Declaram "secreto" um documento para impedir a defesa de cubano preso: "Retiraram a advogada"



As autoridades cubanas classificaram como segredo um documento chave, deixando William Sosa sem defesa legal. Sua advogada foi retirada por não conseguir acessar o processo, o que agrava sua vulnerabilidade jurídica.

William SosaFoto © Facebook / William Sosa

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As autoridades cubanas impediram que a advogada do preso político William Sosa, residente na província de Las Tunas, tivesse acesso a documentos-chave de seu processo, ao classificá-los repentinamente como “secretos” e “material sensível”, uma manobra legal que deixou o acusado sem defesa no momento mais crítico do processo.

Miguel Sosa, o filho de William, denunciou nas redes sociais que a advogada foi afastada do caso com o argumento de que não possui a autorização necessária para consultar um aviso administrativo que, em teoria, seu pai deveria ter recebido em mão há meses.

Essa advertência, que até agora era considerada um documento regular, foi de repente elevada à categoria de "classificado" e "secreto", o que, na prática, impede que a advogada possa conhecer seu conteúdo e utilizá-lo na estratégia de defesa.

Retiraram a advogada responsável pela sua defesa. A justificativa legal é incompreensível”, escreveu Miguel.

Captura de Facebook

"Decidiram catalogar como 'documento classificado' e 'secreto' um simples aviso administrativo que meu pai deve ter recebido em mãos há meses."

Para a família, trata-se de uma evidente contradição jurídica: como pode um documento que supostamente já foi entregue e lido pelo próprio interessado tornar-se segredo?

O efeito imediato dessa decisão, denuncia o filho do detido, é deixar William Sosa em um cenário de “total vulnerabilidade jurídica”, sem a advogada que o havia representado e sem acesso pleno às informações do seu próprio processo.

“Ao lhe dar essa categoria de repente, o que conseguem na prática é deixar meu pai sem sua defesa legal no momento mais crítico”, afirmou, acrescentando que já não está apenas privado de liberdade “por suas ideias”, mas que agora enfrenta um procedimento em que é obstaculizado seu direito fundamental de ser defendido.

Miguel Sosa lamentou que, com essa manobra, “as portas da justiça se fecham para nós” e descreveu o momento atual como um agravamento da indefesa em que se encontra seu pai.

Recordou que William sempre apostou na "análise e transparência", e, no entanto, hoje é vítima de um tecnicismo que o isola ainda mais do exterior e dos mecanismos de proteção legal.

“É importante que se saiba que, além da detenção, agora estão o deixando sozinho diante do sistema”, escreveu, pedindo ajuda para divulgar o caso.

O novo desdobramento ocorre após William Sosa ter sido transferido para a prisão após sua detenção no dia 12 de novembro, conforme denunciou seu filho.

“Já meu pai foi transferido para um centro penitenciário hoje. Obrigado por todo o apoio”, informou Miguel no Facebook, usando a conta de seu pai para confirmar a mudança de medida.

Sosa foi preso pela Segurança do Estado, acusado do crime de “desobediência”, uma figura do Código Penal cubano que, segundo organizações e ativistas, é frequentemente utilizada para punir cidadãos que expressam opiniões críticas sobre a realidade do país.

Sua família considera que se trata de uma detenção arbitrária, sem respaldo legal, destinada a silenciar suas publicações nas redes sociais.

O filho do detido lembra que as autoridades já haviam advertido seu pai por suas publicações no Facebook, antes de proceder à prisão.

“Seu crime foi pensar e escrever”, denunciou Miguel, ao sublinhar que William apenas compartilhava análises econômicas e sociais sobre a situação do país, “com respeito e pela razão”.

Para a família, o caso demonstra como as garantias de liberdade de pensamento e expressão previstas na Constituição cubana ficam na prática reduzidas "ao papel".

Em publicações anteriores, o jovem havia divulgado uma citação oficial que provaria que seu pai foi convocado pelas autoridades antes de ser detido, e havia alertado sobre o impacto humano da perseguição contra William: “Há um lar que precisa dele, que o espera e que sofre uma angústia terrível por essa injustiça”, escreveu.

Hoje, a essa angústia se soma a convicção de que, além de mantê-lo encarcerado por suas ideias, o sistema busca consolidar seu isolamento legal ao impedir que sua advogada tenha acesso aos documentos fundamentais do caso.

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