Cubano acusado de assassinar um gerente de hotel no Texas é formalmente indiciado e pode enfrentar a pena máxima

Yordanis Cobos Martínez foi acusado de assassinato capital por decapitar um gerente de motel no Texas. Seu histórico criminal e problemas migratórios reacendem o debate sobre a cooperação com Cuba.

Yordanis Cobos-Martínez e a polícia no local do crime.Foto © Collage/X/Bill Melugin e Vídeo/CBS News

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Um grande júri do condado de Dallas apresentou uma acusação formal por assassinato capital contra o cubano Yordanis Cobos Martínez, de 37 anos, apontado por decapitar com um facão o gerente de um motel em setembro e por ter jogado a cabeça da vítima em um contêiner de lixo. Se for considerado culpado, ele pode enfrentar a pena de morte, de acordo com o Código Penal do Texas.

A informação foi confirmada por Al Día Dallas, que detalhou que a acusação foi formalizada em 23 de outubro, e por The Dallas Morning News, que informou que o crime ocorreu na frente da esposa e do filho da vítima, em um ataque que os investigadores descreveram como “atroz” e “selvagem”.

Um crime que abalou Dallas

O assassinato ocorreu na manhã de 10 de setembro no Downtown Suites Motel, na Samuell Boulevard.

Segundo testemunhas citadas pelo Al Día Dallas, Cobos Martínez, empregado do motel, discutiu com o gerente, Chandra Mouli “Bob” Nagamallaiah, de 50 anos, antes de sair do prédio, pegar um facão e atacá-lo repetidamente.

A vítima tentou fugir para o escritório, onde estavam sua esposa e seu filho. Ambos tentaram intervir para salvá-lo, mas foram empurrados. O ataque continuou até que Nagamallaiah foi decapitado.

The Dallas Morning News indicou que o agressor deu dois chutes na cabeça da vítima, pegou-a do chão e a jogou dentro de um contêiner de lixo.

As autoridades declararam o gerente morto no local.

Prisão, antecedentes e detenção migratória

Cobos Martínez foi preso minutos depois, enquanto caminhava ensanguentado com o machete ainda na mão. Desde então, permanece detido na prisão do condado de Dallas, com uma fiança de 1,25 milhão de dólares e uma detenção migratória (ICE hold).

O cubano é imigrante indocumentado e tinha uma ordem de deportação anterior, conforme confirmou à The Dallas Morning News a porta-voz do Departamento de Segurança Nacional (DHS), Tricia McLaughlin.

Devido ao seu histórico criminal, os Estados Unidos tentaram deportá-lo em 2025, mas Cuba se negou a recebê-lo, o que levou o ICE a liberá-lo por “falta de probabilidade de deportação no futuro próximo”. Essa liberação, revelada pela Fox News e pela CBS, acendeu um acirrado debate político após o crime.

O histórico criminal do acusado é extenso:

  • Uma condenação por agressão em 2018.
  • Prisão na Califórnia por tentar roubar um carro enquanto estava nu (2017).
  • Cargos por indecência com um menor no Texas (desestimado).
  • Prisão por roubo de veículo e sequestro de carro na Flórida (não prosperaram).

Novas acusações de Cuba

Após o assassinato em Dallas, familiares de uma vítima em Holguín, Cuba, denunciaram que Cobos Martínez teria matado um homem em 2008 e que seu tio assumiu a culpa para protegê-lo, conforme relatou a família ao jornalista Javier Díaz, da Univision. Esse caso nunca foi investigado a fundo.

As revelações apontam para um possível padrão de violência que se estende por mais de uma década.

Por sua parte, Nagamallaiah, um imigrante indiano e pai de família, planejava viajar para a Índia para visitar seus pais semanas após o ataque. Sua morte comoveu a comunidade indiano-americana no Texas, que arrecadou quase 200 mil dólares para cobrir as despesas funerárias e apoiar seu filho de 18 anos.

“Foi um assassinato repentino e profundamente traumático”, disse um porta-voz da família à FOX.

Um caso que reabre o debate migratório nos EUA.

O DHS qualificou o crime como “completamente evitável” e responsabilizou a administração Biden por ter liberado Cobos em janeiro de 2025. O escritório lembrou que durante o governo de Donald Trump foi retomada a deportação de criminosos para terceiros países quando Cuba se recusa a recebê-los.

O caso tem sido utilizado por autoridades e comentaristas conservadores como um exemplo do impacto das falhas na cooperação migratória com Havana, enquanto organizações pró-imigração pedem para evitar generalizações que alimentar o estigma contra os cubanos.

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