"Não estão sozinhos": Ferrer pede coordenação para ajudar os presos políticos cubanos

"Devido à falta de comunicação suficiente, muitas vezes alguns presos recebem ajuda de forma repetida, enquanto outros não recebem nenhum tipo de apoio, ou recebem muito pouco."

Ferrer convida a realizar um trabalho mais eficiente e justo com os presos políticos em CubaFoto © Telemundo 51

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O líder opositor José Daniel Ferrer García, fundador da União Patriótica de Cuba (UNPACU), fez um novo apelo às organizações e pessoas que apoiam os prisioneiros políticos cubanos para melhorar a coordenação e a distribuição de recursos entre os detidos e suas famílias.

Em uma publicação compartilhada nesta sexta-feira em sua conta no Facebook, Ferrer pediu que aqueles que oferecem ajuda de forma independente entrem em contato com ele, com o objetivo de “ trocar ideias que nos ajudem a realizar um trabalho mais eficiente e justo ”.

“Devido à falta de comunicação suficiente, muitas vezes alguns presos recebem ajuda repetida enquanto outros não recebem nenhum tipo de apoio, ou recebem muito pouco”, escreveu o opositor, desterrado recentemente para os Estados Unidos após anos de prisão e torturas em Cuba.

Ferrer destacou que os presos políticos precisam de apoio político, espiritual e econômico, incluindo dinheiro para alimentos, produtos de higiene, medicamentos, livros, recargas telefônicas e transporte familiar para as prisões. “Precisam de informações que os incentivem a continuar firmes e seguros de que não estão sozinhos”, acrescentou.

Facebook / José Daniel Ferrer

O mensagem faz parte de uma estratégia mais ampla iniciada por Ferrer a partir do exílio, onde há apenas alguns dias lançou uma rede de apoio econômico destinada a canalizar ajudas diretas para as famílias dos prisioneiros políticos em Cuba, com o apoio de exilados como o ex-prisioneiro Pedro Guerra. “Sem solidariedade real e efetiva, não há causa que triunfe, por mais justa que seja”, declarou então o líder da UNPACU, ao mesmo tempo em que exortou o exílio a se juntar ao esforço.

Desde sua chegada aos Estados Unidos, Ferrer tem insistido que seu exílio não significa o fim de seu ativismo, mas sim uma etapa preparatória para reorganizar a resistência interna. Em uma de suas primeiras entrevistas em Miami, reconheceu que a oposição cubana enfrenta seu “maior desafio interno”: a falta de coesão e disciplina, e alertou que “temos muitos quarto batidores, mas não temos equipe”.

O novo apelo de Ferrer chega um dia depois de ele ter enviado uma mensagem nas redes sociais direcionada a outros ativistas e compatriotas dentro e fora de Cuba, na qual pediu manter o foco na causa comum pela liberdade e evitar divisões entre aqueles que lutam contra o regime. “Que um agente da tirania me calunie e difame eu entendo, mas não quem deseja a liberdade de Cuba”, disse na publicação, que gerou uma onda de apoio nas redes sociais entre ativistas, exilados e cidadãos dentro e fora de Cuba, que destacaram sua trajetória de mais de três décadas enfrentando o regime cubano. “Os ataques pessoais apenas beneficiam a ditadura”, comentou um usuário, enquanto outros o incentivaram a continuar seu trabalho sem responder a provocações.

Vários seguidores recordaram as condições desumanas que ele sofreu durante mais de 12 anos de encarceramento e o compararam a figuras históricas do independentismo cubano como Céspedes, Maceo ou Martí. “Os homens valentes sempre são caluniados; a história se repete”, escreveu outro simpatizante.

O tom da mensagem de Ferrer reflete sua tentativa de reconstruir a unidade e a disciplina dentro da oposição cubana, ao mesmo tempo que articula mecanismos concretos de solidariedade com os presos políticos. Sua iniciativa visa criar uma estrutura de apoio coordenada entre o exílio e a resistência interna, capaz de enfrentar a repressão do regime com recursos e organização.

“Agora, mais do que nunca, precisamos de comunicação, disciplina e solidariedade”, reiterou o opositor, que assegura que seu propósito desde o exílio é “acelerar o momento final da ditadura”.

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