
Vídeos relacionados:
A crise energética em Cuba continua se aprofundando, enquanto o governo volta a admitir uma situação de colapso elétrico que afeta a população dia e noite.
A União Elétrica (UNE) informou que no sábado o país sofreu apagões durante as 24 horas, revelando uma incapacidade estrutural do sistema para garantir um serviço básico que deveria sustentar lares, hospitais, centros de produção e escolas.
De acordo com a parte oficial, a máxima afetação do dia anterior atingiu 1733 MW às 19:00, o que evidencia uma demanda não atendida que o sistema elétrico nem sequer consegue cobrir.
Este domingo, o Sistema Elétrico Nacional (SEN) amanheceu com apenas 1505 MW disponíveis em frente a uma demanda de 2214 MW, deixando 721 MW de consumidores sem eletricidade desde as primeiras horas.
Para o meio-dia, estima-se uma afetacão de 850 MW.
A crise se agrava porque a geração térmica -pilar fundamental do sistema- está colapsada.
Cinco unidades-chave estão fora de serviço, algumas por avarias e outras por manutenção que parece se prolongar indefinidamente: a unidade 2 da termelétrica Felton e as unidades 3 e 6 de Renté permanecem avariadas, enquanto Santa Cruz (unidade 2) e Cienfuegos (unidade 4) estão em manutenção.
Enquanto o Estado fala de "intervenções programadas", a realidade é que a falta de peças, investimento e planos de renovação levaram essas plantas a operar em condições limites até que finalmente deixam de funcionar.
Mas o maior sinal de negligência governamental está no setor de geração distribuída. 97 centrais estão fora de operação por falta de combustível e outras 66 MW indisponíveis por falta de lubrificantes, totalizando 866 MW fora de circulação.
Em um país que destina recursos a hotéis e megaprojetações turísticas, a incapacidade de garantir lubrificante para abastecer geradores essenciais é um reflexo direto de prioridades estatais que não favorecem a população.
A UNE assegurou que, para o horário de pico, seria incorporada a unidade 1 da Energas Varadero com apenas 30 MW, um número insignificante em comparação com a demanda noturna prevista de 3200 MW.
Com essa potência acumulada, espera-se que, durante o horário de pico, haja uma disponibilidade de 1535 MW e uma demanda máxima de 3200 MW, resultando em um déficit significativo de 1665 MW.
Espera-se que a afetacão chegue a 1735 MW, praticamente o mesmo que o consumo médio do país durante várias horas diárias.
Por último, embora a UNE tenha destacado que os 32 novos parques solares fotovoltaicos geraram 2479 MWh, esse número, apresentado como um aval técnico do "investimento estatal", mal alivia o panorama.
Havana não escapa à crise
O colapso em Havana, normalmente priorizada em relação ao resto do país, é mais uma demonstração do descontrole: a Empresa Elétrica da capital informou que a província sofreu apagões durante 10 horas e 41 minutos, com uma redução máxima de 164 MW às 19h.
O serviço só foi restabelecido após as 22h50.
Embora o comunicado apresente como positivo que de madrugada não houve apagões, a normalização do desastre já se mostra como uma estratégia comunicativa: elogia-se que, pelo menos enquanto a maioria dorme, houve eletricidade.
A crise elétrica em Cuba não é fruto de um fenômeno climático extraordinário nem de um evento inesperado: é resultado de décadas de abandono, falta de investimento, má gestão estatal e dependência do petróleo sem um planejamento real de modernização.
Enquanto o governo continua culpando fatores externos, as termoelétricas se desligam por desgaste, os geradores param por falta de combustível e o povo permanece no escuro, arcando com o custo de um sistema incapaz de se sustentar.
Arquivado em: