Noiva de Chocolate em choque após veredicto de culpabilidade: Não matou ninguém

Yelena Ramírez, namorada de Chocolate, mostrou-se muito afetada pelo veredicto.

Yelena Ramírez (i) e Chocolate e seu advogado no momento em que receberam a sentença (d)Foto © Collage Captura do Facebook/Univision

Yelena Ramírez, namorada do reguetonero cubano Chocolate MC, reagiu com indignação após o veredicto de culpabilidade proferido por um júri em Miami. Ela afirma que seu parceiro está pagando por algo que não fez.

“Isso é uma injustiça, o que estão fazendo com ele. Porque enquanto o verdadeiro assassino está tranquilamente ali, uma pessoa que não matou ninguém, não é assassino… vai ser considerada culpada”, disse em declarações à Univision após a audiência, em clara referência a Damian Valdez, que aguarda julgamento pelo assassinato de El Taiger. 

O caso gerou uma forte reação tanto no círculo próximo do cantor de gênero urbano quanto na comunidade musical cubana.

A figura polêmica e explosiva do reguetonero volta a estar no centro de uma tempestade judicial que agora pode custar-lhe a liberdade por toda a vida.

Culpável por incitar a matar

Yosvani Sierra Hernández, conhecido como Chocolate MC, foi declarado culpado de incitação ao homicídio em primeiro grau por um júri composto por quatro homens e três mulheres.

O processo foi realizado em um único dia sob a supervisão do juiz Milton Hirsch, do Tribunal de Circuito de Miami-Dade.

A acusação baseou-se em um vídeo no qual o artista, da prisão, pediu que matassem Damian Valdez Galloso, acusado do assassinato do reguetonero El Taiger.

A promotoria apresentou esse material como prova central. Chocolate reconheceu que o vídeo existia, mas negou que refletisse sua verdadeira intenção:

“Reconheço que não me expressei corretamente, mas esse vídeo não me dá segurança porque está editado”, disse durante o julgamento.

Após ouvir o veredicto, o reguetonero bateu as mãos na mesa. A reação foi imediata, tanto dentro da sala quanto fora, onde seguidores e pessoas próximas denunciaram o que consideram um julgamento desproporcional.

La Diosa: “Não é um assassino, é um doente”

Uma das vozes mais contundentes foi a da cantora La Diosa, que compareceu ao julgamento como testemunha, mas denunciou entre lágrimas que não conseguiu declarar o que havia preparado.

"Tenho uma frustração imensamente grande. Hoje fui testemunha do julgamento de Yosvani, do Chocolate. Conheço Yosvani há mais de 15 anos, e faria isso mil vezes se precisasse voltar, mas estou frustrada porque praticamente não me deixaram falar", disse em um vídeo publicado após sair do tribunal.

A artista não apenas defendeu seu colega, mas trouxe à tona um ângulo que considera chave: a saúde mental e o histórico de dependência do reguetonero.

"Yosvani não é um assassino. Ele viveu sob o efeito das drogas, passando por muitas crises. É um homem doente que, antes de mais nada, deveria ter recebido ajuda. Não podemos esperar que uma pessoa doente aja como alguém normal", afirmou

Sobre seu comportamento nas redes sociais, disse:

“Yosvani sempre foi um buller, um palhaço da rede, mas nunca um assassino. Sempre que ele fazia barulho era para chamar a atenção, não para fazer mal.”

A Deusa terminou sua mensagem com um apelo:

“Peço a Changó, a Oshún e aos meus ancestrais que te ajudem, irmão. Que consigas sair dessa e que aprendas com os teus erros. Tomara que o juiz seja justo. Eu sei que você vai receber alguma punição, mas prisão perpétua... isso não.”

Uma sentença pendente e mais acusações no horizonte

A sentença definitiva ainda não foi emitida, mas Chocolate MC enfrenta a possibilidade de uma pena de prisão perpétua. Além disso, ele não é o único caso em aberto que possui. O artista tem outros processos pendentes, incluindo um por tentativa de sequestro.

Para aqueles que o defendem, o sistema se abateu sobre um homem vulnerável, dependente de drogas, e sem apoio emocional ou psicológico.

Para a justiça, o que se diz nas redes -por mais irônico ou impulsivo que possa parecer- tem consequências. O que Chocolate MC disse, embora não tenha disparado uma arma, foi suficiente para colocá-lo no banco dos réus como instigador de um crime.

Enquanto isso, sua namorada Yelena insiste: “Não matou ninguém”.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.