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A Direção Geral de Saúde de Moa informou o falecimento da doutora Danny Cisneros De la Cruz, que trabalhava como nutricionista no Policlínico Rolando Monterrey Caballero, nesse município da província de Holguín.
Em uma publicação em sua página oficial no Facebook, a entidade expressou profundo pesar pela perda da profissional, que “dias antes apresentava manifestações respiratórias evoluindo para a broncopneumonia” e precisou ser levada ao Hospital Guillermo Luis com um quadro de insuficiência respiratória aguda, sendo imediatamente internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo o comunicado, apesar dos esforços da equipe de plantão e do tratamento intensivo, a doutora teve um desfecho fatal. A Saúde Pública acrescentou que foram realizados exames de hematologia para dengue ou outras arboviroses, com resultados negativos, e que, por decisão dos familiares, não foi realizada necropsia.
"O coletivo de seu centro de trabalho e todos os trabalhadores da saúde do município e da província se unem ao sentimento de familiares e amigos. Descanse em paz", conclui a mensagem da Direção Geral de Saúde de Moa.
A morte da jovem profissional gerou inúmeras reações nas redes sociais.
O doutor Alexander Jesús Figueredo Izaguirre, médico cubano exilado nos Estados Unidos desde 2022, lamentou o ocorrido e responsabilizou pelo deterioramento do sistema de saúde na ilha. Em sua publicação, afirmou que “não a matou uma broncopneumonia, mas sim a ditadura, que há décadas transformou os hospitais em albergues de mortos lentos”.
O médico lembrou que muitos de seus colegas “morreram sem oxigênio, sem medicamentos, sem esperança”, e acrescentou que os profissionais de saúde que sobrevivem “são punidos por dizer a verdade”. Concluiu sua mensagem com um apelo por justiça: “Chega de mártires com estetoscópios. O povo não precisa de consignas, precisa de oxigênio e liberdade”.
Também reacionou o trabalhador de Saúde Pública Luis Enrique, residente em Placetas, que escreveu no Facebook: “Estão matando nossos colegas de saúde. E o único culpado é a ditadura dos Castro”. O profissional citou o comunicado oficial sobre o falecimento de Cisneros e afirmou que “apesar dos esforços da equipe de plantão e do tratamento intensivo, houve um desfecho fatal”. Em sua mensagem, utilizou a hashtag #IntervencionMilitarParaCuba e denunciou as condições em que, segundo ele, trabalham os médicos cubanos.
O falecimento da doutora Cisneros ocorre em meio a uma alerta epidemiológica nacional devido ao aumento de doenças febris e casos graves de dengue no país. Segundo dados do Ministério da Saúde Pública, Cuba registrou mais de 13.000 casos de febre em uma semana e uma taxa de 24,3 para cada 100.000 habitantes.
Autoridades sanitárias alertaram sobre a circulação ativa de dengue e chikungunya, embora os exames realizados na profissional de Moa tenham dado negativo para essas doenças. O aumento de casos levou ao reforço das campanhas de fumigação e controle vetorial, enquanto hospitais e policlínicas enfrentam limitações de recursos em várias províncias.
As províncias com maior complexidade epidemiológica são Guantánamo, Matanzas, Ciego de Ávila, Havana e Cienfuegos, onde houve um aumento no número de pacientes críticos e hospitalizados devido ao avanço da dengue e outras arboviroses.
A situação epidemiológica se desenrola ainda em um clima de forte deterioração social. Em redes sociais, cidadãos como Irina Diéguez Toledo têm compartilhado testemunhos que refletem a vida cotidiana dos cubanos entre a escassez, a doença e o medo. Em um texto divulgado recentemente, Diéguez descreveu cenas de seu bairro onde “todos adoecem entre montanhas de lixo e vazamentos, sem serviço de ambulâncias nem medicamentos”, e assegurou que “nos debatemos entre o que comer e como cuidar dos enfermos”.
A comunidade médica cubana e numerosos usuários nas redes sociais, por sua vez, expressaram seu pesar pela morte da doutora Danny Cisneros De la Cruz e enviaram mensagens de condolências a seus familiares, colegas e amigos.
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