As termoelétricas em Cuba funcionam a 25% de sua capacidade operacional

A combinação de infraestrutura colapsada, falta de investimento e crise econômica coloca o sistema elétrico cubano em uma posição extremamente vulnerável, com consequências diretas para a população e a estabilidade política do país.

Miguel Díaz-Canel na termoelétrica Antonio GuiterasFoto © Facebook/UNE

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As centrales termoelétricas (CTE) de Cuba estão operando nesta terça-feira a apenas um quarto de sua capacidade instalada, um número que reflete o profundo deterioro do sistema elétrico nacional, segundo dados da União Elétrica (UNE) comparados pela agência EFE.

Atualmente, três das sete CTE estão fora do Sistema Elétrico Nacional (SEN) devido a falhas e manutenções, incluindo a Antonio Guiteras, uma das usinas mais importantes do país. As quatro centrais restantes fornecem no máximo 689 megawatts (MW), frente a uma potência instalada total de 2.613 MW.

Infraestrutura obsoleta e colapsada

A crise evidencia o péssimo estado técnico das obsoletas termelétricas, coluna vertebral do SEN. Essas 16 unidades de geração haviam chegado a contribuir com cerca de 40% da matriz energética nacional em anos anteriores, mas as décadas de exploração sem investimentos significativos reduziram drasticamente seu rendimento real.

Na jornada atual, nenhuma das quatro centrais operativas está funcionando a plena capacidade, uma vez que todas têm unidades fora de serviço ou com potência reduzida.

A central de Felton, com capacidade instalada de 510 MW, apenas contribui com cerca de 180 MW, uma vez que um de seus dois blocos está avariado.

Outras plantas como Mariel, Cienfuegos e Nuevitas, construídas entre as décadas de 1960 e 1970, também operam muito abaixo do seu potencial.

A saída de Guiteras eleva o déficit

A saída "imprevista" da CTE Antonio Guiteras, devido a uma falha na caldeira, provocou uma perda instantânea de 250 MW para o SEN. Como consequência, o déficit de geração disparou: a UNE havia estimado afetar simultaneamente 51% do país durante o horário de pico, mas com essa avaria a cifra subiu para 58% do território nacional.

Este tipo de incidentes coloca em risco toda a estabilidade do SEN, que já sofreu cinco apagões nacionais nos últimos doze meses, três deles associados a falhas semelhantes.

Parada técnica prevista e falta de investimento

As autoridades anunciaram uma parada técnica da Guiteras para dezembro, com uma duração inicial de seis meses, a primeira desse tipo em 15 anos. Os ciclos de manutenção neste tipo de usinas não deveriam ultrapassar sete anos, o que evidencia o atraso acumulado na atenção à infraestrutura energética.

Especialistas independentes atribuem a crise a décadas de subinvestimento em um setor completamente estatal desde 1959. Calculam que a recuperação completa do SEN exigiria entre 8.000 e 10.000 milhões de dólares, valores inalcançáveis para um país em profunda crise econômica há mais de cinco anos.

Um problema estrutural com impacto social

O governo cubano culpa as sanções americanas pela crise, à qual classifica de “asfixia energética”. No entanto, especialistas apontam para problemas internos mais profundos: ineficiência crônica, envelhecimento tecnológico, falta de manutenção e incapacidade de diversificar as fontes de geração.

Os apagões prolongados, que em algumas áreas superam as 20 horas diárias, não só afetam a economia — que encolheu 1,1% em 2024 e acumula uma queda de 11% em cinco anos —, mas também detonaram protestos sociais como os de julho de 2021 e os mais recentes em Havana e Gibara.

A combinação de infraestrutura colapsada, falta de investimento e crise econômica coloca o sistema elétrico cubano em uma posição extremamente vulnerável, com consequências diretas para a população e a estabilidade política do país.

Perguntas Frequentes sobre a Crise Energética em Cuba

Por que as termoelétricas em Cuba estão operando a 25% de sua capacidade?

As termoelétricas em Cuba estão operando a 25% de sua capacidade devido a um desgaste significativo da infraestrutura elétrica. O sistema elétrico cubano sofre de obsolescência e falta de investimentos, o que reduziu drasticamente seu desempenho. Além disso, várias usinas estão fora de serviço por falhas e manutenções, agravando a situação.

Quais são as principais causas do déficit energético em Cuba?

O déficit energético em Cuba deve-se a múltiplos fatores. As principais causas incluem o envelhecimento tecnológico, a falta de manutenção, a ineficiência crônica e a dificuldade em diversificar as fontes de geração. Além disso, a escassez de combustível e as sanções externas também contribuem para o problema.

Como a crise elétrica afeta a população cubana?

A crise elétrica em Cuba tem um impacto profundo na vida diária dos cidadãos. Os apagões prolongados afetam a economia, a vida cotidiana e os serviços básicos, como o fornecimento de água e a conservação de alimentos. Essa situação gerou mal-estar social e protestos em diversas regiões do país.

Quais são as perspectivas de solução para a crise energética em Cuba?

As perspectivas de solução para a crise energética em Cuba são pouco encorajadoras a curto prazo. São necessários investimentos significativos, estimados entre 8.000 e 10.000 milhões de dólares, para modernizar a infraestrutura energética. Embora tenham sido anunciados projetos de energias renováveis, estes não são suficientes para mitigar o déficit atual. A falta de fundos e uma gestão ineficiente complicam ainda mais a situação.

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