A criadora de conteúdos cubana Ari de La Habana (@ari_delahabana), , publicou uma mensagem impactante no Instagram onde denunciou a gravidade do atual surto de arbovirose que assola o país.
Em um vídeo gravado na La Piragua, no pleno Vedado, Ari confirmou que seu avô morreu devido a complicações decorrentes da chikungunya e pediu aos cubanos que “se cuidem e cuidem dos mais velhos e das crianças”, enquanto questionou duramente a continuidade da chegada de turismo estrangeiro em meio à emergência sanitária.
O vírus realmente está matando. Há dois dias, meu avô faleceu no hospital Fajardo, devido a complicações do vírus. Ele tinha 82 anos, mas foi infectado e não resistiu, relatou visivelmente emocionada.
A influencer, mãe de duas meninas pequenas, assegurou que os hospitais estão sobrecarregados e que há “muitas crianças em estado crítico”, algo que coincide com os números oficiais recentes do ministério da Saúde Pública, que admitiu a hospitalização de 34 menores em condição grave ou crítica por chikungunya.
Ari pediu às famílias que usassem repelente, cobrisse os menores e evitassem a exposição aos mosquitos, mas ao mesmo tempo apontou a paradoxo de ver ônibus lotados de turistas enquanto o país vive uma epidemia fora de controle.
“Vi descer um monte de estrangeiros de dois ônibus. ¿A que vêm a Cuba? ¿A adoecer? Isto não é um jogo. Que não venham agora, que esperem, porque aqui há um vírus matando gente”, advertiu.
O vídeo se tornou viral nas redes sociais, transformando-se em uma das denúncias cidadãs mais contundentes das últimas semanas. Seu testemunho se soma aos centenas de relatos espontâneos sobre falecimentos, escassez de medicamentos e negligência médica que o regime não reconhece oficialmente.
Enquanto isso, o governante Miguel Díaz-Canel insiste em projetar uma imagem de controle e gestão científica, com reuniões televisionadas a partir do Palácio onde se fala de “protocolos” e “ações de acompanhamento”, mas sem publicar dados, orçamentos nem resultados concretos.
A última dessas reuniões, realizada em 20 de novembro, não anunciou medidas concretas: apenas referências a “estudos clínicos” do Instituto Pedro Kourí e promessas de “aperfeiçoar o protocolo cubano do chikungunya”. Nenhuma menção à escassez de inseticidas, aos surtos nas escolas ou ao colapso hospitalar.
A crise atingiu níveis inéditos. Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde, Cuba registra a taxa de chikungunya mais alta do continente, com mais de 20.000 infecções confirmadas até o início de novembro.
A circulação simultânea de dengue e oropouche colocou o sistema de saúde em seu ponto mais crítico em décadas.
Apesar disso, o ministério do Turismo mantém a chegada de voos e cruzeiros internacionais, sem advertências sanitárias para os viajantes nem restrições de entrada nas zonas mais afetadas.
Para muitos cubanos, a imagem de turistas passeando pelo Malecón enquanto hospitais carecem de antibióticos e as crianças são internadas com febre alta simboliza a desconexão total entre o regime e a realidade.
A dor pessoal de uma jovem habanera se tornou, assim, uma voz coletiva. Ari não fala apenas por seu avô, mas por um país inteiro que se sente doente, desamparado e enganado.
Enquanto o regime cubano continua a maquiar números e a organizar reuniões sem resultados, a verdade emerge nas redes, nos bairros e nos necrotérios: Cuba enfrenta uma epidemia que mata em silêncio, enquanto o governo finge não ver.
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