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O jornalista cubano José Jasán Nieves Cárdenas, diretor do meio independente El Toque, publicou neste domingo uma mensagem contundente no Facebook em que volta a denunciar a escalada de assédio do regime e reafirma publicamente seu compromisso político com a democracia em Cuba.
A declaração chega em meio a uma ofensiva midiática sem precedentes, que inclui acusações de "terrorismo financeiro", tentativas de fabricar causas penais e atos de repúdio fora da ilha.
“Eu quero o fim da ditadura em Cuba. Eu trabalho para mudar o regime político existente e trazer democracia, justiça e prosperidade ao meu país natal”, escreveu Nieves, em um texto onde afirma que o governo tenta silenciá-lo por meio de campanhas de difamação e pressões sobre sua equipe.
A declaração de Nieves ocorre dias depois de o porta-voz do governo Humberto López tê-lo acusado na televisão nacional de chefiar um esquema de “terrorismo financeiro”, supostamente responsável por “deprimir o nível de vida dos cubanos”. O apresentador inclusive sugeriu abrir processos penais contra membros do meio e incluí-los na “lista nacional de terroristas”.
As acusações se baseiam, segundo o regime, no trabalho de El Toque monitorando a taxa informal de divisa em Cuba, uma referência econômica que milhões de cubanos consultam diariamente diante do colapso do sistema cambial oficial.
O governo tenta responsabilizar a plataforma pela inflação e pela desvalorização, apesar de que a crise atual deriva do fracasso do modelo econômico aplicado durante décadas.
Nieves respondeu apontando que o regime está há mais de um ano tentando fabricar um caso penal contra sua equipe, recorrendo até mesmo a sessões de interrogatório em Villa Marista e manipulando testemunhos para apresentá-los como “provas” na televisão.
“Não aceito ordens”: a resposta pessoal frente ao assédio
Em sua mensagem, o diretor de El Toque assegura que não oculta suas posições políticas nem seus objetivos, mas rejeita que isso implique recorrer à mentira ou à manipulação.
“Tenho um problema com a autoridade, desde sempre. Não aceito ordens nem respeito a disciplina militante”, afirmou, ao mesmo tempo em que defendeu o trabalho profissional e verificado de sua equipe.
O jornalista acrescentou que assume “todos os ataques” e recebe “todos os apoios”, e que seu maior privilégio é a gente talentosa com quem trabalha. “Não nos calarão”, concluiu.
Atos de repúdio exportados: agressão no México
A hostilidade contra Nieves não se limita a Cuba. Há alguns dias foi vítima de um ato de repúdio no México, organizado por simpatizantes do castrismo vinculados ao chamado Movimento Mexicano de Solidariedade com Cuba.
Lá foi insultado, acusado de "financiar o terrorismo" e "sabotear a economia cubana", e apontado como alguém que recebeu "mais de 500 mil dólares" para provocar o colapso econômico da ilha.
O gesto, gravado em vídeo e publicado pelo próprio jornalista, gerou indignação entre ativistas e colegas, que denunciavam a exportação das táticas de intimidação que o regime aplica dentro de Cuba.
Para Nieves, a ofensiva contra El Toque não é casual, mas ocorre em meio ao maior deterioro econômico que o país viveu em décadas.
Na opinião do jornalista, o regime tenta culpar o jornalismo independente por uma crise que ele mesmo criou.
“É a única forma que o Governo cubano tem de responder às demandas dos cidadãos por sua incapacidade de gerir a crise”, escreveu.
Enquanto isso, o meio que dirige continua sob a ameaça de ser acusado de crimes inexistentes na legislação cubana, como o denominado “terrorismo econômico”.
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