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Em meio à crise econômica e à escassez de alimentos que aflige as famílias cubanas, a Tiendas Caribe anunciou a venda de uvas e maçãs importadas dos Estados Unidos em sua loja Harris Brothers, localizada na O’Reilly entre Bernaza e Villegas, na Habana Vieja.
Según a , as maçãs estão à venda por 60 centavos de dólar — cerca de 264 pesos cubanos na taxa de câmbio informal — e as uvas estão a 11 dólares, equivalentes a cerca de 4.840 pesos, disponíveis apenas para pagamentos com cartões internacionais ou em dinheiro em dólares.
A promoção, apresentada como uma “oferta”, gerou uma onda de críticas e comentários sarcásticos dos internautas, que não demoraram a apontar o contraste entre os preços e a dura realidade econômica do país.
“Essas uvas trazem ouro por dentro, não?”, ironizou Yuriel Fdez, enquanto Katiuska Montero acrescentou: “As uvas têm algum pedacinho de ouro”.
No mesmo tom, Rosa María Pérez Alayo escreveu que as frutas devem vir “dos vinhedos das terras vermelhas de Alín, porque têm diamantes”.
Outros comentários refletiram frustração e raiva diante do que muitos classificam como um novo símbolo do luxo inacessível em Cuba.
“Estamos pior do que antes de 59”, lamentou Rosy García, lembrando que “naquela época todos podiam comer uvas e maçãs; agora, apenas aqueles que têm família no exterior ou cartões em moeda forte”.
O humor não faltou entre os usuários. “O salário de um médico em um pacotinho de uvas”, escreveu Yordanys Núñez, enquanto Hamaya Cuesta perguntou se “as uvas vêm com visto incluído”.
Por sua parte, Rosa María Hoyos Fornaris brincou: “Doze bolinhas de ervilhas fazem o mesmo efeito, e vêm com proteínas incluídas”.
Outras opiniões apontaram para o duplo discurso do governo. “As uvas são dos Estados Unidos e são vendidas pelo próprio governo cubano, o mesmo que culpa o bloqueio por todos os males”, escreveu Irene Rondón Izquierdo.
Enquanto isso, Ruth Matos considerou o preço “uma falta de respeito e uma zombaria que o ministro da Economia deveria analisar”.
Entre as reações mais compartilhadas, Julia Arencibia Ledesma resumiu o sentimento de muitos com uma frase direta: “Mais uma grande conquista da revolução”.
Os comentários refletem o crescente descontentamento dos cubanos com as lojas em dólares, onde os preços estão fixados em divisas inacessíveis para a maioria.
Em um país onde o salário médio gira em torno de 20 dólares mensais, comprar um pacote de uvas equivale a meio mês de trabalho.
A venda dessas frutas importadas dos Estados Unidos —país que o regime acusa de ser responsável pelo desabastecimento— evidencia a contradição de um sistema que recorre aos mercados estrangeiros enquanto culpa o “bloqueio” por sua ineficiência.
A loja Harris Brothers, administrada por Tiendas Caribe sob o conglomerado militar GAESA, tornou-se um símbolo da desigualdade que domina a economia cubana atual: estabelecimentos cheios de produtos importados que a maioria só pode contemplar através do vidro.
Enquanto o acesso a produtos básicos continua sendo um desafio para a maioria dos cubanos, as lojas estatais seguem oferecendo itens essenciais em dólares, fora do alcance de quem depende do salário em pesos.
Em Havana, foi denunciado que produtos como repelente infantil e cremes para picadas estão disponíveis exclusivamente em divisas, mesmo em meio a surtos de doenças como a dengue.
Esta prática afeta especialmente famílias com crianças pequenas, obrigadas a enfrentar preços em moeda estrangeira para proteger a saúde de seus filhos.
Dias depois, outra oferta polêmica veio à tona: um pedaço de carne bovina importada dos Estados Unidos estava sendo vendido a 330 dólares no supermercado da 3ª com 70, no município Playa.
A cifra supera mais de um ano de salário médio na ilha e gerou reações de indignação entre os consumidores, que veem nesse tipo de preço uma demonstração da crescente desigualdade e da desconexão do sistema comercial estatal com a realidade da população cubana.
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