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A publicação de Tribuna de La Habana sobre a situação da cesta básica desencadeou uma onda de críticas e zombarias nas redes sociais, onde muitos cubanos expressaram sua frustração pelos atrasos na entrega de alimentos e pela má qualidade dos produtos.
O relatório oficial da Empresa Provincial de Comércio de Havana detalha que ainda estão pendentes as distribuições de ervilhas, arroz, óleo e açúcar em vários municípios, mencionando as rações correspondentes a meses anteriores como julho, setembro e outubro. O texto explica ainda que o óleo deverá ser despachado “abrindo os frascos” de um, quatro ou cinco litros, conforme a quantidade de consumidores em cada núcleo.
A reação cidadã foi imediata na publicação do meio no Facebook. Um usuário comentou “qual cesta”, enquanto outro perguntou “e o que falta de arroz, açúcar, óleo, café, para quando?”. As críticas se concentraram na má qualidade dos produtos, com mensagens como “as ervilhas estão estragadas”, “ervilhas de 5ª, nem para os porcos, duras como balins e um punhadinho” ou “hoje peguei as ervilhas estragadas e com gorgulho, que falta de respeito com a população”.
Outros leitores denunciaram a falta de higiene e o deterioro dos alimentos: “ervilhas cheias de bichos e mau cheiro, é isso que merecemos”, escreveu um, enquanto outro afirmava que “os gorgojos do armazém estão dentro da minha casa”. Também houve reclamações sobre os atrasos na distribuição. “Revisem bem, pois em Guanabacoa há alguns mercados e bodegas onde ainda não venderam as 7 libras de arroz de julho (faltam 3 para chegar)”, apontava uma usuária.
Muitos questionaram por que os meios oficiais divulgaram uma informação desse tipo. “Dá pena que publiquem isso”, escreveu um dos comentaristas, enquanto outra pessoa opinou: “não dá pena publicar isso? Ervilhas com gorgulhos? Pena dos jornalistas, para o que se tornaram”. Outra reação resumiu o mal-estar geral: “senhor, e não dá vergonha publicar semelhante selvageria, no meio de novembro as ervilhas de julho porque não há nada mais. Precisam parar, isso é visto pelo mundo inteiro, que vergonha”.
O tom irônico e de zombaria também esteve presente. “Minha pomba se salvou, finalmente vai comer, viva a cesta!”, brincou um usuário. Outro escreveu: “caramba, mas qual o tamanho dessa cesta? Parece mais um dedal.” Entre os comentários mais compartilhados estava a frase: “tirem a ficha, se no final é um objeto decorativo”, que reflete o descontentamento com o sistema de racionamento.
Também surgiram mensagens que ironizavam sobre a propaganda oficial. “Lei de pesca e não há peixes; lei de soberania alimentar e não há alimentos; lei de comunicação e é quando menos se informa ao povo. Continuamos de mal a pior. Péssima equipe de governo, sem dúvidas,” escreveu um usuário. Outros se mostraram resignados: “isso é o que temos e é preciso resistir.”
A publicação de Tribuna de La Habana se tornou um termômetro da insatisfação cidadã diante de um modelo de distribuição cada vez mais precário. Situações semelhantes foram relatadas em outras províncias, em diferentes momentos do ano. Em Camagüey, as autoridades reconheceram em outubro que ainda estava sendo distribuído o arroz correspondente a junho e julho, enquanto que em Las Tunas, em meados de novembro, a imprensa oficial apresentou como “boa notícia” a entrega de um sabonete de lavar e um de toalete por consumidor, após oito meses sem incluir produtos de higiene na cesta familiar normada.
Em setembro, um vídeo divulgado no TikTok mostrava uma jovem que estava recolhendo o arroz de junho em sua despensa, dizendo “estou na fila para comprar o arroz de junho, estamos em setembro, mas foi agora que chegou”. Seu testemunho evidenciou a magnitude dos atrasos e a precariedade das entregas.
Enquanto isso, o governo de Miguel Díaz-Canel lançou um plano econômico que inclui a eliminação de subsídios e o aumento de preços em bens e serviços básicos, sem oferecer medidas concretas para resolver a escassez nem os problemas estruturais do sistema de distribuição.
As reações à publicação oficial em Havana refletem um cansaço generalizado e uma perda de confiança no sistema da livreta de abastecimento, resumido em uma frase que se repetiu entre os comentários: “tirem a livreta se no final é um objeto decorativo”.
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