, relatou em declarações à Telemundo 51 que soube no dia 29 de janeiro, quando, ao tentar realizar um pagamento, apareceu que o cartão estava bloqueado, estava cancelado.

Ao se dirigir à agência bancária para obter explicações, disseram-lhe que precisavam de documentação.

"I took them and it's absurd because they have that documentation for a long time. Moreover, it's documentation that doesn't expire. Once you are a citizen, you stop being a citizen when you die", expressed Orta, who is a U.S. citizen.

A decisão de bloquear a conta deixou José Antonio Orta perplexo, pois ele considera que o banco tinha outras alternativas para verificar seu histórico.

"Se era para verificar uma transação, com olhar minha conta bastava. Não precisavam me bloquear. Quem melhor do que eles para saber o que eu compro, gasto ou faço com minha conta?", questiona.

O cubano afirma que nunca recebeu nenhuma notificação por parte do banco e que foi ele quem teve que fazer várias ligações para se informar sobre a situação.

A suspensão da sua conta se prolongou por 17 dias, afetando os seus pagamentos programados.

"Tenho que ver o que vai acontecer agora com a American Express, com a FPL, com todas as contas programadas para débito automático da minha conta bancária, que não puderam fazer nada porque minha conta estava bloqueada", concluiu.

Este episódio faz parte de uma série de medidas que a Wells Fargo implementou nos últimos meses e que afetou clientes originários de países sancionados, como Cuba.

A problemática remonta a dezembro de 2023, quando começaram a surgir os primeiros casos.

Desde então, tem-se insistido em obter respostas por parte da instituição bancária, mas até o momento a empresa se recusou a comentar sobre a quantidade de clientes afetados e a duração desse processo de revisão.

A empresa justifica a revisão como uma medida necessária para cumprir com as regulamentações do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão que exige das entidades financeiras a verificação da condição migratória de clientes originários de países sob sanções econômicas, como é o caso de Cuba.

A resposta do Wells Fargo

Diante da crescente preocupação e desconforto dos clientes afetados, a entidade bancária emitiu um comunicado.

"Si bien no divulgamos detalles sobre relaciones bancarias específicas, podemos compartir que nuestros banqueros hacen todo lo posible para ayudar a los clientes afectados y minimizarles las molestias. Estamos comprometidos con brindar transparencia en nuestro proceso y una comunicación clara a nuestros clientes. En este caso, una vez que recibimos toda la documentación requerida, resolvimos el asunto para nuestro cliente", afirmaron.

As entidades financeiras, incluindo a Wells Fargo, costumam ter protocolos estabelecidos para notificar seus clientes quando é necessário atualizar documentos. Tipicamente, esses avisos são enviados por correio postal ou eletrônico, e é concedido um prazo de aproximadamente 30 dias para atender aos requisitos.

No entanto, esses casos recentes evidenciaram a necessidade de que os clientes permaneçam atentos a qualquer comunicação oficial do banco.

À medida que mais casos emergem e a incerteza cresce, muitos clientes de origem cubana nos Estados Unidos se perguntam se suas contas podem estar em risco e exigem mais clareza por parte do Wells Fargo sobre esses procedimentos.

No início de dezembro de 2023, foi notícia que dois cubano-americanos proprietários do bar Cubata, localizado em Little Havana, não haviam conseguido pagar seus empregados e fornecedores porque o Wells Fargo havia congelado suas contas bancárias.

Por esses mesmos dias, tornou-se público o caso de uma agência do Wells Fargo em Hialeah que congelou inesperadamente as contas de um cubano residente permanente nos EUA desde os anos 90 e de sua esposa, cidadã de origem americana.

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