A China acusa os EUA de violar o direito internacional após a apreensão de um petroleiro venezuelano a caminho da Ásia



A China condena a interceptação por parte dos EUA de um petroleiro com petróleo venezuelano a caminho da China, qualificando-a como uma violação do direito internacional, em meio a tensões em decorrência das sanções contra Maduro.

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian/Embarcação interceptada (imagem de referência)Foto © Collage de X/@Reuters/CiberCuba

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O governo da China acusou nesta segunda-feira os Estados Unidos de cometer uma “grave violação do direito internacional” após a interceptação de um petroleiro com petróleo venezuelano que se dirigia ao território chinês, em meio à escalada de tensões pelo endurecimento das sanções contra o regime de Nicolás Maduro.

Durante uma coletiva de imprensa diária, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que a Venezuela tem o direito de desenvolver relações comerciais com outros países e reiterou a oposição de Pequim às sanções que qualificou de “unilaterais e ilegais”, segundo a agência Reuters.

As declarações foram feitas após o sábado, quando a Guarda Costeira dos Estados Unidos interceptou um segundo petroleiro em águas internacionais frente à costa venezuelana, poucos dias depois que o presidente Donald Trump anunciou um “bloqueio” contra todos os navios sancionados que entram ou saem da Venezuela.

De acordo com documentos revisados por agências internacionais, o petroleiro Centuries havia sido carregado na Venezuela sob o nome falso “Crag” e transportava cerca de 1,8 milhões de barris de petróleo Merey, com destino final à China.

O carregamento teria sido adquirido pela Satau Tijana Oil Trading, uma das várias empresas intermediárias utilizadas pela estatal PDVSA para vender petróleo venezuelano a refinarias independentes chinesas, segundo os documentos.

Um porta-voz da Casa Branca afirmou que se tratava de um “navio de bandeira falsa”, que transportava petróleo sancionado e fazia parte da chamada “flota fantasma” da Venezuela, utilizada para contornar restrições internacionais.

Por sua parte, o governo venezuelano qualificou a interceptação do petroleiro como um “grave ato de pirataria internacional”, juntando-se às críticas contra Washington pelo uso da força naval no Caribe.

A China é atualmente o maior comprador de petróleo venezuelano, que representa aproximadamente 4% de suas importações totais de petróleo, o que torna esse tipo de interdição um ponto sensível na relação entre Pequim e Washington.

A apreensão do navio se insere em uma estratégia mais ampla de pressão dos Estados Unidos para limitar as receitas petrolíferas do regime de Maduro, uma política que tem incluído interdições marítimas, confiscos de carregamentos e retenção de embarcações, elevando a tensão diplomática e comercial na região.

Na quarta-feira passada, a China expressou seu apoio à Venezuela e sua rejeição ao que qualificou como “intimidação unilateral”, em meio ao aumento da pressão dos EUA sobre o país sul-americano.

O pronunciamento ocorreu durante uma chamada telefônica entre o chanceler chinês Wang Yi e seu homólogo venezuelano Yvan Gil, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China citado pela Reuters.

Na conversa, Wang afirmou que a China “apoia os países na salvaguarda de sua própria soberania” e sustentou que a China e a Venezuela são parceiros estratégicos, com uma relação marcada pela “confiança e apoio mútuos”.

De acordo com o mencionado veículo, o ministro chinês acrescentou que “a comunidade internacional entende e apoia a posição da Venezuela na defesa de seus direitos e interesses legítimos”, reforçando a mensagem de apoio diplomático de Pequim a Caracas.

O despacho enquadra essas declarações no contexto da pressão que, segundo Reuters, o presidente americano Donald Trump intensificou sobre a Venezuela.

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