O deputado Elián González Brotons afirmou que na Cuba anterior a 1959 não existiam grandes artistas nem atletas, ao defender os supostos avanços da Revolução na área cultural e esportiva.
De acordo com o também propagandista do regime na ilha, tudo o que hoje o povo cubano reconhece como identidade cultural e orgulho esportivo foi possível unicamente graças ao sistema socialista.
“Embora tenhamos um povo talentoso, um povo que em seu próprio DNA produz bons atletas, músicos e grandes artistas, antes do triunfo da revolução isso não acontecia”, afirmou González em uma entrevista gravada na Cidade do México e divulgada pelo portal oficialista Cubainformación.
As declarações ocorreram no contexto do IX Encontro Continental de Solidariedade com Cuba, de 9 a 12 de outubro, onde o porta-voz do regime participou, na companhia de Aleida Guevara.
A juízo do também trabalhador do setor de hotelaria e turismo na província de Matanzas, o povo de Porto Rico, Colômbia ou Bolívia não é muito diferente do cubano e também possui talento em seu DNA.
“Mas o que falta são os recursos para explorá-lo, para fazê-lo avançar, para motivá-lo. E isso é o que a revolução fez com esse ADN cubano: potencializá-lo, apoiá-lo, dar-lhe os recursos, não grandes recursos, mas sim levá-los a todos, a cada um dos cantos. E é isso que conferiu respeito e reconhecimento e a altura moral de, sendo um país pequeno, poder alcançar grandes resultados”, afirmou.
As declarações do deputado, que também defendeu a continuidade do modelo político cubano e culpou o embargo estadunidense pela crise atual, geram controvérsia nas redes sociais.
Numerosos usuários recordaram que antes de o ditador Fidel Castro (1926-2016) entrar em Havana em 1959, a Cuba republicana havia sido o berço de uma plêiade de figuras culturais e desportivas de grande importância, como Celia Cruz, Rita Montaner, Rosa Fornés, Alicia Alonso, Benny Moré, Eligio Sardiñas (Kid Chocolate), Ignacio Villa (Bola de Nieve) ou José Raúl Capablanca, entre muitos outros.
O outrora menino balsero, conhecido mundialmente pelo caso judicial que marcou sua infância em 2000, também enfatizou que a juventude cubana “continua comprometida com o projeto revolucionário”.
Asimismo, sublinhou que aqueles que emigraram o fizeram fundamentalmente por motivos econômicos, e não políticos, e que ao se reverter a crise, muitos retornarão.
As declarações de González confirmam as posições que o regime cubano tem mantido durante décadas em relação à etapa republicana (1902-1958), apresentando-a como um bloco monolítico de governos fantoches, corrupção e fracasso, uma simplificação que impede análises complexas.
Alimentada por um discurso oficial ortodoxo e sujeita à censura, uma parte significativa da população cubana, especialmente as novas gerações, demonstra um enorme desconhecimento sobre a primeira metade do século XX cubano, e em especial sobre o período posterior à aprovação da Constituição de 1940, apesar de ter sido caracterizado por profundas transformações sociais, um maior aprofundamento democrático e uma sociedade civil mais engajada.
Justamente na quinta-feira, em um novo ato de censura, o Centro Nacional de Música Popular suspendeu, em cima da hora, a homenagem que o grupo Teatro El Público, dirigido por Carlos Díaz, preparava junto à Fábrica de Arte Cubano (FAC) para comemorar o centenário do nascimento de Celia Cruz (1925-2003).
Perguntas Frequentes sobre Elián González e sua Visão da Cuba Pré-Revolucionária
Por que Elián González afirma que antes de 1959 não havia grandes artistas nem desportistas em Cuba?
Segundo Elián González, os avanços culturais e desportivos em Cuba são frutos do sistema socialista que foi implementado após a Revolução. Ele afirma que antes de 1959, embora Cuba tivesse um povo talentoso, não existiam grandes artistas nem desportistas porque não se dispunha dos recursos necessários para potencializar esses talentos. González sustenta que a Revolução foi quem forneceu os recursos e o apoio necessários para o desenvolvimento cultural e desportivo.
Quais figuras culturais e desportivas existiram em Cuba antes de 1959?
Antes de 1959, Cuba era berço de renomadas figuras culturais e esportivas como Celia Cruz, Rita Montaner, Rosa Fornés, Alicia Alonso, Benny Moré, e atletas como Kid Chocolate e Ignacio Villa (Bola de Nieve). Esses artistas e atletas alcançaram reconhecimento internacional antes da Revolução, desmentindo as afirmações de Elián González.
Como Elián González justifica o êxodo massivo de cubanos nos últimos anos?
Elián González atribui o êxodo massivo de cubanos principalmente a causas econômicas, sugerindo que não se deve ao sistema político do país. Ele acredita que, uma vez que a economia melhore, muitos cubanos que emigraram voltarão "encantados" à ilha. No entanto, essa visão ignora as críticas sobre a repressão política e a crise multissistêmica que também são fatores do êxodo.
Qual é o papel do embargo americano na narrativa oficial sobre a crise em Cuba?
Na narrativa oficial cubana, o embargo estadunidense é apontado como o principal responsável pela crise econômica e social que atravessa o país. Elián González defende essa postura, afirmando que o embargo é o maior obstáculo para o desenvolvimento de Cuba. No entanto, essa visão é criticada por muitos que consideram que o sistema político interno também tem uma grande responsabilidade na situação atual do país.
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