O opositor cubano José Daniel Ferrer, um dos dissidentes mais reconhecidos e perseguidos do regime de Havana, foi agraciado com a Medalha Truman-Reagan da Liberdade, concedida pela Fundação Vítimas do Comunismo (VOC, na sigla em inglês), em um evento realizado no Museu da organização em Washington D.C.
A distinção reconhece sua "corajosa luta pela liberdade de todos os cubanos", conforme destacou a instituição em uma mensagem publicada na rede social X.
"Foi uma verdadeira honra entregar ao dissidente cubano José Daniel Ferrer, recentemente liberado, a Medalha Truman-Reagan da Liberdade da VOC por sua corajosa luta em prol da liberdade de todos os cubanos", escreveu a fundação.
A entidade agradeceu ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia, Kęstutis Budrys, e ao subsecretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, por acompanharem a cerimônia.
Tanto Landau quanto Budrys expressaram publicamente seu reconhecimento ao líder da União Patriótica de Cuba (UNPACU).
O funcionário americano afirmou que "o nome de José Daniel será lembrado e venerado por muito tempo na história de seu país".
Por sua parte, o diplomata lituano destacou sua "inquebrantável resistência à ditadura cubana" e reafirmou o apoio da Lituânia ao povo da ilha em sua "luta pela democracia e pelos direitos humanos".
Um reconhecimento que simboliza a resistência cubana
A entrega do prêmio ocorre após a recente chegada de Ferrer aos Estados Unidos, depois de ser desterrado pelo regime cubano após mais de quatro anos de prisão em condições extremas.
El 13 de outubro, apenas algumas horas após sua chegada, Ferrer foi condecorado pela comunidade exilada e por organizações ligadas à defesa dos direitos humanos.
Diversas personalidades políticas do exílio cubano celebraram o reconhecimento.
A congressista María Elvira Salazar afirmou então que "nem as prisões nem o exílio podem silenciar um homem livre", enquanto o senador Marco Rubio denunciou que Ferrer "foi torturado e encarcerado por ser uma ameaça ao regime".
Das celas do regime à tribuna da liberdade
Ferrer, de 54 anos, é um dos rostos mais emblemáticos da oposição cubana. Foi detido em várias ocasiões por liderar protestos pacíficos e denunciar os abusos do Partido Comunista.
Durante sua última reclusão, foi isolado, agredido e privado de atendimento médico, segundo relatos de organizações internacionais.
Sua libertação, acompanhada da expulsão forçada de Cuba, gerou amplas condenações entre diplomatas e defensores dos direitos humanos.
A Medalha Truman-Reagan, concedida desde 1999 pela Fundação Vítimas do Comunismo, homenageia figuras que lutaram contra regimes totalitários e pela defesa da liberdade individual.
Entre os galardonados estão personalidades da Europa Oriental, Ásia e América Latina que enfrentaram ditaduras comunistas.
No caso de Ferrer, a condecoração não apenas reconheceu sua resistência pessoal, mas também foi um ato de boas-vindas no exílio, símbolo de uma luta que continua fora da ilha.
Uma homenagem no âmbito da Semana Anticomunista nos EUA.
O reconhecimento chega poucos dias após o presidente Donald Trump ter proclamado de 2 a 8 de novembro de 2025 como a Semana Anticomunista nos Estados Unidos, uma iniciativa destinada a lembrar "a devastação causada por uma das ideologias mais destrutivas da história".
Em sua proclamação oficial, Trump afirmou que o comunismo "trouxe devastação a nações e almas", lembrando que mais de 100 milhões de vidas foram ceifadas "por regimes que suprimiram a liberdade e destruíram a prosperidade".
O mandatário destacou que os Estados Unidos continuarão rejeitando qualquer forma de totalitarismo, reafirmando seu compromisso com a liberdade e a dignidade humana.
A entrega da Medalha Truman-Reagan a Ferrer se insere, assim, em um contexto político de renovada denúncia internacional contra o comunismo, reforçando a mensagem de apoio de Washington e de países europeus aliados àqueles que sofrem perseguição em Cuba.
A luta continua
Desde a sua chegada aos Estados Unidos, Ferrer tem reiterado seu compromisso com a causa democrática cubana.
"A liberdade de Cuba não depende de um só homem, mas da união e da determinação de todo um povo", expressou recentemente.
A homenagem da Fundação Vítimas do Comunismo, com o apoio de figuras diplomáticas e políticas, confirma que sua voz -forjada entre prisões e repressão- continua sendo uma referência moral na denúncia do totalitarismo cubano.
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