Crise elétrica em Cuba colapsa comunicações: Recomenda-se usar apenas 2G

A crise elétrica em Cuba colapsa as telecomunicações. A ETECSA, sem respaldo energético em suas radiobases, sugere usar apenas 2G para chamadas e Transfermóvil. Usuários criticam sua ineficiência e cobranças em divisas.

Cubano conectado à internet (Imagem de referência)Foto © CiberCuba

Vídeos relacionados:

As soluções que o regime oferece diante da crise elétrica em Cuba estão se tornando cada vez mais absurdas: agora, diante do colapso das telecomunicações, recomendam à população que mude a configuração de seus telefones para apenas 2G, na tentativa de manter a comunicação, e que utilizem a plataforma de pagamentos Transfermóvil.

Segundo informou o jornal oficialista Sierra Maestra, em seu perfil no Facebook, a maioria das radiobases da ETECSA não possui respaldo energético e se desligam durante os apagões.

Captura Facebook / Sierra Maestra

As poucas que continuam funcionando ficam saturadas pela alta demanda, o que deixa grande parte da população sem acesso a chamadas, mensagens ou internet.

O colapso também afeta Transfermóvil, ferramenta chave para as transações em um país com escassez de dinheiro.

Muitos usuários relataram a mensagem de erro “Erro de conexão ou MMI incorreto”, o que impede o uso do serviço.

Como medida temporal –segundo eles–, é solicitado aos cubanos que mudem a configuração de seus dispositivos e se conectem apenas à rede 2G, que, embora mais estável nessas circunstâncias, não permite acesso à internet.

Enquanto a crise energética se agrava, as autoridades continuam a oferecer paliativos que, longe de resolver o problema, evidenciam o deterioramento da infraestrutura do país.

Na seção de comentários, os usuários questionaram a gestão do monopólio da Empresa de Telecomunicações de Cuba (ETECSA) – a única existente no país – que, apesar de cobrar em dólares pelas recargas internacionais, sempre justifica sua ineficiência com a falta de fundos.

Eduardo Mariño del Pino afirmou: “A ETECSA não tem dinheiro? Informem quantas recargas recebe todos os meses, não apenas do exterior, mas todas. A matemática é uma só.”

“E assim falaram sobre querer aumentar os preços da tarifa de internet. Com o mau serviço que já existia. Com os apagões, ainda pior”, assegurou Rafael Guzmán.

Raúl J Aguilar Ricardo sublinhou: “E demonstrando que ‘¿Sí se puede?’. O único que conseguem imaginar é retroceder. Porque sugerir a implementação da 2G é simplesmente voltar aos anos 90. Ou será que querem ‘acostumar’ o povo a não ter acesso à Internet? Apenas algo para refletir”.

Mariano Arturo Ochoa Poveda acrescentou: “Por favor, informem-se corretamente. A 2G realmente permite o uso da internet. Devido à sua velocidade, é mais apropriada para mensagens de texto. Transfermóvil não necessita de internet para realizar o pagamento, mas o comércio precisa da conexão para confirmar, a partir da plataforma do Bulevar, que o pagamento foi realizado corretamente.”

Além disso, criticou: “Quando se fala de bancarização, só se ‘gira’ em torno do banco. Mas a capacitação deve abranger várias áreas, incluindo a imprensa.”

Por último, Gisela Mancebo Guerra apontou: “Muitos de nós perdemos o pacote que se compra e que expira em um mês devido a esse problema de conexão, o que é dinheiro, e no final não prorrogam nem ao menos o tempo ou repondo o que foi perdido. No final, sempre saímos perdendo apesar de pagarmos. A conexão e o trabalho da ETECSA são deficientes.”

Apesar da debacle que o país enfrenta na área energética, que se reflete nas telecomunicações, em dezembro último o regime informou que aumentará as tarifas de internet a partir de 2025 e introduzirá novos pacotes e serviços em moeda estrangeira.

Assim o anunciou o primeiro-ministro do regime cubano, Manuel Marrero Cruz, durante uma intervenção na Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP), realizada em Havana.

Em janeiro, o monopólio da ETECSA confirmou que elaborou um plano para implementar cobranças de seus serviços em divisas.

Em uma coletiva de imprensa, Tania Velázquez, presidenta executiva da entidade, revelou que as receitas em divisas representam apenas 10% da receita total e, apesar disso, os preços se mantiveram estáticos, o que obriga a empresa a sustentar a rede e pagar suas dívidas internacionais.

Perguntas Frequentes sobre a Crise de Telecomunicações e Energética em Cuba

Por que se recomenda usar apenas 2G em Cuba?

Ante o colapso das telecomunicações em Cuba devido à crise elétrica, recomenda-se à população que altere a configuração de seus telefones para apenas 2G. A rede 2G, embora mais lenta, é mais estável nestas circunstâncias e permite manter a comunicação básica, embora não ofereça acesso à internet. Esta medida foi sugerida porque muitas radiobases da ETECSA não possuem backup energético e desligam-se durante os apagões, sobrecarregando as poucas que permanecem operativas.

Qual é o impacto da crise elétrica em serviços como o Transfermóvil?

A crise elétrica em Cuba afetou significativamente serviços como o Transfermóvil, uma plataforma chave para transações financeiras em um país com escassez de dinheiro em espécie. O colapso das telecomunicações impede muitos usuários de realizarem pagamentos, pois o serviço requer uma conexão estável para funcionar corretamente. Isso aumentou a frustração entre a população, que depende desses serviços para suas transações diárias.

Como a crise energética está afetando as telecomunicações em Cuba?

A crise energética em Cuba provocou um colapso nas telecomunicações, já que muitas radiobases da ETECSA são desligadas durante as quedas de energia devido à falta de suporte energético. Isso deixa grande parte da população sem acesso a chamadas, mensagens ou internet. As poucas radiobases que continuam operativas se sobrecarregam rapidamente devido à alta demanda, piorando a situação de comunicação em todo o país.

Quais críticas ETECSA recebe por sua gestão durante a crise?

ETECSA, o monopólio de telecomunicações em Cuba, tem recebido críticas por sua gestão durante a crise energética. Os usuários questionam a falta de investimento em infraestrutura e a justificativa da empresa sobre a falta de fundos, apesar de cobrar em dólares pelas recargas internacionais. Além disso, critica-se a proposta de aumento das tarifas de internet, que foi recebida com amplo rechazo por parte da população.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.