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Florida volta a quebrar recordes nesta quinta-feira após a execução programada de Bryan Frederick Jennings, um ex-fuzileiro naval condenado pelo sequestro e assassinato da menina Rebecca Kunash em 1979. Com este caso, o estado alcança 16 execuções até agora em 2025, o maior número registrado em um único ano sob o governo do governador Ron DeSantis.
Jennings, de 66 anos, receberá a injeção letal às 18h na Prisão Estadual da Flórida, após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar seu último recurso, abrindo caminho para que a execução aconteça.
De acordo com os registros judiciais, em maio de 1979, Jennings entrou na casa da pequena Rebecca Kunash, a tirou de seu quarto e a submeteu a agressões graves que resultaram em sua morte. A menina foi encontrada horas depois em um canal próximo. O caso chocou o condado de Brevard e fez com que ele permanecesse no corredor da morte durante quase quatro décadas.
De acordo com um relatório da agência EFE, o processo judicial teve várias etapas, com suas duas primeiras condenações anuladas em apelação, e a sentença definitiva foi proferida em 1986. Seus advogados alegaram que ficou meses sem representação legal antes que o governador assinasse a ordem final e que não teve audiência de clemência desde 1988.
Flórida, líder nacional em penas de morte
A Flórida se tornou o estado com o maior número de execuções nos Estados Unidos este ano, acumulando mais de um terço de todas as realizadas no país.
Nas próximas semanas estão programadas mais duas, a de Richard Barry Randolph, outro ex-militar, no dia 20 de novembro, e Mark Allen Geralds, no dia 9 de dezembro. Se forem realizadas, o total chegará a 18 execuções em 2025.
Ron DeSantis tem defendido esse ritmo acelerado afirmando que “justiça tardia é justiça negada”. No entanto, organizações civis o acusam de usar a pena de morte como uma ferramenta política.
Além disso, com a execução de Jennings, já são nove os ex-militares executados sob a administração DeSantis. Ativistas e veteranos alertaram que muitos retornam de missões com traumas, estresse pós-traumático ou lesões não tratadas.
O sargento aposentado Ryan Sanshuck expressou de forma direta: “Quando a Flórida executa veteranos, nos diz que nossa dor e nosso serviço não importam.”
Os bispos católicos pediram clemência
Días antes da execução, a Florida Conference of Catholic Bishops enviou uma carta a DeSantis pedindo a suspensão das execuções de Jennings e Randolph. Em sua mensagem, apontaram que “é possível cumprir os fins da pena e ao mesmo tempo exercer misericórdia”, e denunciara que a pena de morte vai contra a dignidade humana.
Comunidades católicas realizaram vigílias e orações pelos condenados, pelas vítimas e suas famílias.
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