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A Unidade Básica de Embalagem El Tigre, no município habanero de La Lisa (Ave. 53 e 158), enfrenta graves acusações de manipulação insalubre de alimentos e abuso de autoridade por parte de sua diretora, Yuliett Curbelo Lugo, segundo denunciou um cidadão de forma anônima por temor a represálias.
Segundo a denúncia, enviada ao jornalista Mario J. Pentón e publicada em suas redes sociais, a massa de croquetes é colocada diretamente no chão e são reutilizadas caixas de croquetes processados que se deterioraram devido aos cortes de energia, misturando-as com massas novas para mascarar o mau cheiro e seu estado.
La diretora é acusada de tratar o pessoal de forma desrespeitosa com frases depreciativas como “Quem não gostar, que peça a demissão” e “Aqui se faz o que eu quiser…”, assim como de agir como se a entidade fosse de sua propriedade.
O relatório indica que os trabalhadores recebem um almoço em péssimas condições, enquanto a diretora e seu esposo, também empregado no centro, têm um menu diferente e de melhor qualidade.
Além disso, atribui-se a eles o uso de sua posição para obter luxos e permitir irregularidades sem consequências.
A fonte aponta que, apesar das reclamações internas, os funcionários não podem deixar o trabalho devido à necessidade de renda, embora os salários sejam insuficientes.
Estes produtos —croquetes e massas de hambúrguer— são consumidos principalmente por famílias empobrecidas e de baixos recursos, incluindo crianças, o que agrava a preocupação com os riscos sanitários denunciados.
Comentários de cidadãos nas redes sociais mostram uma indignação generalizada e confirmam que este caso reflete problemas amplos.
A internauta Leisy Valdés afirmou que, se as denúncias anônimas com evidências fossem atendidas, “os responsáveis não teriam outra escolha senão fazer as coisas medianamente bem”, mas se sentem intocáveis.
Silvia Quinta afirmou que esses produtos “não estão nem para serem dados aos cães” e que os diretores jamais os consumiriam.
Outros usuários destacam que a insalubridade não é isolada: moscas, baratas, ratos, águas contaminadas e falta de produtos de limpeza são comuns na elaboração de alimentos estatais. “Tudo conspira para reduzir a população cubana”, disse outra comentadora.
Também se repete a reclamação de que muitos chefes agem como “milionários” e exercem um abuso de autoridade impune, enquanto a frase “quem não gostar, que peça a demissão” se torna uma consigna nacional.
Vários denunciam a dupla moral das autoridades sanitárias, que aplicam multas severas a negócios privados enquanto ignoram as condições em centros estatais.
Outros, como Yarisel Sánchez Lima, qualificam a situação de “nojo por onde se olhe” e alertam que a maioria do que a população pode consumir “é puro bagaço”.
Alguns, como Elizabeth Blanco e Deysi Cobiella, afirmam que optaram por não comprar alimentos processados pelo Estado para proteger sua saúde e a de suas famílias, mesmo que isso signifique comer apenas banana ou abóbora cozida.
Segundo eles, as normas essenciais de higiene foram perdidas e o único que importa aos diretores é “encher os próprios bolsos”, enquanto o povo enfrenta fome e doença.
Não é a primeira vez que surgem informações sobre a má qualidade e falta de higiene na elaboração de alimentos destinados aos cubanos comuns, muito diferente daqueles destinados à elite do poder na ilha.
O diretor de produção da Empresa Provincial de Alimentos em Matanzas, Daniel Yon Aguiar, reconheceu em abril que havia descontentamento na população devido à má qualidade do pão, especificamente por seu odOR desagradável, semelhante ao das baratas.
Cubanos têm encontrado desde um parafuso dentro do pão da cota até um conteúdo estranho e tóxico na compota para crianças que distribuem nas bodegas.
A ministra do Comércio Interior de Cuba, Betsy Díaz Velázquez, recentemente se orgulhou da elaboração de croquetas de banana e da introdução de um “caldo base” dentro das alternativas gastronômicas como parte dos "avanços" na rede comercial do país.
Segundo declarações em julho da funcionária, diante da Assembleia Nacional do Poder Popular, essas "iniciativas" são "exemplos positivos" de resposta criativa diante da complexa situação econômica e de abastecimento que a ilha enfrenta.
A precariedade alimentar que a população cubana enfrenta está aumentando a exposição a doenças carenciais, afetando o desenvolvimento físico e cognitivo e enfraquecendo as defesas do organismo.
A organização Food Monitor Program (FMP) alertou na última segunda-feira que a dieta da maioria dos lares é altamente repetitiva, pobre em micronutrientes e fibras, e dependente de alimentos ultraprocessados como picadinho e salsichas, em vez de proteínas frescas como peixe ou carne bovina.
Informes recentes indicam que mais de nove milhões de pessoas em Cuba cozinham em condições precárias, com acesso limitado a combustíveis e sem equipamentos básicos, o que não apenas reduz a variedade de alimentos que podem consumir, mas também condiciona a forma como são preparados.
A isso se soma que uma em cada quatro pessoas reconhece que já se deitou sem jantar, refletindo como a fome se tornou uma realidade cotidiana. Esses números evidenciam uma precariedade alimentar crônica que impacta diretamente milhões de famílias.
O panorama se agrava em um contexto que muitos comparam ao Período Especial, embora agora com menos apoio estatal, maior dependência do mercado informal e um sistema de racionamento quase simbólico.
Perguntas frequentes sobre insalubridade e abusos na planta estatal de alimentos em Havana
Quais são as principais acusações contra a planta El Tigre em Havana?
A planta El Tigre enfrenta acusações de manipulação insalubre de alimentos e abuso de autoridade. Denuncia-se que a massa de croquetes é colocada no chão e que produtos deteriorados são misturados com novos. Além disso, a diretora é acusada de maltratar o pessoal e se beneficiar de sua posição para obter luxos.
Como a insalubridade em El Tigre afeta as famílias cubanas?
Os produtos insalubres de El Tigre são consumidos principalmente por famílias de baixos recursos, incluindo aquelas com crianças. Isso agrava a preocupação com os riscos sanitários, uma vez que as famílias mais vulneráveis dependem desses alimentos para sua alimentação diária.
Que reações a denúncia sobre a planta El Tigre gerou nas redes sociais?
A denúncia provocou indignação generalizada entre os cidadãos. Comentários nas redes sociais destacam que a insalubridade é um problema disseminado e criticam a dupla moral das autoridades sanitárias que ignoram essas condições em centros estaduais enquanto multam negócios privados.
Que medidas o governo cubano tomou diante da atual crise alimentar?
O governo implementou medidas como a venda de croquetes e tostones como alternativas alimentares, devido à escassez de produtos essenciais como o pão. No entanto, a qualidade dos alimentos continua a deteriorar-se e a população critica essas medidas como insuficientes diante da crise.
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