O governante cubano Miguel Díaz-Canel elogiou a “resposta” da juventude cubana em recentes convocações de protesto em solidariedade com a Palestina e a Venezuela, destacando que, “em meio às situações difíceis que vivemos”, os jovens “não vacilam em ir protestar” por essas causas.
No evento pelos 65 anos da Associação de Jovens Rebeldes (AJR) e pelos 60 anos do jornal oficialista Juventud Rebelde, celebrado no Memorial José Martí, Díaz-Canel afirmou que a participação juvenil em atos de apoio à Palestina e à Venezuela “diz muito sobre a estirpe dos cubanos”, enquanto criminaliza outras manifestações pacíficas no país.
O governante indicou que o nível de resposta popular “o motivou muito”—“sobretudo dos jovens”— a duas convocações: “uma em solidariedade com a Palestina e outra em solidariedade com a Venezuela”.
Recalcou que essas expressões, em contextos de "dificuldades internas", refletem compromisso com a defesa da paz e da pátria.
Durante o encontro, insistiu-se em passar das redes para as ruas mas somente por essas causas. Também foi feito um apelo para "articular melhor" conteúdos para o ambiente digital, ao mesmo tempo em que se promoveu trabalhos voluntários, jornadas produtivas e “destacamentos” juvenis.
Representantes oficialistas subrayaram dias de “efervescência revolucionária” pela mobilização em províncias por Palestina e Venezuela, a coleta de assinaturas em apoio ao regime de Caracas e ações de higienização e trabalho voluntário.
As declarações de Díaz-Canel validam e estimulam a mobilização juvenil em causas internacionais (Palestina e Venezuela) em plena crise interna, enquanto persegue as protestas contra sua gestão governamental.
Apesar da crise energética em Cuba, com apagões prolongados que afetam a população, o regime continua priorizando suas mobilizações políticas.
Para essas atividades, o governo mobilizou recursos, como transporte, que são escassos para as necessidades diárias dos cidadãos. Isso gerou indignação entre a população, que enfrenta dificuldades devido à falta de serviços básicos enquanto o governo dedica esforços a eventos políticos.
Embora o governante chame à mobilização por causas alheias a Cuba, na ilha continuam a deter manifestantes que se pronunciam sobre a crise interna.
A organização de direitos humanos Cubalex documentou 185 violações de direitos humanos em Cuba durante setembro, um mês marcado pelo ressurgimento das protestas cidadãs contra os apagões, a escassez de alimentos e a falta de água potável.
O relatório, que abrange fatos ocorridos em 14 províncias e 45 municípios, incluindo a Ilha da Juventude, reflete um padrão de repressão sistemática que afetou 140 pessoas (26 mulheres e 114 homens), a maioria prisioneiros políticos, defensores dos direitos humanos e afrodescendentes.
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