Ativista cubano expulso por Luis Arce pede justiça ao novo presidente da Bolívia

Magdiel Jorge Castro pediu ao presidente Rodrigo Paz Pereira que revisasse sua expulsão da Bolívia, ordenada por Luis Arce em 2022, e denunciou que se tratou de uma decisão política ligada ao regime cubano.

Magdiel Jorge CastroFoto © Facebook/Mag Jorge Castro

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O ativista cubano Magdiel Jorge Castro pediu ao novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, que revise seu caso de expulsão do país, ordenada em dezembro de 2022 durante o governo do ex-presidente Luis Arce Catacora e executada pelo então ministro de Governo, Eduardo del Castillo.

Em uma carta aberta publicada neste domingo a partir de Madri, Magdiel Jorge Castro lembrou em seu perfil de X que foi expulso do território boliviano apesar de residir legalmente no país e sem que houvesse processo judicial ou acusação alguma.

Calificou o fato como uma decisão política adotada sob pressão externa, que violou o devido processo, a liberdade de expressão e os princípios mais elementares do Estado de Direito.

O comunicador explicou que no dia 19 de dezembro de 2022, a Direção Geral de Migração notificou a Resolução de saída obrigatória N.º SCD-562/22, que ordenava sua expulsão e uma proibição de entrada por três anos.

Segundo o documento, a medida foi baseada em uma suposta "alteração da ordem pública" derivada de suas opiniões nas redes sociais, sem descrever fatos nem citar provas.

Castro também apontou que a resolução invocou números inexistentes do artigo 38 da Lei 370 de Migração, assim como os artigos 37 e os Decretos Supremos 1923 e 4574, que — segundo ele ressalta — “são procedimentos, não causas”.

No dia 21 de dezembro, interpôs um Recurso de Revogação em Santa Cruz de la Sierra, alegando a inexistência de causa, a absoluta falta de motivação e a violação dos artigos 13, 14, 21 e 106 da Constituição Política do Estado, além da sentença SCP 0212/2014-S3, que exige fundamentação para todo ato administrativo.

Em sua declaração, afirmou que nunca houve alteração da ordem pública, que não tinha antecedentes nem processos e que suas publicações "se referiam à realidade cubana, não à política interna boliviana".

O ativista, uma das vozes mais críticas do regime cubano a partir do exílio, indicou que a autoridade acolheu a revogação e suspendeu a medida, reconhecendo a falta de fundamento.

No entanto, oito dias depois, em 29 de dezembro de 2022, foi notificada uma nova resolução (SCD-589/22), assinada em Santa Cruz, que reinstalou a expulsão e a mesma proibição de entrada, sem novos fatos ou motivação adicional.

“Assim se consumou um ato contraditório e ilegal, executado sob a instrução do então presidente Luis Arce Catacora e operacionalizado pelo ministro Eduardo del Castillo”, escreveu.

O comunicador cubano também vinculou seu caso à Cúpula do ALBA-TCP realizada em Havana, à qual assistiram Arce e Miguel Díaz-Canel.

Sustentou que sua expulsão “respondeu a um contexto de alinhamento político com o regime cubano”, que o identifica como jornalista crítico e opositor.

Castro considerou que transformar a Bolívia em um eco da censura estrangeira foi um golpe à liberdade de imprensa e à soberania institucional do país, historicamente aberto e plural.

Adicionou que a Defensoria do Povo, Anistia Internacional e outras organizações de direitos humanos alertaram sobre a arbitrariedade do caso, apontando que constituía um precedente perigoso para jornalistas e ativistas estrangeiros.

O ativista, que recebeu ameaças do governo da Bolívia, lembrou que a proibição de entrada por três anos expira em dezembro de 2025, e esclareceu que seu pedido não busca restituição material, mas sim “um ato de reparação simbólica e moral”.

“Minha expulsão, senhor Presidente, não apenas me afetou pessoalmente, mas também afetou a imagem e o prestígio institucional da Bolívia, ao colocar seu aparato migratório a serviço de uma decisão política de um governo estrangeiro”, afirmou.

Em sua carta, solicitou que a atual administração reconheça publicamente a arbitrariedade daquela medida e ordene a revisão oficial das resoluções SCD-562/22 e SCD-589/22, não como um procedimento formal, mas como “um gesto de justiça que reafirme o compromisso do Estado boliviano com a liberdade de expressão, o devido processo e a dignidade humana”.

Recordou que viveu na Bolívia com residência legal, trabalhou e foi acolhido por um povo generoso.

"Esta solicitação nasce do respeito, da gratidão e do amor por um país que sempre admirei e que confio saberá corrigir o que nunca deveria ter acontecido," expressou.

O ativista, atualmente residente na Espanha, também afirmou que um gesto de reconhecimento e retificação do Governo boliviano seria “um sinal esperançador para a comunidade cubana na Bolívia, que busca refúgio diante das ditaduras, e para todos os jornalistas que ainda acreditam na força da verdade”.

Fechou sua carta desejando sucesso ao novo mandatário boliviano e reiterando sua confiança de que a revisão de seu caso “honrará a memória democrática do país e consolidará sua liderança moral na região”.

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