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A organização Bienestar Animal Cuba (BAC-Habana) mostrou em suas redes imagens do “perrito de Cauto” que podem indicar que ele está vivo.
As imagens foram originalmente divulgadas por “um perfil identificado como Yenier, vinculado a meios oficiais de Bayamo”, que afirmou que “o cachorrinho ‘está vivo’ e ‘junto de seu dono’, sem fornecer local, data ou qualquer outra prova verificável”, explicou o BAC em um post no Facebook.
No entanto, a organização animalista independente considera, após uma análise das imagens, que pode tratar-se, com alta probabilidade, do mesmo animal.
“O cachorro parece um pouco mais magro, com o pelagem mais opaca e um ar de descuido visível, o que pode ser devido ao tempo que passou ou a um ambiente diferente,” lê-se na postagem.
Para, BAC, “apesar da evidente semelhança, não foi confirmado quem é a pessoa que aparece nas imagens, nem se realmente se trata do tutor do cão. Também não há informações claras sobre o local onde as fotos foram tiradas nem sobre o estado atual do animal”.
“Nossa posição continua a mesma: transparência, rigor e responsabilidade. Não afirmamos nem negamos nada de forma definitiva enquanto não existirem provas verificáveis”, acrescentaram, ao mesmo tempo em que pediram a assistência de qualquer pessoa com informações verificadas sobre o caso.
Esta semana, o BAC foi alvo de um ataque midiático por parte do programa oficialista Con Filo, transmitido pela Televisão Cubana, após suas reivindicações sobre o caso do cachorro abandonado durante as evacuações na província de Granma.
“Anoche, o programa Con Filo, apresentado por Gabriela, dedicou um espaço completo para nos atacar publicamente”, publicou o grupo no Facebook. “Em um tom manipulador, fomos expostos perante todo o país insinuando que fazemos parte da contrarrevolução e que nossas ações respondem a interesses alheios à proteção animal.”
O grupo, que tem liderado a campanha nacional pelo resgate do chamado perrito do Cauto ou de Bayamo, reiterou que suas reivindicações buscam transparência e não propaganda. “Reiteramos que até que não mostrem o animal, vivo e em condições seguras, nossas dúvidas e exigências continuam. Não pedimos propaganda, pedimos verdade.”
O caso do "perrito de Bayamo"
O caso tem sua origem em uma publicação do meio oficialista CMKX Radio Bayamo, que divulgou imagens do cachorro deixado durante as evacuações devido ao furacão Melissa. O texto, intitulado A dor da partida, provocou uma onda de indignação nas redes sociais por seu tom poético, que muitos consideraram uma romantização do abandono animal.
En meio dessa polêmica, o BAC-Habana lançou um chamado nacional para exigir prova de vida do animal e ofereceu assumir todos os gastos de seu resgate, atendimento veterinário e transporte. “Este não é um post qualquer. É o grito de um cachorrinho que ficou sozinho, olhando para o céu por onde foi seu amigo”, escreveu a organização em seu perfil. A campanha, que pedia aos usuários para preencherem as redes com a imagem do cachorro, tornou-se um símbolo de empatia cidadã durante as evacuações em Granma.
O caso desencadeou um amplo debate nacional. O ativista Manuel Viera questionou no Facebook as prioridades da sociedade cubana, contrastando a indignação pelo cachorro com o silêncio em relação aos presos políticos. Sua publicação dividiu opiniões e foi respondida pelo BAC-Habana, que pediu para não dividir o movimento e manter o respeito. O intercâmbio reavivou o debate sobre empatia e direitos na ilha, gerando fortes discussões nas redes.
Pouco depois, o ex-espião René González criticou as demonstrações de empatia em relação ao cachorro e comparou a reação social com a cobertura midiática da guerra do Iraque. Seus comentários coincidiram com uma ofensiva midiática oficial que tentou minimizar a indignação pública. A BAC-Habana respondeu que “lamentamos que figuras com tanto alcance prefiram distorcer uma causa legítima a reconhecer a importância da empatia” e sublinhou que “nossa causa não busca protagonismo, busca coerência. Não pretende competir com a dor humana, mas lembrar que a compaixão não se mede por espécie”, conforme explicou a organização após as declarações do ex-espião.
A organização animalista, por sua vez, insistiu que o caso não se trata de política, mas de sensibilidade e responsabilidade social. “Esses ataques apenas reforçam nossa convicção de que a empatia não deve ser criminalizada”, concluiu BAC-Habana.
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