Estados Unidos confirma que ampliará o veto migratório para 30 países



Kristi Noem, secretária de Segurança Nacional, disse que a ampliação do veto migratório será significativa, mas não divulgou números. "O presidente continua avaliando países."

Viajantes no Aeroporto de Miami (Imagem de referência)Foto © Facebook / Aeroporto de Miami

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Os Estados Unidos ampliarão a lista de países sujeitos a proibições de viagem e restrições de entrada, uma decisão que pode elevar o número total para mais de 30 nações, conforme confirmou nesta quinta-feira a secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, em declarações à Fox News.

Durante uma entrevista, Noem foi questionada se a administração do presidente Donald Trump planejaria aumentar a lista de veto migratório para 32 países.

Embora tenha evitado fornecer um número exato, confirmou que a ampliação será significativa. "Não vou ser específica em relação ao número, mas são mais de 30, e o presidente continua avaliando países", destacou.

A secretaria justificou a política com um enfoque centrado na falta de estabilidade institucional em certas regiões.

"Se não tiverem um governo estável lá, se não tiverem um país que consiga se sustentar e nos dizer quem são essas pessoas e nos ajudar a investigá-las, por que deveríamos permitir que pessoas desse país venham para os Estados Unidos?", expressou.

Não especificou quais nações seriam adicionadas.

As limitações afetam tanto imigrantes quanto não imigrantes, incluindo turistas, estudantes e viajantes de negócios.

A medida ocorre em um contexto de crescente tensão política e após meses de avaliações internas.

Em junho, Trump assinou uma proclamação que proíbe a entrada de cidadãos de 12 países e estabelece restrições parciais para outros sete, argumentando razões de segurança nacional diante de ameaças de "terroristas estrangeiros".

Reuters havia reportado anteriormente que a administração avaliava proibir a entrada de cidadãos de 36 países adicionais, de acordo com um comunicado interno do Departamento de Estado, o que já previa uma expansão considerável da política.

Uma reviravolta após o tiroteio em Washington D.C.

O impulso renovado às restrições migratórias chega após o tiroteio em que dois membros da Guarda Nacional foram atacados em Washington D.C., um fato que teve um forte impacto político. Um dos militares morreu.

O responsável foi um cidadão afegão que entrou nos Estados Unidos em 2021 através de um programa de reassentamento. Funcionários da administração Trump têm questionado desde então a rigorosidade dos processos de verificação aplicados a esse caso.

Dias após o ataque, Trump prometeu "pausar permanentemente" a migração de todos os países do terceiro mundo, sem identificar a quais se referia, uma declaração que marcou o tom das novas decisões.

Antecedentes: uma medida que estava em gestação

A ampliação do veto migratório já estava sendo considerada pela administração e havia sido fortemente impulsionada por Noem. Em mensagens publicadas em sua conta no X, a secretária defendeu uma proibição mais ampla e usou uma linguagem especialmente dura.

Recomendo a proibição total de viagens para todos os países que têm inundado nossa nação com assassinos, sanguessugas e viciados em direitos", afirmou.

Em outra publicação, acrescentou: "Nossos antepassados construíram esta nação com sangue, suor e um amor inquebrantável pela liberdade, não para que invasores estrangeiros massacre nossos heróis... NÃO OS QUEREMOS. NEM UM SÓ".

Uma lista que já inclui 19 países

Atualmente, os Estados Unidos mantêm restrições totais ou parciais para cidadãos de 19 países sob a proclamação presidencial 10949, emitida em 4 de junho de 2025.

As restrições totais afetam 12 países: Afeganistão, Mianmar (Birmania), Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iémen.

Outros sete países -Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela- enfrentam limitações parciais. Nesses casos, algumas isenções se aplicam a viajantes com dupla nacionalidade ou com vistos diplomáticos específicos, como os A-1 ou G-4.

Washington argumenta que essas restrições se baseiam em problemas de segurança, falta de cooperação governamental e dificuldades para verificar a identidade dos viajantes.

No caso de Cuba, justifica a medida pela sua designação como "estado patrocinador do terrorismo" e pela recusa do governo cubano em colaborar em processos de repatriação.

A Venezuela, por sua vez, é apontada por não ter uma autoridade central capaz de emitir documentos civis confiáveis.

Suspensão de solicitações e revisão de casos

Paralelamente à possível ampliação do veto, foram introduzidas medidas imediatas.

O Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) suspendeu todos os pedidos de imigração provenientes dos 19 países atualmente restritos e ordenou a reavaliação dos cartões de residência já emitidos para cidadãos dessas nações.

O diretor do USCIS, Joe Edlow, anunciou uma atualização dos critérios que permitirá considerar certos fatores nacionais como elementos "negativos significativos" em futuras análises.

"Pausaremos todas as decisões de asilo até que possamos garantir que cada estrangeiro seja investigado e examinado da forma mais completa possível", afirmou.

O Departamento de Segurança Nacional também confirmou que está avaliando todos os casos de asilo aprovados durante o governo de Joe Biden, em um esforço para endurecer ainda mais os filtros do sistema.

Um enfoque mais agressivo

Trump manifestou abertamente sua intenção de frear drasticamente a imigração de países que considera arriscados, e Noem apoiou uma linha igualmente rigorosa.

A ausência de uma lista definitiva mantém em incerteza milhões de pessoas que podem ter impedida sua entrada nos Estados Unidos, seja para turismo, reunificação familiar ou pedidos de asilo.

Uma medida com impacto global

Se aprovada, a ampliação do veto migratório equivaleria a uma das restrições mais abrangentes da história recente do país.

Organizações de direitos humanos e comunidades migrantes expressaram preocupação quanto ao alcance da política, que pode ter profundas implicações humanitárias e diplomáticas.

O que começou como uma reação a um incidente violento pode se transformar em uma mudança em grande escala na política migratória dos Estados Unidos, com efeitos que serão sentidos muito além de suas fronteiras.

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