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O mundo - o país - viu no último domingo imagens de Cuba realmente sem precedentes. Em 62 anos de tirania comunista na ilha de Cuba, nunca vimos, nunca ocorreu o que agora estamos presenciando. Em mais de 40 cidades, as pessoas saíram às ruas de forma espontânea, não organizada, para pedir o fim dessa tirania. E acho que é importante que muitas pessoas que são novas no assunto entendam o que isso significa e de que se trata.
A primeira lição que devemos tirar é que o marxismo, o socialismo, não funciona. A forma como o socialismo, a forma como o marxismo sempre funcionou, a maneira como sempre se empoderou, é que vai ao povo e imediatamente o divide. Diz que existe uma classe opressora e que existe essa classe vítima e esses malvados opressores, os capitalistas; é assim que o socialismo ou o marxismo tradicional oprime as vítimas.
O que as vítimas têm que fazer é nos dar o poder no governo para lidarmos com esses opressores, para irmos atrás desses opressores. E se nos derem esse poder, nós lhes daremos segurança; os protegeremos dos opressores. Pedem segurança em troca de liberdade. Esse é sempre o preço que o socialismo exige: segurança. E o resultado é um país de pessoas que se odeiam, que se enfurecem. Uma parte importante da população do país tem que ir embora, tem que fugir, vai para a prisão porque é a classe opressora, suas vidas são destruídas, suas vidas familiares são destruídas.
Mas o socialismo não pode garantir a segurança. E quando não pode oferecer segurança, a liberdade não se recupera. E, na verdade, é quando você começa a se queixar disso que a repressão chega. Isso é o que aconteceu em Cuba.
O socialismo e o marxismo fizeram em Cuba o que fizeram em todas as partes do mundo onde tentaram ser impostos. Fracassaram. Renunciaram à sua liberdade, ou lhes disseram: "Renunciem à sua liberdade em troca de um sistema de saúde de classe mundial". Não é um sistema de saúde de classe mundial. Na verdade, é um sistema de saúde que nem mesmo possui a capacidade de tratar o COVID em seu nível mais básico.
O governo cubano diz: "Renunciem à sua liberdade em troca de segurança econômica". Que segurança econômica? As pessoas estão com fome; as casas estão em ruínas. Não há economia. Não existe uma economia real em Cuba. Renunciem à sua liberdade e terão educação. Educação gratuita para todos. Essa educação, em primeiro lugar, é a que recebe um médico. Você pode dirigir um táxi em Cuba e ganhar mais dinheiro. Ou, em segundo lugar, você é enviado, é obrigado a ir para o exterior e trabalhar basicamente com salários de escravo, sem pagamento, quase sem pagamento. É basicamente tráfico de pessoas, como nosso próprio Departamento de Estado descobriu ao examinar o programa de médicos cubanos e os abusos que ocorreram.
O fracasso do socialismo
O que ocorreu em Cuba é que o socialismo fracassou. É preciso reprimir as pessoas que reclamam do sistema. A liberdade não se recupera. E, como sempre fazem os socialistas, precisam encontrar alguém para culpar. E a quem culpam? Em primeiro lugar, culpam qualquer um no país que não esteja de acordo com eles. Imediatamente você se torna um contrarrevolucionário. Você se torna imediatamente um peão dos imperialistas.
E então, claro, sempre culpam os Estados Unidos. O problema em Cuba para o regime é que as pessoas não acreditam mais nessas mentiras. Não acreditam. O primeiro a quem culpam é ao embargo. O embargo está causando tudo isso, dizem. Por que os pescadores e agricultores de Cuba não podem pescar ou cultivar coisas e vendê-las para as pessoas? Não é o embargo que os impede de fazê-lo. É o regime. Por que os cubanos não podem ter um pequeno negócio sem ter que prestar contas ao governo? Por que um cubano não pode fazer em Cuba o que pode fazer em Miami, o que pode fazer em Washington, o que fazem em países de todo o mundo? Eles não podem fazer isso em Cuba. Não podem abrir um pequeno negócio, importar e exportar sem a intervenção dos controles estatais. Não é o embargo que os impede de fazê-lo. Na verdade, a lei americana nos permite comerciar e fazer negócios com pequenas empresas de propriedade independente de cubanos.
Vocês sabem por que os cubanos não podem ter pequenos negócios? Não é o embargo, não é os Estados Unidos, é o regime que não permite. As pessoas veem essas mentiras. Como podem se permitir construir hotéis de luxo, de quatro estrelas, de categoria mundial, para os turistas, mas não podem se ocupar das casas em ruínas onde vivem os cubanos, com telhados que estão literalmente caindo sobre suas cabeças? Como explicar a água que infiltra nos centros cirúrgicos dos hospitais?
Olha o que fazem com o dinheiro. Ah, é porque não permitem que se envie mais dinheiro. Quando um estadunidense, um cubano-americano, enviava dinheiro para suas famílias em Cuba no passado através da Western Union, o regime ficava com 10 por cento do envio. E então, pegam esses dólares que você enviou, obrigam os cubanos a convertê-los em uma moeda sem valor, ficam com os dólares, e ainda - adivinha só - se você quiser comprar algo, tem que comprá-lo em uma loja do governo, e adivinha a que preço a loja do governo vende as coisas. Moeda forte.
Isso não é o embargo. É o regime cubano que faz isso. E quem é que coloca as pessoas na prisão, que te bate na cabeça, que arromba a porta no meio da noite? Hoje há 80 pessoas desaparecidas, pelo menos 80 pessoas, desaparecidas durante a noite. Suas famílias não sabem onde estão. Não é o embargo que está encarcerando as pessoas. É o regime. E isso é o que eu digo às pessoas. Podem abrir o quanto quiserem. Podemos aprovar um projeto de lei aqui que diga aberto a Cuba, cem por cento aberto. Podem fazer o que quiserem. Comércio pleno, livre, você pode fazer o que quiser.
Nas mãos do regime
No final, o regime cubano controlará essa abertura. Não é apenas o que nós queremos fazer. É o que eles querem fazer. Você quer fazer turismo? Tentamos em 2015 com as mudanças de Obama. E você sabe o que eles fizeram? Disseram: "Obrigado. Adoramos que venham aqui como turistas". Adivinha só? Todos os pontos turísticos são propriedade de um holding chamado GAESA, controlado pelos militares cubanos, então tudo passa pelas mãos do regime.
Quer você enviar comida para eles? Isso é fantástico. Adivinhe quem a receberá. ALIMPORT, que é uma empresa do governo, de propriedade militar. Não se pode vender a uma pequena mercearia em Cuba ou até mesmo a um atacadista de alimentos. Vai para o governo cubano. Quer enviar dinheiro? Eles aceitam. Sabe por quê? Porque o socialismo se basa no controle. E todas essas coisas - turismo, comida, dinheiro, medicamentos - tratam-se de controlar.
Você quer ajuda humanitária? Vamos levar à Cruz Vermelha... qualquer uma dessas ONGs vetadas no mundo deveria ser permitida em Cuba. Eles não permitirão. Porque é vergonhoso para eles. Eles têm um sistema de saúde de classe mundial: por que precisariam de ajuda humanitária? Mas, além disso, porque querem controlá-la. Enviem vacinas. Mas se você deixar nas mãos deles, do governo, do regime, adivinha quem recebe as vacinas?... Primeiro as elites do regime, depois as pessoas que se comportam docilmente. Se você não se comportar, se não concordar com o que eles querem que você faça, você não recebe a vacina.
Utilizarão qualquer abertura como ferramenta, como arma contra seu povo, porque é isso que o socialismo faz. É isso que esses marxistas fazem em Cuba. Utilizarão qualquer coisa como arma contra o povo de Cuba.
O que podemos fazer? É isso que as pessoas querem saber.
Em primeiro lugar, espero que todos tenhamos claro de que lado estamos. Não é necessário concordar com nada do que eu disse. O que devemos concordar é que as pessoas de qualquer parte do mundo, mesmo a 90 milhas de nossas costas, devem ter o direito de sair às ruas, marchar pacificamente, pedir o fim da ditadura e não serem agredidas.
Por certo, ninguém em Cuba possui armas, exceto os militares, então por que essas forças repressivas andam com esses rifles e as pessoas estão sendo atingidas por disparos? Estão disparando em pessoas que literalmente estão desarmadas... Devemos ser claros em nossa linguagem. Não apenas condenamos esta tirania; condenamos este comunismo, este marxismo, este socialismo, esta tirania. Chamemos as coisas pelo que são.
Número dos, devemos deixar claro que nada das políticas da era Trump vai mudar. Não haverá nenhuma mudança nas sanções como resultado disto. Pelo contrário. Espero que a administração Biden anuncie agora que concluiu sua revisão da política em relação a Cuba e que tudo o que está em vigor será mantido.
Internet sem restrições
Terceira questão. Na medida em que mudarmos a política, espero que façamos da prioridade máxima permitir que o povo de Cuba tenha acesso livre e sem restrições à internet. E existe a tecnologia para isso, com um sistema baseado em satélites. Devemos colocar os melhores cérebros para trabalhar nisso, porque se o povo cubano tiver acesso livre e sem restrições à internet — a primeira coisa que o regime fechou ontem foi a internet — poderá se comunicar entre si e receber informações, além de se conectar com o mundo. Está a 90 milhas de nossas costas. Devemos ser capazes de fazer isso.
Número quatro: para todos aqueles que acreditam e têm fé na comunidade internacional -e ainda mantenho a esperança de que um dia volte a funcionar-, onde está a Espanha? Onde está a União Europeia? Onde estão todos aqueles países que durante anos deram cobertura e proteção ao regime cubano e condenaram os Estados Unidos? Deveriam dizer claramente que o que está ocorrendo ali está errado, que a repressão está errada. Deveríamos nos unir para alcançar isso. Deveríamos utilizar nossa posição de força e poder no mundo e nossa influência nos círculos diplomáticos para conseguí-lo.
E número cinco: espero que o presidente Biden seja muito claro com o regime de Cuba no sentido de que não toleraremos que fomentem um evento de migração em massa. Avisa-lhes que isso é o que fazem. Já fizeram isso duas vezes. As coisas ficam ruins e dizem: Se você não levantar as sanções, se não voltar às políticas da era Obama, se não acabar com o embargo, é inevitável: teremos 50.000 pessoas se lançando ao mar em direção aos Estados Unidos.
Eles já usaram isso contra nós duas vezes. Fizeram isso em 1994, fizeram isso em 1980 com a ponte marítima do Mariel, e o presidente Biden precisa ser claro - seja por meio de canais privados ou dizendo publicamente - muito claro que consideraremos o fomento da migração em massa para os Estados Unidos como uma ação hostil e agiremos em consequência. Isso não pode ser tolerado.
Reconheço que a maioria dos membros do Senado, a maioria das pessoas aqui em Washington, e, francamente, a maioria das pessoas no país, não presta atenção a Cuba diariamente. Eu entendo, de verdade. Mas se não acompanham o tema de Cuba, pode-se perdoá-los por não saber que o que estamos vendo, o que vimos ontem, o que estamos vendo hoje, o que aconteceu recentemente, nada disso foi iniciado pelos políticos. Eu não comecei isso. Não foi iniciado por ninguém em Miami ou na Flórida. Não foi iniciado por nenhum think tank em Washington. Nem mesmo foi iniciado por ativistas políticos em Cuba.
Pátria e vida
Vocês sabem quem começou o que está acontecendo em Cuba? Os artistas. Poetas, cantautores, escritores, atores, músicos. Eles foram os que iniciaram. O Movimento San Isidro. Porque o regime veio atrás deles depois. E há uma canção – muitas pessoas não percebem que houve uma canção que saiu no começo deste ano – uma canção que, por sinal, se você cantar em Cuba, pode ir para a cadeia. O nome da canção é "Patria y Vida". O lema do regime cubano é "Patria o Muerte", que significa "pátria ou morte". Esta canção brinca com isso: "Patria y Vida", que significa pátria e vida, em vez de pátria ou morte.
E a canção é extraordinariamente poderosa, porque foi escrita por pessoas e cantada por pessoas que viveram essa realidade e que a estão vivendo. É tão poderosa, como eu disse, que você pode ir para a prisão em Cuba se a cantar. O que a canção diz basicamente é: "Por que as pessoas não podem pensar de maneira diferente e não ser tratadas como inimigas? Por que a vida é tão boa para os membros do partido e suas famílias, mas não há comida para o cubano comum? Parece que não há embargo para o regime cubano e seus familiares. Por que é possível construir hotéis de luxo enquanto nossas casas desmoronam? Por que os cubanos têm que sofrer as indignidades, as indignidades de coisas tão simples como não poder tomar banho com sabonete, não poder usar desodorante, não ter pasta de dentes? Por que têm que sofrer essas indignidades?"
A canção também pergunta: quem disse ao regime que Cuba pertence a eles e somente a eles? Não deveria pertencer aos 13 milhões de cubanos? O refrão brinca com o dominó - o dominó é um jogo muito popular entre os cubanos.
O refrão diz: "Acabou. Você tem cinquenta e nove, eu, duplo dois / Já se acabou. Sessenta anos bloqueando o dominó". Basicamente, a tradução é: "Acabou. Você tem 59 anos, ou seja, 1959, o ano em que Castro assumiu o poder, mas eu tenho duplo dois". E todo mundo sabe que no jogo de dominó, ao final da partida... se não houver mais peças para jogar, o jogo é bloqueado e as peças são contadas para ver quem ganhou. Então ele diz: "Acabou. Você tem 59, mas eu tenho duplo dois. Acabou. Sessenta anos com o jogo de dominó bloqueado para nós".
Sei que esta é uma forma cubana muito coloquial de expressá-la, mas é incrivelmente poderosa. As pessoas em Cuba entenderam o que isso significa: que toda essa ideologia, tudo o que falam, as mentiras do regime que funcionaram muito bem para eles, as pessoas já não acreditam mais e já não têm medo.
Enquanto isso, suas vidas estão arruinadas. Os jovens em Cuba, os artistas cubanos percebem que o único país neste planeta onde os cubanos não têm sucesso é Cuba, e estão cansados disso. E devemos estar com eles.
Intervenção perante o plenário do Senado para denunciar a situação de Cuba e reivindicar total apoio ao povo cubano.
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