“O bloqueio é interno”: Guantanamera confronta dirigente por abandono após passagem de Melissa

Guantanameros protestaram pela falta de água e eletricidade após o furacão Melissa. Denunciaram abandono institucional e escassez de alimentos. A manifestação se dispersou sem detenções, mas a tensão persiste.

Guantanamera confronta a dirigente por abandono após passagem de MelissaFoto © Captura de tela Instagram / mvallejotv

“El bloqueio é por dentro, não é por fora”, se ouve dizer a uma guantanamera diante do olhar sarcástico de um dirigente local que ela confronta.

A eloqüente declaração desta cubana cansada foi divulgada pelo comunicador Mario Vallejo e parece corresponder à protesto do bairro Ho Chi Minh, na cidade de Guantánamo.

Protesto em Guantánamo

Na sexta-feira, vários guantanameros, entre eles a mulher que aparece no vídeo, saíram às ruas para exigir “respostas” e assistência imediata diante da falta de água potável e eletricidade após a passagem do furacão Melissa.

A manifestação —que congregou cerca de uma centena de pessoas— denunciou muitos dias sem serviços básicos, escassez de alimentos e ausência de informações oficiais sobre a recuperação; o ambiente permaneceu tenso mesmo após a chegada de policiais e oficiais da Segurança do Estado, que ajudaram a dispersar o ato.

Os testemunhos recolhidos por José Raúl Gallegos e o meio  Martí Notícias descrevem um  quadro de abandono institucional e urgência social.

“Estamos desesperados. Não temos luz, não temos água, e ninguém nos dá resposta. Aqui há crianças e idosos que não podem continuar assim,” disse uma vizinha que escreveu à nossa redação sob condição de anonimato.

Os manifestantes agrediram verbalmente funcionários locais e trabalhadores da empresa elétrica.

“Isto é uma ditadura, o mundo inteiro sabe disso”, disse a fonte à nossa redação. “Não somos cães, somos pessoas”, “Até quando vai durar o abuso”, acrescentou.

Também denunciaram que "há doações lá que querem pegar" e que estão "há dias dormindo sem eletricidade".

La protesta se concentrou nas ruas Moncada e 12 Sul, em frente à tenda onde funciona a bodega do bairro.

Segundo o ativista Miguel Ángel López Herrera, residente na área, o descontentamento aumentou quando, após meses de escassez, chegaram apenas “duas libras de arroz” aos núcleos familiares, conforme constatado por Martí Notícias.

“A gente não aguenta mais. Muitas doenças, sem medicamentos. Não há casa que não tenha sido afetada pelo furacão, muitas sem teto”, afirmou.

Nas redes circularam vídeos do momento em que os vizinhos exigiam a presença das autoridades e "uma resposta efetiva" à crise humanitária.

De acordo com os relatórios, a protestação se dissipou após a intervenção da polícia e agentes da Segurança do Estado; não foram relatadas detenções no local, mas fontes locais alertaram que a tensão persiste e que a restauração dos serviços continua incerta.

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