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O Departamento de Estado dos Estados Unidos acusou nesta quinta-feira o regime cubano de corrupção estrutural e de esconder bilhões de dólares em contas secretas, enquanto a população enfrenta a pior crise econômica em três décadas.
Através da conta oficial do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, Washington responsabilizou diretamente as elites do Partido Comunista de Cuba (PCC) e o aparato militar pelo empobrecimento da ilha.
“As elites do regime cubano guardam bilhões em contas secretas enquanto as famílias cubanas enfrentam escassez de alimentos, água e eletricidade. Isso não é um bloqueio: trata-se de um regime corrupto que rouba seu próprio povo. Os países não deveriam ser cúmplices da corrupção do regime. O silêncio e a indiferença são cumplicidade”, indicou o Escritório em X (antes Twitter).
O mensagem chega após uma investigação do Miami Herald revelar no início de agosto que o conglomerado militar GAESA (Grupo de Administração Empresarial S.A.) controla mais de 18 bilhões de dólares em ativos líquidos, o que torna essa estrutura “o banco secreto do poder militar cubano”.
GAESA: O banco oculto do castrismo
Segundo os documentos vazados para a mídia americana, a GAESA —uma rede de cerca de 25 empresas sob controle das Forças Armadas Revolucionárias— gerencia setores estratégicos como turismo, remessas, comércio varejista e logística.
Entre suas filiais estão Gaviota, CIMEX, TRD Caribe e Almacenes Universales, todas com operações milionárias em divisas.
Os documentos internos, correspondentes aos anos 2023 e 2024, revelaram que a GAESA acumulou depósitos de 14,467 milhões de dólares em bancos internacionais, equivalentes a 76% de sua liquidez total.
Além disso, a entidade recebe subsídios diretos do orçamento estatal —mais de 9.000 milhões de pesos cubanos em 2024—, mas não paga impostos em divisas.
A juízo do economista cubano Pavel Vidal, que revisou os balanços a pedido do Miami Herald, a GAESA atua como "um banco central paralelo", acumulando reservas de divisas enquanto o resto das empresas estatais afunda.
O regime, entretanto, continua culpando o embargo estadunidense pela escassez, apesar de dispor de fundos suficientes para estabilizar o sistema elétrico ou reabastecer hospitais e farmácias.
Segundo cálculos de ativistas, apenas 293 milhões de dólares seriam suficientes para cobrir ambos os objetivos durante um ano — 43 milhões para medicamentos essenciais e 250 milhões para o sistema elétrico —, uma quantia irrisória diante dos 18 bilhões que o conglomerado militar retém.
Corrupção institucional e desigualdade extrema
O Departamento de Estado apontou repetidamente a GAESA como "a base financeira do regime cubano", um conglomerado que opera à margem do escrutínio civil e cuja riqueza contrasta com a pobreza generalizada do país.
Um relatório recente do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental destacou que o governo cubano destina mais de 37% de seu investimento à construção hoteleira, onze vezes mais do que aos setores combinados de saúde e educação.
A investigação jornalística de agosto confirmou que, mesmo com hotéis vazios e o turismo em queda livre, a GAESA continuou a expandir sua infraestrutura turística, priorizando o controle de divisas em detrimento do bem-estar dos cidadãos.
A ativista Carolina Barrero classificou essas revelações como “a prova definitiva da hipocrisia do regime”:
"A tirania Castro, dona da GAESA, finge diante do mundo ser vítima do embargo quando na verdade é o predador. Exige resistência enquanto suga até a última gota do nosso sangue."
Washington: “O problema não é o embargo, é o saqueo.”
A denúncia de Washington reforça a narrativa que o Departamento de Estado tem sustentado nos últimos meses: a crise cubana não é resultado de sanções externas, mas sim da corrupção interna e da falta de transparência.
Em seu aviso de julho aos investidores estrangeiros, o governo dos Estados Unidos qualificou o ambiente econômico cubano como “manipulado para beneficiar o regime e seus aliados”, alertando que qualquer negócio com empresas militares ou estatais corre o risco de financiar violações de direitos humanos.
As novas revelações sobre a GAESA confirmam esses alertas.
Enquanto o regime exige o fim do "bloqueio", seus generais e altos funcionários governamentais gerenciam fortunas superiores às reservas internacionais do Panamá ou do Uruguai, e mantêm contas milionárias no exterior, sem controle, auditoria ou benefício social.
O tweet do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, neste contexto, não foi uma reação isolada, mas sim uma resposta política direta à campanha de propaganda do regime antes da votação nas Nações Unidas.
Seu mensagem sintetiza a posição americana: “Não há bloqueio, há cleptocracia”.
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