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A escassas horas da votação anual na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a resolução que condena o embargo americano a Cuba, o opositor cubano José Daniel Ferrer García, líder da União Patriótica de Cuba (UNPACU), pediu aos países democráticos que não aprovem o que considera uma "farsa diplomática" e denunciou as contradições éticas da Europa e do Ocidente em relação ao regime cubano.
“Nem a União Europeia, nem o Reino Unido, nem o Canadá, nem a Austrália, nem qualquer país livre e democrático deveria apoiar a resolução sobre o embargo apresentada pelo regime cubano”, escreveu Ferrer em sua conta no X (antes Twitter).
“Quando votam a favor da referida resolução, estão apoiando um documento repleto de falsidades e exageros, estão apoiando uma ditadura criminosa que impõe um cruel bloqueio aos direitos dos cubanos”, acrescentou o líder opositor recentemente desterrado para os Estados Unidos.
Da mesma forma, o exprésso político da ditadura enfatizou que o embargo estadunidense não é a causa do sofrimento da população, mas uma consequência política dos crimes e alianças do regime.
Cuba, aliada da Rússia na invasão à Ucrânia
Em sua mensagem, Ferrer destacou a hipocrisia da União Europeia e de outros países ocidentais que impõem sanções à Rússia pela invasão da Ucrânia, mas votam na ONU a favor de um aliado estratégico de Moscou.
“Não é ético, político nem inteligente que os países membros da UE, que tanto precisam do apoio dos Estados Unidos para a Ucrânia, votem contra seu principal aliado e favoreçam uma ditadura que sempre foi contrária ao Ocidente”, afirmou.
Suas declarações coincidem com as recentes alegações do governo da Ucrânia, que confirmou a presença de milhares de cubanos recrutados pela Rússia para lutar na frente oriental.
O projeto humanitário ucraniano “Quiero Vivir”, vinculado ao Ministério da Defesa, afirmou este mês que mais de 5.000 cidadãos cubanos teriam sido enviados ao conflito, alguns sob enganos e promessas falsas de emprego.
Enquanto o regime cubano insiste na narrativa de vítima do "bloqueio", seu aparato militar e de inteligência coopera com uma potência invasora, e seus cidadãos são enviados a lutar em uma guerra que apoia oficialmente em declarações e extraoficialmente com efetivos militares.
A contradição é evidente: enquanto os aliados europeus dos Estados Unidos demandam toda a ajuda possível e um compromisso firme no âmbito da OTAN para contrabalançar a agressão russa em solo europeu, ao mesmo tempo viram as costas na votação da ONU, ignorando os argumentos dos Estados Unidos e apoiando uma ditadura aliada estratégica de Vladimir Putin.
A incoerência europeia diante de uma ditadura aliada a autocracias
Nesse sentido, Ferrer questionou a posição ambivalente da União Europeia, que mantém um Acordo de Diálogo Político e Cooperação com Havana (ADPC), mas impõe sanções a governos como os da Venezuela, Irã ou Rússia.
“A UE impõe sanções à Rússia, à Venezuela, ao Irã… mas trata o regime liberticida cubano, mentor dos de Venezuela e Nicarágua e aliado estratégico da Rússia, como se fosse uma democracia inofensiva”, criticou.
O opositor pediu aos países democráticos que se abstivessem ou votassem contra a resolução, argumentando que apoiá-la equivaleria a premiar um regime responsável pelo apoio internacional e pelo respaldo das autocracias da região a Moscou, bem como por violações massivas de direitos humanos, repressão interna e corrupção institucional.
“Ao criminoso se lhe condena e sanciona, não se lhe beneficia, não se lhe premia”, concluiu.
Um voto simbólico em um cenário de guerra e hipocrisia
A votação deste ano ocorre em um contexto geopolítico particularmente tenso. Os Estados Unidos buscam romper o consenso automático que, durante décadas, tem respaldado Cuba na ONU, enquanto Havana tenta explorar politicamente a imagem de vítima do “bloqueio”.
Mas as denúncias sobre mercenarismo cubano na Ucrânia, os vínculos com regimes sancionados e a recente revelação de que o conglomerado militar GAESA acumula mais de 18 bilhões de dólares enquanto a população carece de alimentos e medicamentos, minam o discurso humanitário do regime.
Para Ferrer, o verdadeiro “bloqueio” não é o dos Estados Unidos, mas aquele que o Partido Comunista impõe ao seu próprio povo: o bloqueio ao livre pensamento, ao trabalho independente, aos direitos cívicos e à liberdade de associação.
Sua mensagem aborda um dilema moral que a Europa e a América Latina terão que enfrentar na votação desta semana: continuar legitimando uma ditadura que apoia guerras, reprime seu povo e oculta fortunas milionárias, ou adotar uma postura ética que questione essa cumplicidade histórica?
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