Governo cubano mobiliza transporte para ato do Granma enquanto o país sofre com a falta de combustível



Imagens divulgadas por meios provinciais do regime, como a CNC TV Granma, mostram filas de ônibus transportando os participantes para o ato político.

Ato em GranmaFoto © Facebook/CNC TV Granma

Vídeos relacionados:

Enquanto Cuba enfrenta uma das piores crises energéticas em anos, com escassez de combustível, apagões prolongados e transporte paralisado, o regime de Havana mobilizou nesta segunda-feira carreatas de ônibus e veículos oficiais para celebrar o aniversário 69 do desembarque do iate Granma na Playa Las Coloradas, Niquero.

Imagens divulgadas por meios provinciais do regime, como CNC TV Granma, mostram filas de ônibus transportando os participantes para o ato político, enquanto a maioria dos cubanos enfrenta enormes dificuldades para se deslocar mesmo dentro de seus municípios.

“Desde a sede municipal em Niquero, saiu a caravana com os participantes do ato provincial pelo #69Aniversário do Desembarco do Iate Granma”, publicou a televisão estatal, mostrando imagens da mobilização.

Publicação no Facebook

A comemoração foi presidida por Yudelkis Ortiz Barceló, primeira secretária do Partido Comunista em Granma, e Yaritza Jérez Cabrera, primeira secretária da UJC na região, junto a outros funcionários políticos e governamentais.

Segundo a imprensa oficial, o evento incluiu a entrega de carteiras a novos militantes comunistas e discursos sobre “unidade e patriotismo herdados dos heróis da Revolução”.

O ato, no entanto, gerou críticas e comentários de indignação nas redes sociais, onde usuários questionaram o uso de combustíveis e transporte estatal para atividades políticas enquanto os recursos para a população são escassos.

A ilha enfrenta apagões intermináveis e também não há combustível para fumigar e controlar a praga de mosquitos, responsáveis por várias arboviroses na ilha.

Em cidades como Holguín, Camagüey e Havana, o transporte público está praticamente paralisado e as filas para obter gasolina ou diesel duram dias.

“Para os atos do Partido sempre há combustível, mas para levar enfermos ou alimentos não aparece uma gota”, escreveu um internauta, refletindo o mal-estar popular que se espalha por todo o país.

O evento repetiu as consignas tradicionais do oficialismo, entre elas a frase atribuída a Fidel Castro: “Se saímos, chegamos; se chegamos, entramos; se entramos, triunfamos.”

A imprensa estatal exaltou o desembarque dos 82 expedicionários do iate Granma como “o alicerce da Revolução Cubana”, enquanto ignorou a crítica situação econômica e social pela qual a ilha passa.

A comemoração do 2 de dezembro de 1956 ocorre em meio a uma das piores crises de abastecimento de combustível desde o chamado “Período Especial”.

Em muitas províncias, os hospitais tiveram que reduzir serviços, as termoelétricas operam no mínimo e o transporte intermunicipal está praticamente suspenso.

Apesar disso, o regime mantém sua agenda de atos políticos e simbólicos com ampla cobertura da mídia e mobilização de recursos.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.