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A secretária de Segurança Nacional dos EUA, Kristi Noem, pediu nesta segunda-feira ao presidente Donald Trump que implemente uma proibição total de viagens para cidadãos de países que -segundo afirma- têm “inundado” a nação com “invasores estrangeiros”.
A declaração, carregada de linguagem incendiária, foi divulgada por Noem através de sua conta na rede social X e gerou um amplo debate.
“Acabei de me reunir com o presidente. Recomendo a proibição total de viagens para todos os países que têm inundado nossa nação de assassinos, sanguessugas e viciados em assistência social”, escreveu Noem em um novo e polêmico episódio do endurecimento da política migratória americana.
Sem oferecer nomes concretos dos países mencionados, a funcionária apelou a uma narrativa alarmista para justificar sua proposta: uma visão da imigração como uma ameaça existencial que compromete a segurança, a economia e os valores fundacionais da nação.
“Nossos antepassados construíram esta nação com sangue, suor e um amor inabalável pela liberdade, não para que invasores estrangeiros massacrem nossos heróis, esgotem nossos impostos conquistados com tanto esforço ou nos tirem os benefícios que devemos aos americanos. Não os queremos. Nenhum deles”, concluiu.
Um ataque político após um caso de violência
As declarações de Noem ocorrem após um trágico incidente ocorrido em Washington, onde um imigrante afegão disparou contra dois membros da Guarda Nacional, causando a morte de um deles.
O caso foi rapidamente instrumentalizado pela administração Trump para justificar um novo pacote de medidas drásticas contra a imigração.
Em resposta direta a esse fato, o próprio presidente Trump congelou os pedidos de asilo e suspendeu os trâmites migratórios para cidadãos afegãos, inclusive aqueles que trabalharam ao lado das forças norte-americanas em conflitos internacionais.
O episódio se tornou um catalisador de uma narrativa mais ampla que busca apresentar a imigração - especialmente a partir de países pobres ou em conflito - como uma “invasão destrutiva”.
Trump endurece seu discurso: O “Terceiro Mundo” sob fogo
Na semana passada, Trump reforçou sua posição com uma mensagem publicada durante o feriado de Ação de Graças no Truth Social.
Lá anunciou sua intenção desuspender “permanentemente” a migração de todos os países do Terceiro Mundo, sem especificar uma lista definitiva, mas contextualizando suas ações em termos de “recuperação nacional”.
“Suspenderei permanentemente a migração de todos os países do Terceiro Mundo para permitir que o sistema americano se recupere completamente”, afirmou.
"Eliminarei os milhões de admissões ilegais de Biden, incluindo as assinadas pelo Autopen de Sleepy Joe Biden, e expulsarei qualquer um que não seja um ativo líquido para os Estados Unidos ou que seja incapaz de amar nosso país", acrescentou.
A publicação, que rapidamente se tornou viral, representa um dos maiores endurecimentos na história recente da política migratória dos Estados Unidos.
Trump proclama uma política de “migração inversa”, com a promessa explícita de expulsões em massa, revogação de benefícios e desnaturalização de imigrantes.
"Eliminarei todos os benefícios e subsídios federais para os não cidadãos do nosso país; desnaturalizarei os migrantes que coloquem em risco a tranquilidade nacional e deportarei qualquer estrangeiro que seja um peso público, um risco à segurança ou incompatível com a civilização ocidental", sentenciou.
Uma lista crescente de países proibidos
Este não é o primeiro intento da administração Trump nos últimos meses para bloquear a entrada de cidadãos de determinados países.
Em junho passado, seu governo aprovou uma proibição total de viagem para cidadãos do Afeganistão, Mianmar, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iémen.
Adicionalmente, impôs restrições parciais de visto para pessoas provenientes de Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela.
Organizações de direitos civis e especialistas legais questionaram a legalidade e a eficácia dessas políticas, apontando que a criminalização coletiva de comunidades inteiras com base em seu país de origem fere princípios fundamentais do direito internacional e da Constituição dos Estados Unidos.
Ainda assim, Trump e seus funcionários, como Kristi Noem, mantêm um discurso centrado no medo, no ressentimento econômico e na identidade nacional.
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