“Ninguém vai resolver os problemas de Cuba, temos que resolvê-los nós mesmos”, afirmou o governante Miguel Díaz-Canel na mais recente reunião do Conselho de Ministros.
Pidiu aos funcionários cubanos mais "audácia revolucionária" e criatividade, pois considera que são a chave para enfrentar a grave situação econômica que o país enfrenta.
Em meio a um contexto marcado pelo colapso do sistema elétrico, pela escassez de alimentos e pelo ressurgimento de doenças como dengue e chikungunya, o mandatário insistiu que a única saída possível é o trabalho, a produção e a eficiência.
“Vamos em frente e vamos superar isso”, disse.
O Conselho também foi presidido pelo primeiro-ministro Manuel Marrero. Foi avaliado o desempenho do Plano da Economia e a execução do Orçamento do Estado até agosto de 2025.
Díaz-Canel sublinhou a urgência de impulsionar o turismo em Cuba e cumprir com as exportações para garantir o recebimento oportuno de divisas, vitais para a compra de alimentos, matérias-primas, combustíveis e outros produtos essenciais.
Instou a diversificar as receitas através da exportação de serviços, em particular os informáticos, e a melhorar a eficiência do sistema agropecuário, algo que o governo não conseguiu em mais de 60 anos no poder.
"Se esse setor primário não produzir mais, estamos muito limitados", expressou.
O governo admite que a produção de carne, ovos e produtos lácteos continua em queda e culpa a crise energética, que deixa todos os setores paralisados ou com rendimento muito baixo.
Colapso energético sem soluções imediatas
Uno dos pontos mais críticos foi o estado do sistema elétrico nacional. Díaz-Canel reconheceu que, apesar de certos avanços na geração distribuída e na incorporação de novos parques solares, as melhorias não são percebidas na vida cotidiana da população, submetida a longas interrupções diárias de energia.
O dívida energética continua afetando não apenas a economia, mas todos os setores sociais, com consequências graves para hospitais, escolas e redes de abastecimento de água potável, muitas das quais colapsam devido à falta de eletricidade.
Insalubridade e aumento da dengue
Enquanto o governante insiste na "audácia revolucionária", as condições higieno-sanitárias do país se deterioram.
A escassez de medicamentos se soma o aumento de doenças transmitidas por vetores, como o mosquito Aedes aegypti. A situação é complexa devido ao aumento de casos de dengue e chikungunya, pela falta de controle efetivo de focos.
As queixas sobre lixo acumulado, ruas alagadas por águas negras e a proliferação de mosquitos se multiplicam em bairros de Havana e em outras cidades do país.
Orçamento: Há receitas, mas com despesas não cumpridas
Em relação à execução do Orçamento do Estado, o ministro das Finanças e Preços, Vladimir Regueiro, informou que, embora o déficit fiscal tenha sido reduzido graças ao superávit de receitas, foram registradas "não execuções importantes" nos gastos planejados, tanto correntes quanto de capital, devido aos baixos níveis de atividade econômica.
A Controladoria Geral alertou sobre deficiências na utilização dos fundos estatais e pediu maior controle sobre o destino dos recursos públicos, especialmente no setor empresarial.
Programa de Governo, sem resultados concretos
No encontro a tradução neste caso.
Entre apelos à criatividade revolucionária, cifras orçamentárias e discursos sobre eficiência, a crise de Cuba continua se aprofundando, enquanto milhões de cubanos enfrentam a cada dia os efeitos de um modelo econômico que não oferece soluções reais para seus problemas cotidianos.
Perguntas frequentes sobre a crise em Cuba e as declarações de Díaz-Canel
Qual é a situação atual do sistema elétrico em Cuba?
O sistema elétrico em Cuba encontra-se em um estado crítico, com Termoelétricas obsoletas e falta de manutenção adequada. A infraestrutura energética está sobrecarregada e sem os investimentos necessários, o que provoca apagões prolongados e generalizados em toda a ilha. A falta de combustível e peças de reposição agrava a situação, e os esforços do governo para melhorar a situação não tiveram um impacto visível para a população.
Quais medidas propõe Díaz-Canel para enfrentar a crise econômica e social em Cuba?
Díaz-Canel chamou à "audácia revolucionária" e à criatividade para superar a crise, insistindo na necessidade de trabalhar, produzir e melhorar a eficiência. Entre suas propostas, destaca-se o impulso ao turismo, a diversificação de receitas por meio de exportações e a melhoria do sistema agropecuário. No entanto, essas medidas foram criticadas por não abordarem as reformas estruturais necessárias.
Como está sendo gerida a escassez de alimentos e medicamentos em Cuba?
A produção de carne, ovos e produtos lácteos está em queda, e a escassez de medicamentos se agravou. O governo atribui parte do problema à crise energética, que afeta a produção e distribuição de alimentos. Além disso, foi reconhecida a necessidade de melhorar a eficiência no setor agropecuário, mas até agora não foram observadas melhorias significativas.
O que disse Díaz-Canel sobre a dolarização parcial da economia cubana?
Díaz-Canel defendeu a dolarização parcial da economia como uma medida necessária para contornar a crise econômica. Essa decisão, no entanto, aprofundou as desigualdades sociais no país, favorecendo aqueles que recebem remessas ou possuem recursos em divisas. Apesar de reconhecer esse problema, o governante não ofereceu soluções concretas para amenizar essas desigualdades.
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