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A organização animalista Bienestar Animal Cuba, em seu capítulo havanense (BAC-Habana) denunciou nesta segunda-feira a continuidade das lutas de galos em Cuba, uma prática que, longe de ser clandestina, conta com o apoio de entidades estatais e com a omissão das autoridades.
Na publicação de denúncia, realizada em Facebook, a agrupação afirmou que “um país que normaliza a dor não pode se chamar humano”, em referência à violência institucionalizada que representam esses espetáculos.
A denúncia surgiu após relatos do município de Encrucijada, em Villa Clara, onde moradores afirmam que os combates de galos se multiplicam sem controle nem sanção.
Segundo o BAC-Habana, as lutas não são apenas toleradas, mas também apoiadas pela empresa estatal ALCONA S.A., pertencente ao Grupo Empresarial Flora e Fauna, instituição que tem estado vinculada a uma das figuras históricas do topo do regime cubano, o comandante Guillermo García Frías.
Desde a finca Alcona, nos arredores de Havana, criam-se galos finos, realizam-se eventos de luta e exportam-se exemplares para o exterior, sob uma fachada legal que —segundo a organização— constitui “uma zombaria ao bem-estar animal”.
O texto lembra que, embora o Decreto-Lei 31/2021 de Bem-Estar Animal esteja em vigor, as lutas de galo não foram incluídas como prática proibida.
Pelo contrário, a normativa menciona inspeções veterinárias "durante a luta de galos", o que, para os ativistas, equivale a legitimar a crueldade em vez de condená-la.
“Tem-se tentado justificar esse horror como parte da identidade cultural cubana, como se o sangue e a dor pudessem ser um símbolo de cubania”, destaca o comunicado.
BAC-Habana destacou que por trás de cada luta “há animais que sofrem, que morrem por ferimentos profundos, que são forçados a lutar até a exaustão enquanto os aplausos tentam calar os gritos de dor”.
A organização qualificou de vergonhoso que o regime mantenha esse tipo de espetáculos em pleno século XXI e pediu uma revisão imediata da lei.
“As lutas de galo são maus-tratos a animais, assim como as lutas de cães ou qualquer espetáculo onde a vida de um ser vivo é utilizada como entretenimento. Não há tradição que justifique o sofrimento”, concluiu a mensagem.
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