Laura María Gil, filha do defenestrado ministro cubano da Economia, Alejandro Gil Fernández, afirmou que desde o momento em que foi anunciado o julgamento contra seu pai teve limitações no acesso à internet e na sua conta de WhatsApp, exatamente quando o caso foi tornado público na televisão estatal.
O testemunho vem de um áudio viral em que a jovem afirma que tanto ela quanto sua família desconheciam completamente que a ação judicial seria apresentada à imprensa.

“ nós também não sabíamos, não tínhamos ideia. Minha avó foi quem me disse que tinham falado isso na televisão da uma da tarde”, contou, enquanto narrava que estava em casa cuidando da filha doente quando soube.
Pouco depois do anúncio oficial, seu WhatsApp foi parcialmente bloqueado.
“Tengo mais de 20 mensagens sem responder, me diz que não posso responder a contatos novos, como se tivessem restringido minha conta por 24 horas. Nunca me aconteceu algo assim”, apontou a filha do ministro defenestrado, que há poucos dias havia exigido ao regime que o julgamento de seu pai fosse realizado com as portas abertas.
A jovem acrescentou que a conexão à internet também se tornou “extremamente ruim” desde as primeiras horas do dia. “Não sei se é coincidência ou não, mas aqui normalmente não há má conexão”, comentou.
Em sua mensagem, demonstrou frustração e desconfiança em relação às acusações que seu pai enfrenta, insistindo que todo o processo responde a uma manipulação política.
“Eu sei que não é um espião, nem nunca será. Estou totalmente segura de que isso é uma total distorção de tudo”, afirmou.
Ao longo do áudio, percebe-se seu temor e impotência em relação ao processo marcado pelo segredo: “Digam o que disserem, mostrem as provas que forem, ninguém vai me convencer disso. As pessoas estarão julgando um ministro, mas eu estou julgando meu pai. Vou lutar como puder dentro das instâncias que me forem permitidas,” disse.
También explicou que não sabe se poderá assistir ao julgamento, que foi anunciado será a portas fechadas.
“Farei todo o possível para entrar, mesmo que seja sozinha. Mas se eu não conseguir, aguardarei a sentença”, declarou, garantindo que sua intenção é conhecer diretamente os argumentos do processo.
Em outro momento do áudio, a jovem exigiu do governo transparência e responsabilidade perante a opinião pública.
“Se no final decidirem sancioná-lo, que digam o que fez, com base em quem o fez e o que recebeu em troca. Por dignidade, no mínimo, teriam que ter a moral de dar um comunicado claro”, afirmou, sublinhando que o silêncio oficial apenas aumenta a desconfiança.
Alejandro Gil Fernández, destituído em 2 de fevereiro de 2024 e investigado pelo regime desde 7 de março de 2024, enfrenta dois processos judiciais separadas. Um deles, o mais grave, é por espionagem e a Procuradoria pede pena de prisão perpétua.
Arquivado em: