Durante um percurso presidencial por El Cobre (Santiago de Cuba), um jovem interpelou diretamente o governante Miguel Díaz-Canel para denunciar que à sua comunidade “ninguém foi” para atender os afetados e que “nos deixaram sozinhos”, referindo-se à ausência de autoridades e de assistência organizada.
Em um vídeo divulgado pelo internauta Omar Sayut Taquechel, o vizinho afirmou que na área "há crianças" e "mais de 2.000 pessoas", e exigiu que a situação real dos afetados seja conhecida.
O jovem explicou que os residentes tiveram que se organizar por conta própria para levantar necessidades “casa no andar com crianças, família de quatro casas, de cinco casas”, mas insistiu que não cabe a ele ir “casa por casa” para registrar carências: “eu não faço parte [do que distribuem]”.
Afirmou que em sua residência permanecem evacuados sem atendimento e que o delegado da área “não passou”. “É o que quero que vocês saibam, tenham conhecimento”, disse diante de Díaz-Canel.
Em seu testemunho, relatou também que não havia caminho para chegar ou sair do lugar e que em sua casa "vivem cinco crianças", enquanto pedia que não o silenciassem.
Subrayou que, apesar dos esforços da comunidade, faltava uma condução eficaz: “E a força? Quem inspira o povo?”.
Também mencionou que há médicos com dengue trabalhando nessas condições e questionou o fato de que crianças da região estivessem “quatro dias à beira do caminho” sem resposta.
O reclamo destacou a falta de presença institucional em Guamuta e a demora no atendimento às famílias vulneráveis, exigindo, ao mesmo tempo, informações e liderança para coordenar a ajuda.
“Eu vivo em Guamuta, lá em cima ninguém foi”, repetiu diante dos presentes, insistindo que sua denúncia buscava que “tenham conhecimento” do que acontece no território.
As declarações, feitas cara a cara com o mandatário e registradas em primeira pessoa, refletem o descontentamento dos moradores que afirmam ter recorrido à autogestão para suprir necessidades básicas enquanto aguardam soluções oficiais.
A cena se encerra com seu apelo para ser ouvido: “Presidente, com licença, vamos ver se posso falar… Eu vou dizer a verdade aqui, normalmente”.
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