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Em meio a apagões diários, fogões elétricos no limite e um país mergulhado na incerteza energética, a Venezuela aumentou em julho seus envios de crude e derivados para Cuba, alcançando 31.000 barris diários (bpd). Embora represente um aumento significativo em relação ao mínimo histórico de junho, quando apenas chegaram 8.000 bpd, o volume continua sendo insuficiente para conter a crise que atravessa a Ilha.
Segundo dados revelados pela agência Reuters, os embarques incluem petróleo bruto, gasolina e combustível para aeronaves, e colocam Cuba novamente no mapa energético de seu principal aliado político. Mas a realidade no país continua a mesma, com longas interrupções de energia, déficit de geração e a impossibilidade de pagar por gás liquefeito ancorado há meses no porto.
“Temos uma fórmula com a Venezuela”, admitiu em maio o ministro de Energia, Vicente de la O Levy. Mas nem ele nem o próprio Miguel Díaz-Canel quiseram fornecer detalhes dessa estratégia, com o argumento de que poderiam ser alvo de sanções internacionais.
Embora o regime insista que se está trabalhando “em dois cenários, com e sem combustível”, a verdade é que o povo cubano já vive sob o segundo. Precisamente, a União Elétrica relatou nesta segunda-feira um déficit de geração superior a 1.700 megawatts, afetando diretamente o sistema de geração distribuída, que depende do combustível importado.
As palavras oficiais não são suficientes para explicar como milhões de cubanos enfrentam dias sem eletricidade, noites sem ventilador e cozinhas apagadas, enquanto ouvem falar de barris que não chegam ou que chegam atrasados.
Apesar do aumento em julho, o volume enviado da Venezuela segue muito abaixo dos 55.000 bpd acordados em 2000 entre os ditadores Hugo Chávez e Fidel Castro, e distante dos mais de 100.000 bpd que Caracas chegou a enviar em anos de bonança.
Enquanto isso, Chevron e outros parceiros da PDVSA têm autorização de Washington para retomar operações após a suspensão das licenças. Segundo Reuters, os novos mecanismos podem incluir pagamentos em espécie e trocas de petróleo por diluentes, o que revelaria a precariedade financeira do regime de Maduro.
China, como de costume, acaparou 95% do petróleo venezuelano, e embora Havana tenha conseguido uma porção mínima, o certo é que o destino do petróleo continua mais voltado para a Ásia do que para o Caribe.
No obstante, a cada anúncio de “melhorias a caminho”, o cubano comum responde com resignação e um leque. O povo está cansado de “fórmulas secretas”, de promessas que não se traduzem em energia, e de discursos onde a culpa está sempre do lado de fora.
Em palavras do próprio ministro De la O Levy, a Ilha deveria importar cinco milhões de toneladas de combustível por ano, mas agora consome “apenas petróleo bruto de importação” porque sua produção nacional desabou. O restante são estimativas, silêncios e apagões.
Perguntas frequentes sobre o fornecimento de petróleo da Venezuela a Cuba
Qual é a situação atual do fornecimento de petróleo da Venezuela para Cuba?
Em julho, a Venezuela aumentou seus envios de petróleo e derivados para Cuba, alcançando 31.000 barris diários, um aumento significativo em relação a junho, quando apenas chegaram 8.000 barris diários. No entanto, esse volume ainda é insuficiente para resolver a crise energética na ilha.
Quais são os impactos da crise energética em Cuba devido à falta de combustível?
A crise energética em Cuba provocou apagões diários, fogões elétricos no limite e uma grave incerteza energética. O déficit de geração elétrica ultrapassa 1.700 megawatts, afetando diretamente o sistema de geração distribuída que depende do combustível importado. Isso resultou em interrupções prolongadas de serviços básicos e um ambiente adverso para os negócios e a vida cotidiana dos cubanos.
Por que é insuficiente o aumento das remessas de petróleo da Venezuela para Cuba?
Embora o aumento nas remessas da Venezuela para Cuba seja notável, o volume atual de 31.000 barris diários está muito abaixo dos 55.000 barris diários acordados no ano 2000 entre Hugo Chávez e Fidel Castro, e distante dos mais de 100.000 barris diários que foram enviados em anos de bonança. Isso significa que o fornecimento não é suficiente para cobrir as necessidades energéticas da ilha.
Quais medidas o governo cubano está tomando para enfrentar a crise energética?
O governo cubano anunciou a incorporação de mais parques solares para aumentar a capacidade de geração de energia. No entanto, esses esforços não são suficientes para suprir o déficit atual devido à falta de combustível e à obsolescência das termelétricas. Além disso, foi admitido que os apagões continuarão afetando a vida cotidiana dos cubanos.
Como a situação política na Venezuela afeta o fornecimento de petróleo a Cuba?
A situação política na Venezuela, incluindo sanções internacionais e problemas internos, impactou diretamente o fornecimento de petróleo para Cuba. As sanções dos Estados Unidos complicaram as operações de exportação de petróleo venezuelano. Recentemente, a saída da Chevron da Venezuela pode obrigar o regime de Maduro a buscar novos mercados e aumentar os envios para parceiros como Cuba, a fim de compensar a perda de receitas.
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